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União tem 30 dias para apresentar plano contra garimpo em TI Yanomami

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

Decisão é da Justiça Federal de Roraima


Publi­ca­do em 30/01/2024 — 11:49 Por Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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A Jus­ti­ça Fede­ral de Rorai­ma deu pra­zo de 30 dias para que a União apre­sen­te um novo cro­no­gra­ma de ações para com­ba­ter o garim­po ile­gal na Ter­ra Indí­ge­na Yano­ma­mi, sob pena de mul­ta de R$ 1 milhão em caso de des­cum­pri­men­to. Cabe recur­so. 

A deci­são foi divul­ga­da pelo Minis­té­rio Públi­co Fede­ral (MPF) na segun­da-fei­ra (29), após uma audi­ên­cia de con­ci­li­a­ção ter sido rea­li­za­da, na sema­na pas­sa­da, em con­jun­to pelas 1ª e 2ª Varas Fede­rais de Rorai­ma.

“A medi­da foi neces­sá­ria dian­te da inér­cia do Esta­do bra­si­lei­ro em ela­bo­rar um pla­ne­ja­men­to efe­ti­vo para a ins­ta­la­ção de bases de pro­te­ção e reti­ra­da dos inva­so­res do ter­ri­tó­rio tra­di­ci­o­nal”, dis­se o MPF, em nota.

A reu­nião foi rea­li­za­da a pedi­do do MPF e con­tou com a par­ti­ci­pa­ção dos Minis­té­ri­os da Jus­ti­ça e Segu­ran­ça Públi­ca, da Defe­sa, dos Povos Indí­ge­nas, da Saú­de e do Meio Ambi­en­te. Tam­bém esta­vam pre­sen­tes repre­sen­tan­tes da Polí­cia Fede­ral, da For­ça Naci­o­nal de Segu­ran­ça Públi­ca, do Esta­do de Rorai­ma, da Fun­da­ção Naci­o­nal dos Povos Indí­ge­nas (Funai) e do Ins­ti­tu­to Chi­co Men­des de Con­ser­va­ção da Bio­di­ver­si­da­de (ICM­Bio).

Segun­do o MPF,  a União se com­pro­me­teu a apre­sen­tar um novo cro­no­gra­ma de ações envol­ven­do a reti­ra­da de garim­pei­ros, a ins­ta­la­ção da base de pro­te­ção etno­am­bi­en­tal Paki­la­pi e a imple­men­ta­ção de polí­ti­cas públi­cas per­ma­nen­tes no ter­ri­tó­rio Yano­ma­mi em até 30 dias.

A deter­mi­na­ção da mul­ta, caso a pro­mes­sa não seja cum­pri­da, foi toma­da no âmbi­to de duas ações civis públi­cas aber­tas pelo MPF em 2017 e 2020, nas quais o órgão pediu que os órgãos fede­rais fos­sem obri­ga­dos a ins­ta­lar bases de pro­te­ção etno­am­bi­en­tal (Base) no TI Yano­ma­mi.

Ain­da de acor­do com o MPF, mes­mo após cin­co anos da sen­ten­ça favo­rá­vel, União e Funai não imple­men­ta­ram a base do rio Ura­ri­co­e­ra, o que per­mi­tiu a entra­da desen­fre­a­da de garim­pei­ros ile­gais na região, uma das mais afe­ta­das pela mine­ra­ção ile­gal.

“Se o Esta­do bra­si­lei­ro tives­se cum­pri­do as deci­sões judi­ci­ais pro­fe­ri­das nes­sas ações, o ter­ri­tó­rio Yano­ma­mi esta­ria devi­da­men­te pro­te­gi­do e não esta­ría­mos assis­tin­do à tra­gé­dia huma­ni­tá­ria e ambi­en­tal ins­ta­la­da entre as comu­ni­da­des indí­ge­nas”, afir­mou o pro­cu­ra­dor da Repú­bli­ca res­pon­sá­vel pelo caso, Alis­son Maru­gal, na nota divul­ga­da pelo MPF.

O órgão fri­sou a cri­se huma­ni­tá­ria pre­sen­te na TI Yano­ma­mi, com o regis­tro, por exem­plo, de qua­dro de des­nu­tri­ção desen­fre­a­da de cri­an­ças indí­ge­nas, ao mes­mo tem­po que ins­ta­la­ções de saú­de foram toma­das pelos inva­so­res e pas­sa­ram ser­vir como cen­tro logís­ti­co de ati­vi­da­de ile­gal.

Agên­cia Bra­sil entrou em con­ta­to com a Advo­ca­cia-Geral da União (AGU) para que comen­te a deci­são e aguar­da retor­no.

Edi­ção: Maria Clau­dia

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