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Rio de Janeiro celebra os 90 anos do Cristo Redentor

Repro­dução: © Tânia Rego — Agên­cia Brasil

Monumento de 38 metros de altura fica no alto do Morro do Corcovado


Pub­li­ca­do em 12/10/2021 — 07:00 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil* — Rio de Janeiro

Eleito uma das sete mar­avil­has do mun­do mod­er­no, o Cristo Reden­tor com­ple­ta 90 anos como a imagem mais famosa do Brasil. Em 1926, começou a con­strução do mon­u­men­to de 38 met­ros de altura no alto do Mor­ro do Cor­co­v­a­do, a 710 met­ros do nív­el do mar. Demor­ou cin­co anos para ficar pron­to e foi inau­gu­ra­do em 12 de out­ubro de 1931.

O dia do aniver­sário de um dos prin­ci­pais cartões postais do país começa hoje (12) às 7h15, com o Ato Cívi­co Reli­gioso e a San­ta Mis­sa em Ação de Graças pelos 90 Anos do Cristo Reden­tor e em hon­ra a Nos­sa Sen­ho­ra Apare­ci­da. No even­to, que terá a pre­sença de autori­dades públi­cas e reli­giosas, haverá o lança­men­to da Medal­ha Comem­o­ra­ti­va dos 90 Anos do Cristo Reden­tor e do Blo­co Postal Espe­cial em Hom­e­nagem ao Mon­u­men­to do Cristo Reden­tor.

A Esquadrilha da Fumaça, da Força Aérea Brasileira, fará uma apre­sen­tação sobrevoan­do o mon­u­men­to. A Ban­da do Cor­po de Fuzileiros Navais par­tic­i­pará musi­cal­mente do even­to.

Toda a cer­imô­nia será trans­mi­ti­da ao vivo pelo canal ofi­cial do San­tuário Cristo Reden­tor no YouTube.

O reitor do San­tuário Cristo Reden­tor, padre Omar Raposo, desta­ca que o mon­u­men­to é o “garo­to pro­pa­gan­da” do país.” É impos­sív­el pen­sar o Brasil no exte­ri­or sem que a gente reporte o nos­so olhar e a nos­sa lem­brança para esse pre­cioso mon­u­men­to no alto do Cor­co­v­a­do”, diz. “O Cristo Reden­tor nos pas­sa a sen­sação de que parece que foi esculpi­do na col­i­na da mon­tan­ha do Cor­co­v­a­do. Isso é tão mar­avil­hoso. Imag­inem o que seria do Rio de Janeiro se não fos­se o Cristo Reden­tor?”

Ele lem­bra que a está­tua inter­age per­feita­mente com a natureza ao redor, o Par­que Nacional da Tiju­ca, e traz uma exper­iên­cia a par­tir dos braços aber­tos. “Ess­es braços comu­ni­cam acol­hi­men­to e iden­ti­fi­cam ain­da mais o coração do povo brasileiro, que é um coração acol­he­dor, que tam­bém pos­sui braços fortes para tra­bal­ho, cheio de ener­gia pra gente poder desen­volver essa nação tão queri­da”.

Restauração

A qual­i­dade da obra impres­siona a arquite­ta e escul­to­ra Cristi­na Ven­tu­ra, coor­de­nado­ra da mais recente restau­ração do Cristo. “É uma qual­i­dade que chama a atenção nos dias de hoje. Isso que é o mais espan­toso. Você hoje não encon­tra estru­turas muito mais recentes com a qual­i­dade que foi fei­ta nes­sa obra”, diz Cristi­na.

“Não tem nen­hu­ma con­strução ness­es moldes, nesse perío­do, com essa audá­cia que foi o Cristo. Um out­ro mar­co é que o Cristo é a maior escul­tura art déco do mun­do”, acres­cen­ta.

A arquite­ta lem­bra que não só engen­heiros e arquite­tos envolvi­dos no pro­je­to foram auda­ciosos mas tam­bém os operários sem equipa­men­to de pro­teção indi­vid­ual pen­dura­dos em andaimes sobre um pre­cipí­cio de mais de 700 met­ros de altura. “Eu fico imag­i­nan­do isso quan­do nós, da equipe, faze­mos as coisas com tan­to amor, imag­i­na para eles que esta­va con­stru­in­do o Cristo Reden­tor. Que tipo de com­pro­mis­so que essa galera não tin­ha aqui, sabe?”, pon­dera Cristi­na.

