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Vacina russa Sputnik V revela 91,6% de eficácia

MINSK, BELARUS - DECEMBER 29, 2020: A medical worker holds a component of the Russian Gam-COVID-Vak (Sputnik V) vaccine against COVID-19 in a city hospital. The first batch of the Russian Sputnik V vaccine has arrived in Belarus; a mass vaccination campaign is starting in the country. Stringer/TASS.No use Russia.
© Reuters/Direiots reser­va­dos (Repro­du­ção)

Resultado foi publicado na revista médica The Lancet


Publi­ca­do em 02/02/2021 — 12:19 Por Andreia Mar­tins — Repór­ter da RTP — -

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

A vaci­na con­tra a covid-19 desen­vol­vi­da pela Rús­sia, a Sput­nik V, reve­lou uma efi­cá­cia de 91,6% con­tra as for­mas sin­to­má­ti­cas da doen­ça, segun­do resul­ta­dos publi­ca­dos hoje (2) na revis­ta médi­ca The Lan­cet e vali­da­dos por espe­ci­a­lis­tas inde­pen­den­tes.

“O desen­vol­vi­men­to da Sput­nik V tem sido cri­ti­ca­do pela sua pre­ci­pi­ta­ção, por ter sal­ta­do eta­pas e pela fal­ta de trans­pa­rên­cia, mas os resul­ta­dos são cla­ros e o prin­cí­pio cien­tí­fi­co des­sa vaci­na­ção está demons­tra­do”, esti­ma­ram dois espe­ci­a­lis­tas bri­tâ­ni­cos, Ian Jones e Polly Roy, num comen­tá­rio ane­xa­do ao estu­do.

Isto “sig­ni­fi­ca que uma vaci­na extra pode ser acres­cen­ta­da à luta con­tra a covid-19”, res­sal­ta­ram os dois inves­ti­ga­do­res, que não par­ti­ci­pa­ram no estu­do.

Os pri­mei­ros resul­ta­dos de efi­cá­cia veri­fi­ca­dos cor­ro­bo­ram as afir­ma­ções ini­ci­ais da Rús­sia, rece­bi­das ano pas­sa­do com des­con­fi­an­ça pela comu­ni­da­de cien­tí­fi­ca inter­na­ci­o­nal.

Estes dados pare­cem colo­car a Sput­nik V entre as vaci­nas com melho­res desem­pe­nhos, como as da Pfizer/BioNTech, que anun­ci­am uma efi­cá­cia de cer­ca de 95% mas uti­li­zam, no entan­to, uma tec­no­lo­gia dife­ren­te (RNA men­sa­gei­ro).

Nas últi­mas sema­nas come­ça­ram a sur­gir pres­sões para que a Agên­cia Euro­peia do Medi­ca­men­to (EMA na sigla em inglês) ava­li­as­se rapi­da­men­te o desem­pe­nho da Sput­nik V, já uti­li­za­da na Rús­sia e em paí­ses como a Argen­ti­na e a Argé­lia.

Os resul­ta­dos ago­ra publi­ca­dos na The Lan­cet dizem res­pei­to à últi­ma fase de ensai­os clí­ni­cos da vaci­na, a fase três, que envol­ve cer­ca de 20 mil volun­tá­ri­os.

Como é habi­tu­al, estes resul­ta­dos têm ori­gem na equi­pe que desen­vol­veu a vaci­na e con­du­ziu os ensai­os, sen­do pos­te­ri­or­men­te sub­me­ti­dos à veri­fi­ca­ção de outros cien­tis­tas inde­pen­den­tes antes da sua publi­ca­ção.

Os resul­ta­dos ago­ra publi­ca­dos mos­tram que a Sput­nik V reduz em 91,6% o ris­co de con­trair uma for­ma sin­to­má­ti­ca da covid-19.

Os par­ti­ci­pan­tes no ensaio, rea­li­za­do entre setem­bro e novem­bro, rece­be­ram todos duas doses da vaci­na ou um pla­ce­bo com três sema­nas de inter­va­lo.

Em cada uma das doses, fize­ram tam­bém um tes­te de PCR e, nos dias seguin­tes à admi­nis­tra­ção da segun­da dose, o tes­te foi rea­li­za­do ape­nas em quem desen­vol­veu sin­to­mas.

Um total de 16 volun­tá­ri­os dos 14,9 mil que rece­be­ram ambas as doses da vaci­na teve tes­te posi­ti­vo (0,1%) em com­pa­ra­ção com 62 de 4,9 mil volun­tá­ri­os que rece­be­ram o pla­ce­bo (1,3%).

Os auto­res apon­tam, no entan­to, uma limi­ta­ção: uma vez que os tes­tes PCR só foram rea­li­za­dos “quan­do os par­ti­ci­pan­tes decla­ra­ram ter sin­to­mas de covid-19, a aná­li­se da efi­cá­cia diz res­pei­to ape­nas aos casos sin­to­má­ti­cos”.

“São ain­da neces­sá­ri­as mais pes­qui­sas para deter­mi­nar a efi­cá­cia da vaci­na em casos assin­to­má­ti­cos e na trans­mis­são” da doen­ça, expli­ca a revis­ta The Lan­cet em comu­ni­ca­do.

Além dis­so, com base em cer­ca de 2 mil casos de pes­so­as com mais de 60 anos, o estu­do con­si­de­ra que a vaci­na pare­ce efi­caz nes­sa fai­xa etá­ria, com os dados par­ci­ais mos­tran­do que pro­te­ge mui­to bem con­tra as for­mas mode­ra­das a seve­ras da doen­ça.

A Sput­nik V da Rús­sia é uma vaci­na de vetor viral, ou seja, uti­li­za outros vírus tor­na­dos ino­fen­si­vos para o orga­nis­mo huma­no e adap­ta­dos para com­ba­ter a covid-19.

Tra­ta-se da mes­ma téc­ni­ca uti­li­za­da pela vaci­na da Astra­Ze­ne­ca (Oxford), que apre­sen­ta uma efi­cá­cia de 60%, segun­do a EMA.

Enquan­to a vaci­na da Astra­Ze­ne­ca se baseia num úni­co ade­no­ví­rus de chim­pan­zé, a Sput­nik V uti­li­za dois ade­no­ví­rus huma­nos dife­ren­tes para cada uma das inje­ções.

Segun­do os seus cri­a­do­res, a uti­li­za­ção de um ade­no­ví­rus dife­ren­te em refor­ço da pri­mei­ra inje­ção deve­rá cau­sar uma melhor res­pos­ta imu­no­ló­gi­ca.

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