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Ciclone: saiba como é o fenômeno que atinge parte do sul do Brasil

Repro­dução: © Prefeitu­ra POA/Divulgação

Três pessoas morreram e 11 estão desaparecidas


Pub­li­ca­do em 16/06/2023 — 21:19 Por Car­oli­na Pimentel e Dou­glas Cor­rea — Repórteres da Agên­cia Brasil — Brasília e Rio de Janeiro

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A pas­sagem de um ciclone extra­t­rop­i­cal provo­cou mortes e estra­gos nos esta­dos do Sul do país, prin­ci­pal­mente no Rio Grande do Sul.  

Segun­do o gov­er­no gaú­cho, três pes­soas mor­reram e 11 estão desa­pare­ci­das. Mais de R$ 1 mil­hão serão repas­sa­dos a cin­co municí­pios gaú­chos atingi­dos pelo mau tem­po.

O ciclone extra­t­rop­i­cal é um sis­tema de baixa pressão atmos­féri­ca que surge fora dos trópi­cos. É asso­ci­a­do às frentes frias e encon­tra­do nas médias e altas lat­i­tudes. No Hem­is­fério Sul, os ciclones giram no sen­ti­do dos pon­teiros dos reló­gios, de acor­do com o Insti­tu­to Nacional de Mete­o­rolo­gia (Inmet) e o Cen­tro de Pre­visão de Tem­po e Estu­dos Climáti­cos (Cptec).

O ciclone que atingiu o sul do país — asso­ci­a­do a uma frente fria — for­mou-se no Oceano Atlân­ti­co no decor­rer da sem­ana. A área de baixa pressão nos médios e altos níveis da atmos­fera poten­cial­i­zou a for­mação do ciclone em ter­ra, trans­portan­do a umi­dade do oceano para o con­ti­nente.

O que provoca?

Quan­do o ciclone se aprox­i­ma do con­ti­nente, aumen­ta a pos­si­b­l­i­dade de danos, com desliza­men­tos e chu­vas e ven­tos fortes. “Isso que traz risco maior, com pre­visão de chu­va exces­si­va, acu­mu­la­dos muito altos e ven­tos fortes”, expli­ca a mete­o­rol­o­gista Estael Sias, em vídeo pub­li­ca­do no canal da Met­Sul, platafor­ma com con­teú­do mete­o­rológi­co.

Para se ter uma ideia, as rajadas de ven­to super­am 80 km/h na Região Sul, con­forme pre­visão do Insti­tu­to Nacional de Mete­o­rolo­gia — Inmet. Os vol­umes de chu­va ultra­pas­sam 100 milímet­ros (mm) em 24 horas. Além dos esta­dos do sul, o fenô­meno atingiu tam­bém áreas do esta­do de São Paulo.

Danos

O ciclone extra­t­rop­i­cal que afe­tou a região sul do país nes­ta quin­ta-feira (15) — acom­pan­hado de uma frente fria — provo­cou a morte de uma pes­soa em São Leopol­do, no Rio Grande do Sul, e vários estra­gos em  out­ras cidades gaúchas, incluin­do Por­to Ale­gre.

De acor­do com o Insti­tu­to Nacional de Mete­o­rolo­gia, grandes vol­umes de chu­va vão atin­gir ain­da neste fim de sem­ana o Rio Grande do Sul, San­ta Cata­ri­na e Paraná. Em São Paulo, o acú­mu­lo de chu­va deve se con­cen­trar, prin­ci­pal­mente, no Vale da Ribeira, com vol­umes supe­ri­ores a 100 milímet­ros (mm) em 24 horas.

O gov­er­nador do Rio Grande do Sul, Eduar­do Leite, anun­ciou hoje o repasse de R$ 1,1 mil­hão para cin­co municí­pios atingi­dos pelo ciclone extra­t­rop­i­cal. Por meio de sua con­ta no Twit­ter, ele expli­cou que os recur­sos são resí­du­os do total des­ti­na­do a uma out­ra emergên­cia climáti­ca que ocor­reu em março no esta­do.

Leite aproveitou para aler­tar sobre a pre­visão de mais chu­vas ao lon­go do dia e asse­gurou que o gov­er­no está mobi­liza­do para aten­der a situ­ação. As cidades mais atingi­das foram Itati, Dom Pedro de Alcân­tara, Maquiné, Moin­hos do Sul e Três Forquil­has, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Capital

O prefeito de Por­to Ale­gre, Sebastião Melo, mobi­li­zou equipes de emergên­cia da prefeitu­ra no atendi­men­to dos prob­le­mas provo­ca­dos pelo tem­po­ral. Em suas redes soci­ais, ele pediu aos moradores da cidade que evitem sair de casa. Des­de quin­ta-feira, o ciclone extra­t­rop­i­cal que pas­sa pelo Rio Grande do Sul trouxe chu­vas fortes e ven­tos inten­sos para Por­to Ale­gre e out­ras cidades. “A quem tiv­er pos­si­bil­i­dade, apelam­os para que evite sair de casa dev­i­do aos transtornos provo­ca­dos pelo ciclone”, apelou.

