...
sexta-feira ,1 março 2024
Home / Saúde / Um em cada quatro jovens relata ter sofrido violência no Brasil

Um em cada quatro jovens relata ter sofrido violência no Brasil

Repro­du­ção: © Fre­e­pick

Informação está em relatório divulgado pela Fiocruz nesta segunda (11)


Publi­ca­do em 11/12/2023 — 17:06 Por Gil­ber­to Cos­ta — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

Os bra­si­lei­ros de 15 a 29 anos estão mais sujei­tos à vio­lên­cia físi­ca, psi­co­ló­gi­ca e sexu­al. Mais de um quar­to dos jovens (27%) afir­mou ter sido víti­ma algum tipo de agres­são no inter­va­lo de 12 meses que ante­ce­de­ram a Pes­qui­sa Naci­o­nal de Saú­de (PNS/IBGE) de 2019.

Naque­le ano, a taxa de vio­lên­cia para essa fai­xa etá­ria (307,52 casos/100 mil pes­so­as) foi 2,07 vezes mai­or quan­do com­pa­ra­da à da popu­la­ção adul­ta. No caso de ado­les­cen­tes entre 15 e 19 anos, o dado é mais gra­ve: 397 casos para cada 100 mil habi­tan­tes.

“Em todas as regiões do Bra­sil, a fai­xa etá­ria dos jovens-ado­les­cen­tes (15 aos 19 anos) for­ma o prin­ci­pal gru­po de víti­ma de vio­lên­cia”, des­cre­ve o rela­tó­rio Pano­ra­ma da Situ­a­ção de Saú­de dos Jovens Bra­si­lei­ros de 2016 a 2022: Inter­sec­ções entre Juven­tu­de, Saú­de e Tra­ba­lho, divul­ga­do na tar­de des­ta segun­da-fei­ra (11) pela Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fio­cruz).

Além dos dados da PNS, o dos­siê com­pi­la infor­ma­ções da Pes­qui­sa Naci­o­nal de Amos­tra Domi­ci­li­ar Con­tí­nua (Pnad/IBGE) e traz resul­ta­dos iné­di­tos a par­tir de bases de dados do Sis­te­ma Úni­co de Saú­de (SUS). À épo­ca das pes­qui­sas, a popu­la­ção de 15 a 29 anos cor­res­pon­dia a 49 milhões de pes­so­as (23% dos bra­si­lei­ros).

O estu­do foi fei­to por duas áre­as da Fio­cruz – a Coor­de­na­ção de Coo­pe­ra­ção Soci­al da Pre­si­dên­cia e o Labo­ra­tó­rio de Edu­ca­ção Pro­fis­si­o­nal em Infor­ma­ções e Regis­tros em Saú­de da Esco­la Poli­téc­ni­ca de Saú­de Joa­quim Venân­cio. Além das situ­a­ções de vio­lên­cia, o pano­ra­ma tra­ta de con­di­ções de tra­ba­lho; impac­tos na saú­de men­tal e mor­ta­li­da­de.

De acor­do com o diag­nós­ti­co, a pos­si­bi­li­da­de de um homem jovem mor­rer é qua­tro vezes mai­or do que uma mulher — taxas de mor­ta­li­da­de de 80,3% e 19,7%, res­pec­ti­va­men­te. Entre os homens jovens, a pro­por­ção de pre­tos e par­dos que mor­rem pre­co­ce­men­te (68%) é mais do que o dobro dos bran­cos (29%).

“Den­tre as prin­ci­pais cau­sas de óbi­tos des­ta­cam-se for­te­men­te as cau­sas exter­nas, rela­ci­o­na­das a vio­lên­ci­as e aci­den­tes de trân­si­to. É na juven­tu­de que se encon­tram as mais altas taxas de mor­ta­li­da­de por cau­sas exter­nas.”

