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Instabilidade de temperatura contribui para quadros virais em crianças

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal/Agência Brasil

Cresce atendimento em pronto-socorro pediátrico em São Paulo


Pub­li­ca­do em 05/10/2022 — 20:01 Por Cami­la Maciel — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Verão esten­di­do em jul­ho, quan­do seria inver­no; e tem­po instáv­el des­de agos­to, entran­do pela pri­mav­era. Sazonal­mente, a tran­sição de tem­per­atu­ra con­tribui para o aumen­to da incidên­cia de quadros virais em São Paulo. Números dos últi­mos 30 dias da Sec­re­taria de Esta­do da Saúde mostram um cresci­men­to de 20% nos atendi­men­tos de pron­to-socor­ro nos hos­pi­tais da cap­i­tal refer­ên­cia de atendi­men­to pediátri­co, o Dar­cy Var­gas e o Cân­di­do Fon­toura. Durante esse perío­do do ano, segun­do o gov­er­no, é comum o aumen­to de hos­pi­tal­iza­ções por Sín­drome Res­pi­ratória Agu­da Grave (SRAG) em cri­anças.

Os dados indicam ain­da que, em todo esta­do, de 22 de jul­ho a 20 de setem­bro, foram noti­fi­ca­dos 1.256 casos de SRAG em cri­anças de 5 a 11 anos de idade, o que rep­re­sen­ta 85,4% a menos do que no mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. A redução expres­si­va se deve à base de com­para­ção, ten­do em vista que os números ante­ri­ores refletem a pan­demia da covid-19. Segun­do o gov­er­no paulista, 35% dos cer­ca de 550 leitos pediátri­cos de enfer­maria volta­dos para covid-19 estão ocu­pa­dos. Em relação aos leitos pediátri­cos de UTI, a ocu­pação é de 33% dos 250 exis­tentes.

“Este ano seguiu mais ou menos o fluxo pré-pan­demia, de vol­umes, mas a gente viu real­mente uma fase de um ade­n­ovírus mais vir­u­len­to, trazen­do mais inter­nações, mais quadros asso­ci­a­dos de bron­coes­pas­mos, con­jun­tivites, muitas vezes com quadros res­pi­ratórios e gas­troin­testi­nais, ou seja, com diar­reia e vômi­to tam­bém”, expli­ca Thi­a­go Gara Cae­tano, coor­de­nador da pedi­a­tria do Hos­pi­tal São Luiz, da Rede D’Or. Ele desta­ca que em setem­bro os casos de ade­n­ovírus começaram a refluir e der­am espaço para o Influen­za.

No Hos­pi­tal Anália Fran­co, tam­bém da Rede D’or, nos últi­mos 6 meses, o ade­n­ovírus pre­domi­nou por 2 meses, com apre­sen­tação res­pi­ratória e/ou gas­troin­testi­nal, sendo comum na faixa etária de 2 a 6 anos em média. Atual­mente, percebe-se o cresci­men­to dos quadros rela­ciona­dos ao Influen­za, com alter­ação da faixa etária, em ger­al aci­ma de 8 anos de idade. “Sem uma grande vir­ulên­cia. A gente não está ven­do grandes com­pli­cações, [sem] pneu­mo­nias asso­ci­adas”, acres­cen­ta.

Os dados da Prefeitu­ra de São Paulo tam­bém mostram a diminuição dos casos de SRAG por ade­n­ovírus. De janeiro a setem­bro, foram reg­istra­dos 32.362 casos de SRAG, dos quais 417 foram cau­sa­dos por ade­n­ovírus, con­fir­ma­dos seja por testes rápi­dos antígenos (TRA) ou diag­nós­ti­co mol­e­c­u­lar (PCR). Nos últi­mos 3 meses, os testes pos­i­tivos para SRAG por ade­n­ovírus foram de 65 em jul­ho, 36 em agos­to e 27 em setem­bro.

Prevenção

O gov­er­no estad­ual reforça a importân­cia da vaci­nação e con­sci­en­ti­za­ção de pais e respon­sáveis sobre a importân­cia da imu­niza­ção de roti­na e não ape­nas em momen­to epidêmi­co ou pandêmi­co. A Sec­re­taria de Saúde lem­bra que até 31 de out­ubro está sendo real­iza­da a Cam­pan­ha de Mul­ti­vaci­nação para atu­al­iza­ção da cader­ne­ta de vaci­nação.

Thi­a­go Gara lem­bra que é difí­cil falar em pre­venção para quadros virais, mas desta­ca que o uso de más­cara pode aju­dar, e lavagem nasal e inalações com soro tam­bém. “Para quadro viral não tem jeito, é aque­le trata­men­to da avó, né? Dormir bem, com­er bem, des­cansar bas­tante, e isso aqui aca­ba fun­cio­nan­do um pouquin­ho”, disse.

O pedi­atra disse que a maior pre­ocu­pação é real­mente com a evolução para os quadros de inter­nação. “Quan­do a gente vê mui­ta secreção, geral­mente vai acon­te­cer uma otite, even­tual­mente cri­anças maiores com sinusite. Você tem esse quadro infec­cioso viral, cai a imu­nidade e a cri­ança fica suscetív­el a pegar out­ros quadros, às vezes algu­mas bac­térias opor­tunistas fazem isso”.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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