Repro­dução: A arquite­ta Cristi­na Ven­tu­ra no Cristo Reden­tor — Tânia Rego — Agên­cia Brasil

Para o aniver­sário de 90 anos, foram feitos reparos emer­gen­ci­ais em partes que havi­am sido dan­i­fi­cadas pelas intem­péries: tre­chos do man­to, dedo dire­ito e parte frontal da cabeça. Além dis­so, como parte da manutenção pre­ven­ti­va, o Cristo gan­hou um equipa­men­to para medir os ven­tos que atingem a está­tua e tam­bém um para-raios reforça­do.

Cristo da Bola

Esse pro­je­to auda­cioso feito de con­cre­to arma­do e pedra sabão foi finan­cia­do por doações da pop­u­lação brasileira. Em 1921, nos prepar­a­tivos para as comem­o­rações do cen­tenário da Inde­pendên­cia do Brasil, um grupo católi­co pro­moveu con­cur­so para uma está­tua em hom­e­nagem a Jesus Cristo. O vence­dor foi o arquite­to e engen­heiro Heitor da Sil­va Cos­ta, que lid­er­ou o pro­je­to, da con­cepção até a inau­gu­ração da obra, em 12 de out­ubro de 1931.

O pro­je­to ini­cial, que tin­ha a imagem de Cristo segu­ran­do uma cruz na mão esquer­da e o globo, na mão dire­i­ta, foi apel­i­da­do de Cristo da Bola pelos car­i­o­cas.

O teól­o­go Alexan­dre Pin­heiro, coor­de­nador do Núcleo de Acer­vo e Memória do San­tuário Cristo Reden­tor, con­ta que não foi fácil na época con­seguir a autor­iza­ção do gov­er­no repub­li­cano para a obra. Um abaixo-assi­na­do de 20 mil mul­heres, lid­er­adas pela escrito­ra Lau­ri­ta Lac­er­da, aju­dou a vencer a resistên­cia do então pres­i­dente Epitá­cio Pes­soa.

A doc­u­men­tarista Bel Noron­ha, que é bis­ne­ta de Heitor da Sil­va Cos­ta, con­ta que mui­ta gente chegou a acred­i­tar num mito de que o Cristo teria sido um pre­sente da França para o Brasil pelo fato de a Está­tua da Liber­dade, em Nova York, ser um pre­sente do gov­er­no francês para os norte-amer­i­canos. E tam­bém porque france­ses tra­bal­haram no pro­je­to do Cristo.

Mas foi a arquid­io­cese do Rio de Janeiro que orga­ni­zou cam­pan­has de arrecadação de fun­dos que mobi­li­zou não só o Rio de Janeiro, mas todo o Brasil. Toda a con­strução do Cristo foi finan­cia­da com o din­heiro das doações dos brasileiros.

Os desen­hos do pro­je­to de Heitor da Sil­va Cos­ta foram feitos pelo pin­tor Car­los Oswald. E Heitor bus­cou parce­rias na França para a obra. Para faz­er os cál­cu­los estru­tu­rais, con­tra­tou o engen­heiro Alber­to Caquot e para faz­er a está­tua, o escul­tor fran­co-polonês Paul Landows­ki, grande expoente do movi­men­to art déco. Landows­ki fez uma maque­te e a escul­tura em taman­ho real da cabeça e das mãos do mon­u­men­to, cujos moldes em ges­so foram envi­a­dos ao Brasil em partes numer­adas.

A escul­tura foi repro­duzi­da em con­cre­to arma­do e revesti­da em pedra-sabão. Gru­pos de mul­heres se reu­ni­am na casa paro­quial para faz­er os mosaicos que eram pos­te­ri­or­mente apli­ca­dos na está­tua. Muitas escrever­am os nomes dos entes queri­dos no ver­so dos triân­gu­los de pedra-sabão.

Além de ser retrata­do na arte brasileira, como na músi­ca Sam­ba do Avião de Tom Jobim, vis­i­tas ilus­tres como o papa João Paulo II, o líder espir­i­tu­al Dalai Lama, a prince­sa Diana e príncipe Charles e o ex-pres­i­dente dos Esta­dos Unidos, Barack Oba­ma, com sua família, já estiver­am no alto do Cor­co­v­a­do.

*Com infor­mações da TV Brasil

Edição: Valéria Aguiar

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