Ao todo, 146 pon­tos da cap­i­tal foram atingi­dos pelo tem­po­ral e fortes ven­tos que der­rubaram mais de 100 árvores, a maio­r­ia sobre a rede de alta ten­são. A pri­or­i­dade é aten­der casos onde há obstrução de vias, entradas de imóveis e situ­ações de risco.

Muitas ocor­rên­cias pre­cisam ser aten­di­das em con­jun­to com a com­pan­hia de ener­gia elétri­ca para que seja feito o mane­jo de árvores pre­sas à rede elétri­ca. Muitos bair­ros per­manecem sem luz. Hoje, hou­ve 65 ocor­rên­cias com blo­queio total das vias públi­cas oca­sion­adas por que­da de árvores, postes de ilu­mi­nação ou acú­mu­lo de água em razão do tem­po­ral que atingiu Por­to Ale­gre. Dezenas de sinais de trân­si­to tam­bém foram dan­i­fi­ca­dos pelos ven­tos. As zonas sul e norte da cap­i­tal são as regiões mais afe­tadas. A Defe­sa Civ­il pres­ta auxílio às famílias desa­lo­jadas, aten­di­das em giná­sios da prefeitu­ra. Foram entregues agasal­hos e peças de higiene pes­soal aos desabri­ga­dos.

Ao todo, 11 unidades de saúde estão fechadas em con­se­quên­cia do tem­po­ral: Jardim das Palmeiras, Mor­ro dos Sar­gen­tos, Lami, Paulo Viaro, Laran­jeiras, Esper­ança Cordeiro, Vila Eliz­a­beth, Ilha da Pin­ta­da, Ipane­ma, Far­ra­pos e Pon­ta Grossa.

Santa Catarina

O ciclone extra­t­rop­i­cal está próx­i­mo aos litorais de San­ta Cata­ri­na e do Rio Grande do Sul e se deslo­ca em direção ao alto-mar, o que ain­da causa rajadas de ven­tos no sul do esta­do, com direção oeste e rajadas pon­tu­ais entre 50 e 70 km/h. A tendên­cia é que, com o afas­ta­men­to do ciclone, os ven­tos enfraque­çam nas próx­i­mas horas.

Praia Grande

Os bombeiros de San­ta Cata­ri­na, após 18 horas de tra­bal­hos, desmo­bi­lizaram as equipes que estavam atuan­do em Pra­ia Grande. Eles reti­raram famílias das residên­cias atingi­das pelas chu­vas das últi­mas horas. Segun­do a prefeitu­ra, 60 pes­soas ficaram desa­lo­jadas e foram encam­in­hadas para um giná­sio munic­i­pal.

No momen­to, a situ­ação dos rios está nor­mal­iza­da e as famílias retornaram para suas casas. “Nos­sa pri­or­i­dade foi mobi­lizar os bombeiros no res­gate de maior número de víti­mas pos­síveis e encam­in­har para os abri­gos disponi­bi­liza­dos pela prefeitu­ra. Com o empen­ho de todos, con­seguimos aten­der os que pre­cis­aram dos nos­sos serviços”, infor­mou o coman­dante do 4º batal­hão, tenente-coro­nel Hen­rique da Sil­veira.

Ressaca do mar

Até o final da noite de hoje, as equipes de res­gate estão de pron­tidão porque, mes­mo se afa­s­tan­do da cos­ta, o ciclone ain­da pode provo­car mais chu­vas e ven­tos fortes.

São esper­adas rajadas aci­ma de 70 km/h na faixa leste do Rio Grande do Sul e no sul de San­ta Cata­ri­na. Ain­da há a pos­si­bil­i­dade de mais transtornos como que­da de árvores e postes de ener­gia, além do destel­hamen­to de casas no litoral.

O aler­ta de ressaca do mar emi­ti­do pela Mar­in­ha infor­ma que as ondas estão com 3,5 met­ros de altura entre o Rio Grande do Sul e Flo­ri­anópo­lis. Somente na tarde deste sába­do (17) é que o mar deve diminuir de inten­si­dade.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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