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Trajetória do xilógrafo J.Borges está em exposição no Museu do Pontal

Repro­dução: © Museu do Pontal/Divulgação

Mostra foi feita a partir de pesquisa em acervos e coleções do artista


Publicado em 29/06/2024 — 08:30 Por Alana Gandra — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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A ret­ro­spec­ti­va da obra do mestre da xilo­gravu­ra brasileira J.Borges está disponív­el ao públi­co na exposição O Sol do Sertão, que vai até o dia 25 de março de 2025, no Museu do Pon­tal, no Rio de Janeiro. A mostra ini­cia neste sába­do (29), às 14h30, e é inteira­mente gra­tui­ta para o públi­co.

Segun­do o curador e dire­tor-exec­u­ti­vo da exposição, Lucas Van de Beuque, o museu fez uma lon­ga pesquisa em cima dos acer­vos e coleções do artista, de 88 anos, espal­ha­dos no Brasil. “A gente vai expor ao públi­co essa tra­jetória, des­de os primeiros estu­dos de cordéis que ele fez até as últi­mas obras, como a Sagra­da Família, que foi dada ao Papa Fran­cis­co no ano pas­sa­do pelo pres­i­dente Lula, rep­re­sen­tan­do a arte pop­u­lar do Brasil, e a obra O coração na mão, que ele fez recen­te­mente e é um grande suces­so”, disse Van de Beuque à Agên­cia Brasil.

Para faz­er a pesquisa, os curadores foram à casa e ao ateliê de J.Borges, na cidade de Bez­er­ros (PE), onde o artista nasceu no dia 20 de dezem­bro de 1935 e per­manece até hoje. Tam­bém foram usa­dos livros e biografias que foram escritos sobre o artista.

O curador desta­cou que J.Borges pode ser incluí­do entre os maiores artis­tas vivos brasileiros hoje. “Ele tem obras expostas des­de o Museu Lou­vre, de Paris, na França, espal­hadas em museus no Brasil e coleções pri­vadas. Já fez algu­mas exposições nos Esta­dos Unidos, na França, na Ale­man­ha, Suíça, Itália, Venezuela e Cuba, com uma tra­jetória muito ampla”.

Suas xilo­gravuras gan­haram admi­radores de peso, como o escritor Ari­ano Suas­suna. O artista tem vários prêmios, como a comen­da da Ordem do Méri­to Cul­tur­al, o prêmio da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Edu­cação, a Ciên­cia e a Cul­tura (Unesco) na cat­e­go­ria Ação Educativa/Cultural e o títu­lo de Patrimônio Vivo de Per­nam­bu­co. Ilus­trou tam­bém a capa de livros de escritores como Eduar­do Galeano e José Sara­m­a­go, inspirou doc­u­men­tários e o des­file da esco­la de sam­ba Acadêmi­cos da Rocin­ha, em 2018.

Rio de Janeiro (RJ) 25/06/2024 - Exposição do mestre da xilogravura brasileira J.Borges no Museu do Pontal.Foto: Museu do Pontal/Divulgação
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ) 25/06/2024 — Exposição do mestre da xilo­gravu­ra brasileira J.Borges no Museu do Pon­tal. Foto: Museu do Pontal/Divulgação

Para Lucas Van de Beuque, J.Borges é uma pes­soa do seu tem­po, aten­ta ao que acon­tece no mun­do e ao que as pes­soas se inter­es­sam. Ao mes­mo tem­po, é alguém muito lig­a­do ao seu cam­in­ho e ao que está queren­do pro­por. “Não é algo cir­cun­stan­cial. Ele tem com­pro­mis­so com o Nordeste, com o cordel, com ess­es val­ores nordes­ti­nos de um jeito de viv­er que é muito rel­e­vante para ele. É muito forte essa for­ma de viv­er”.

Até hoje não tin­ha sido fei­ta uma exposição sobre J.Borges que falasse sobre toda a sua tra­jetória, engloban­do acer­vos pri­va­dos e públi­cos. O curador desta­ca, em espe­cial, a primeira xilo­gravu­ra que o artista fez em 1964, ini­cian­do sua pro­dução para a capa do segun­do cordel que escreveu. “Ali nasce tam­bém o nome J.Borges. Porque o nome com­ple­to dele (José Fran­cis­co Borges) não cabe na xilo. Esse teste­munho está tam­bém na exposição”.

Exposição

A exposição ocu­pa grande parte da gale­ria prin­ci­pal do Museu do Pon­tal, as duas gale­rias do mezani­no, o saguão e um painel de 24 met­ros quadra­dos. São 200 obras, um mini doc­u­men­tário sobre a vida e obra do artista e uma lin­ha do tem­po, além de um con­jun­to de 50 matrizes mostran­do como foram feitas as xilo­gravuras.

A mostra será inau­gu­ra­da durante o Fes­ti­val Juni­no do museu, que acon­tece no sába­do (29) e domin­go (30). O públi­co poderá adquirir, a preços pop­u­lares, uma obra do xilo­gravurista na lojin­ha que será mon­ta­da durante a fes­ta, semel­hante à que existe em Bez­er­ros.

Edição: Sab­ri­na Craide

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