...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Marcha da Maconha em São Paulo defende não proibição às drogas

Marcha da Maconha em São Paulo defende não proibição às drogas

Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Caminhada segue do Masp até a Praça da Repúbica, no centro


Pub­li­ca­do em 17/06/2023 — 15:08 Por Flávia Albu­querque — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

ouvir:

“Antiproibi­cionis­mo por uma questão de classe — Reparação por neces­si­dade” é o tema, este ano, da 15ª Mar­cha da Macon­ha, real­iza­da neste sába­do (17) em São Paulo. 

A con­cen­tração começou às 14h20 no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na Aveni­da Paulista, e a cam­in­ha­da será às 16h30. Do Masp, o ato seguirá pela Aveni­da Paulista e descerá a Rua da Con­so­lação para ter­mi­nar na Praça da Repúbli­ca, no cen­tro da cidade. O obje­ti­vo é reafir­mar o posi­ciona­men­to pelo fim da guer­ra às dro­gas e seu com­pro­mis­so com os dire­itos humanos de todas as pes­soas.

A mar­cha pre­vê os já tradi­cionais ban­deirão e “macon­haço”, uma ação visu­al de impacto na saí­da do ato e inter­venções ativis­tas na con­cen­tração. Tam­bém par­tic­i­pam movi­men­tos soci­ais par­ceiros, como os Guarani Mbya, da Ter­ra Indí­ge­na Jaraguá; res­i­dentes, ativis­tas e tra­bal­hadores da redução de danos que atu­am na Cra­colân­dia, no cen­tro de São Paulo; um grupo da Mar­cha das Fave­las, do Rio de Janeiro; o blo­co LGBTQIA+ e o blo­co Fem­i­nista; e o blo­co ter­apêu­ti­co, for­ma­do por pacientes e famil­iares que fazem uso med­i­c­i­nal da cannabis.

Segun­do um dos inte­grantes da Mar­cha da Macon­ha, Luiz Fer­nan­do Pet­ty, o tema pre­tende traz­er o con­ceito do fim da proibição das dro­gas e de todas as decor­rên­cias dis­so, o fim da guer­ra às dro­gas, o dire­ito ao próprio cor­po e o fim das prisões pelo trá­fi­co dessas sub­stân­cias.

São Paulo (SP), 17/06/2023 - 15ª edição da Marcha da Maconha São Paulo na Avenida Paulista - Tema “Antiproibicionismo por uma questão de classe – Reparação por necessidade”. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: São Paulo (SP), 17/06/2023 — 15ª edição da Mar­cha da Macon­ha São Paulo na Aveni­da Paulista — Tema “Antiproibi­cionis­mo por uma questão de classe – Reparação por neces­si­dade”. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil — Paulo Pinto/Agência Brasil

“E é pela reparação em um con­ceito antir­racista, pen­san­do nas pes­soas que sofr­eram no meio dessa guer­ra e em como cor­ri­gir isso, nem que seja incluin­do-os em um futuro mer­ca­do de legal­iza­ção das dro­gas no Brasil. A par­tir do momen­to em que se legal­iza as dro­gas, a gente vai ter todo um proces­so de anis­tia para quem foi pre­so venden­do. E essas pes­soas vão sair da prisão e têm que ser lev­adas em con­sid­er­ação em um pro­je­to de sociedade que as inclua”, afir­mou Pet­ty.

Uma das par­tic­i­pantes é a pres­i­dente da Cul­tive — Asso­ci­ação de Cannabis e Saúde, respon­sáv­el pelo blo­co ter­apêu­ti­co. Cid­in­ha é mãe da Clári­an, por­ta­do­ra da Sín­drome de Dravet, tam­bém con­heci­da como Epilep­sia Mio­clôni­ca Grave da Infân­cia (EMGI), doença pro­gres­si­va, inca­pac­i­tante e que não tem cura. Car­ac­ter­i­za-se por crises epilép­ti­cas que podem durar horas e atra­so do desen­volvi­men­to psi­co­mo­tor e cog­ni­ti­vo. O óleo de cannabis, hoje pro­duzi­do por ela e pelo mari­do, Fábio Car­val­ho, trans­for­mou a vida da fil­ha, que começou a con­sumir o óleo aos 10 anos de idade e hoje tem 20 anos.

Cid­in­ha con­tou que começou a se inter­es­sar pela cannabis ao ver que o óleo esta­va dan­do bons resul­ta­dos no trata­men­to de um caso inter­na­cional igual ao da fil­ha. Nesse momen­to, ini­ciou a luta para con­seguir o pro­du­to e ape­nas em 2016 con­seguiu per­mis­são na Justiça para pro­duzir. A neces­si­dade a fez estu­dar o assun­to e para enten­der o que a cannabis pode­ria faz­er por sua fil­ha.

“A mar­cha foi o primeiro grupo que nos acol­heu para que pudésse­mos nos man­i­fes­tar. Nós somos a primeira família. Nós começamos a par­tic­i­par da Mar­cha da Macon­ha em 2014, lev­a­mos toda a família para par­tic­i­par e para achar várias famílias. A par­tir de lá, real­mente, eu vi que a mar­cha é um man­i­festo, porque ela abraça e acol­he todos os cole­tivos e aca­ba sendo um sím­bo­lo de luta por dire­itos humanos. A par­tir daí, nasceu o blo­co ter­apêu­ti­co com várias mães par­tic­i­pan­do, e hoje a ala está enorme”, disse Cid­in­ha.

Atual­mente, a Cul­tive cumpre a mis­são de rep­re­sen­tar os inter­ess­es e anseios das pes­soas que neces­si­tam da plan­ta cannabis como med­i­c­i­na e de deman­dar pela refor­ma das leis e políti­cas sobre dro­gas. A asso­ci­ação tem como pro­tag­o­nistas os famil­iares e pacientes que neces­si­tam dos medica­men­tos, mas é ampara­da por advo­ga­dos e pesquisadores de diver­sas áreas do con­hec­i­men­to.

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d