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Lei transforma mestre-sala e porta-bandeira em patrimônio do Rio

Repro­dução: © Cristi­na Índio do Brasil/Agência Brasil

Figuras emblemáticas de desfiles são como símbolos culturais

Publicado em 14/01/2022 — 19:03 Por Cristina Índio do Brasil — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

Foi san­ciona­da na últi­ma quin­ta-feira (13) a lei 9.588 de 2021, que garante às fig­uras car­navalescas do mestre-sala e da por­ta-ban­deira o títu­lo de Patrimônio Cul­tur­al Ima­te­r­i­al do esta­do do Rio de Janeiro.

Para Vil­ma Nasci­men­to, de 83 anos, a lei san­ciona­da pelo gov­er­nador Cláu­dio Cas­tro é um recon­hec­i­men­to à história dos sím­bo­los do Car­naval.

A apre­sen­tação do mestre-sala e da por­ta-ban­deira é um dos mais dis­puta­dos que­si­tos na clas­si­fi­cação das esco­las de sam­ba no Car­naval car­i­o­ca, e pode ser deter­mi­nante na aveni­da. As roupas lux­u­osas pre­cisam estar de acor­do com o enre­do do ano e são preparadas espe­cial­mente para não impedir o baila­do na pas­sarela, que cos­tu­ma encan­tar o públi­co.

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“É uma coisa séria. Ago­ra eles têm que se unir, para cada vez ser mais val­oriza­do o casal. Tem que ter união, respeito abso­lu­to. O títu­lo val­ori­zou muito e eu estou muito con­tente mes­mo”, disse a sam­bista em entre­vista para a Agên­cia Brasil.

Con­sid­er­a­da sím­bo­lo das por­ta-ban­deiras de esco­las de sam­ba, Vil­ma faz a própria história na família. A primeira vez que des­filou foi aos 7 anos, no Blo­co Unidos da Dona Clara — rua de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A estreia como por­ta-ban­deira foi aos 13 anos na Esco­la de Sam­ba União de Vaz Lobo, tam­bém na Zona Norte. Na Portela, onde se tornou destaque pelo seu baila­do que envolvia a quem assis­tia, começou em 1957.

Repro­dução: Rio de Janeiro — Des­file da União da Ilha no segun­do dia de apre­sen­tações do Grupo Espe­cial das Esco­las de Sam­ba do Rio, na Sapu­caí (Tânia Rêgo/Agência Brasil) — Tânia Rêgo; Agên­cia Brasil

Os anos se pas­saram e na déca­da de 1980 Vil­ma foi para a Tradição, uma dis­sidên­cia da azul e bran­co de Oswal­do Cruz. Foi lá que mais uma vez fez história. Preparou o afil­ha­do, o mestre-sala Júlio César da Con­ceição Nasci­men­to, o Julin­ho. Emo­ciona­do, o jovem real­i­zou o son­ho de des­fi­lar com a madrin­ha de batismo em ple­na Mar­quês de Sapu­caí. “Eu fui ori­en­tan­do, botan­do ele do meu jeito. Fui eu que pro­jetei ele”, con­tou Vil­ma.

Tradição de família

Ser por­ta-ban­deira na família de Vil­ma é sinôn­i­mo de encon­tro de ger­ações. A fil­ha Danielle tam­bém seguiu os pas­sos da mãe e é por­ta-ban­deira na União da Ilha. Ela pas­sou a com­por o casal com Julin­ho quan­do Vil­ma deixou a função; a neta Camy­la é segun­da por­ta-ban­deira da Portela; e a bis­ne­ta Clarice, ter­ceira da Tradição. Todos seguem os seus pas­sos. “Para mim isso é muito grat­i­f­i­cante e impor­tante porque deixa uma boa lem­brança para mim que já não danço mais. Eu digo, valeu a pena? Valeu”, con­tou.

Repro­dução:
Rio de Janeiro — Bei­ja-flor é a segun­da esco­la a se apre­sen­tar no Sam­bó­dro­mo, no Des­file das Campeãs, com o enre­do sobre o mineiro Mar­quês de Sapu­caí (Tomaz Silva/Agência Brasil) — Tomaz Silva/Agência Brasil

Nos últi­mos anos, além de entrar na aveni­da como destaque no iní­cio do des­file da Portela, Vil­ma esteve pre­sente ao lado da fil­ha nas apre­sen­tações do casal. “É uma emoção forte. Muito bom ver ela dançar, porque a Danielle é incrív­el na aveni­da. Ela não gos­ta de quadra, ela gos­ta é de aveni­da. Igual a mim, tan­to é que eu vou para a aveni­da. Quero ver todas as esco­las de sam­ba”, com­ple­tou sor­rindo, lem­bran­do que mes­mo no ano em que pre­cisou faz­er uma cirur­gia na cabeça pouco tem­po antes do car­naval, foi para a Pas­sarela do Sam­ba e des­filou na Portela e acom­pan­han­do a fil­ha na esco­la Paraí­so do Tuiu­ti. “Fui para a aveni­da com os pon­tos na cabeça. Foi muito bom. Foi emo­cio­nante”.

Atual­mente Julin­ho for­ma um dos casais mais longevos na Sapu­caí. A parce­ria com a por­ta-ban­deira Rute começou em 2008. Já pas­saram pela Vila Isabel e pela Unidos da Tiju­ca e des­de 2018 estão na Viradouro.

Espírito do Carnaval

Para o gov­er­nador, a lei recon­hece a importân­cia dos casais não só para as esco­las, como para a cul­tura flu­mi­nense. “Os mestres-salas e as por­ta-ban­deiras são mais do que os guardiões da folia. Assim como out­ros ele­men­tos emblemáti­cos das esco­las que des­fil­am na Sapu­caí, eles tam­bém rep­re­sen­tam o espíri­to do Car­naval”, disse.

A nova leg­is­lação de auto­ria do dep­uta­do estad­ual Rodri­go Amor­im (PSL) pre­vê ain­da apoio de órgãos do poder Exec­u­ti­vo à ini­cia­ti­vas de val­oriza­ção e divul­gação deste bem ima­te­r­i­al.

O cal­endário ofi­cial do Rio de Janeiro con­ta com uma data de comem­o­ração de fig­uras de destaque nas agremi­ações. O Dia Nacional do Mestre-Sala e da Por­ta-Ban­deira é cel­e­bra­do em 24 de novem­bro.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

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