Trabalho e saúde

O dos­siê da Fio­cruz apon­ta que 70,1% dos jovens entre 18 e 24 anos são mão de obra ocu­pa­da ou bus­can­do empre­go. As con­di­ções de tra­ba­lho, no entan­to, são mais volá­teis do que nos estra­tos mais velhos: estão mais expos­tos à infor­ma­li­da­de e à rota­ti­vi­da­de, têm jor­na­das mais exten­sas, mas com salá­ri­os meno­res, e con­tam com menos pro­te­ção soci­al.

“O tra­ba­lho faz par­te da vida da juven­tu­de do Bra­sil. Eles tra­ba­lham mui­to, mas em con­di­ções pio­res”, resu­me a soció­lo­ga Hele­na Abra­mo, res­pon­sá­vel pelo pano­ra­ma. A pes­qui­sa­do­ra assi­na­la que, além da inten­sa ati­vi­da­de, há “sobre­po­si­ção de tra­ba­lho e estu­do” – meta­de dos que estu­dam tam­bém tra­ba­lha. No caso das mulhe­res, essas são ain­da mais impac­ta­das em razão do his­tó­ri­co acú­mu­lo das tare­fas domés­ti­cas e cui­da­dos com a famí­lia, ini­ci­a­do ain­da na juven­tu­de.

A car­ga de tra­ba­lho tem impac­to na saú­de de ambos os sexos. “Qua­se meta­de (46,6%) dos jovens ocu­pa­dos com mais de 18 anos esti­ve­ram expos­tos, ao menos uma vez nos últi­mos 12 meses que ante­ce­de­ram a pes­qui­sa, a algum fator que pode­ria afe­tar sua saú­de no tra­ba­lho. Essa esta­tís­ti­ca equi­va­le a mais de um quar­to (28%) de todos os jovens bra­si­lei­ros”, aler­ta o dos­siê.

Os “jovens do sexo mas­cu­li­no apre­sen­tam as mai­o­res taxas e o mai­or volu­me de inter­na­ções”. Mais de 54% dos jovens inter­na­dos foram do sexo mas­cu­li­no, apon­ta o docu­men­to, subli­nhan­do que “trans­tor­nos men­tais foram a pri­mei­ra cau­sa de inter­na­ção entre homens jovens”. Esqui­zo­fre­nia, psi­co­se, uso de múl­ti­plas dro­gas e outras subs­tân­ci­as psi­co­a­ti­vas e uso de álco­ol estão entre as prin­ci­pais cau­sas.

Acidentes de trabalho

Pano­ra­ma da Situ­a­ção de Saú­de dos Jovens Bra­si­lei­ros ain­da con­ta­bi­li­za que, entre 2016 e 2022, foram notifi­ca­dos 1.045.790 aci­den­tes de tra­ba­lho em todo o país. Qua­se um ter­ço dos epi­só­di­os envol­veu jovens de 15 a 29 anos, 345.441 dos aci­den­ta­dos.

Os jovens entre 20 e 29 anos foram os que apre­sen­ta­ram mai­or vul­ne­ra­bi­li­da­de a aci­den­tes de tra­ba­lho. Oito de cada dez aci­den­ta­dos (78%) são homens. “As ocu­pa­ções mais rela­ci­o­na­das aos aci­den­tes estão na indús­tria, nos ser­vi­ços e no comér­cio”, des­cre­ve o docu­men­to.

De acor­do com a Fio­cruz, os dados com­pi­la­dos no pano­ra­ma ser­vi­rão como sub­sí­di­os para for­mu­la­ção de polí­ti­cas de saú­de vol­ta­das para a juven­tu­de. Para Hele­na Abra­mo, a sis­te­ma­ti­za­ção das ações pode aju­dar a pre­en­cher uma lacu­na na atu­a­ção do Esta­do. “Temos um cer­to acú­mu­lo de infor­ma­ções sobre a ado­les­cên­cia, e um núme­ro razoá­vel de ações em cur­sos para outros seg­men­tos”.

Edi­ção: Juli­a­na Andra­de

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Mortes por dengue chegam a 113 no país; 438 óbitos são investigados

Repro­du­ção: © Fabio Rodri­gues-Poz­ze­bom/ Agên­cia Bra­sil Dados foram atualizados nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde …