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SP: fechamento de turmas dificulta retorno de adultos à educação

Repro­dução: © Divulgação/prefeitura de Pom­bal (PB

Nos últimos 4 anos, mais de 300 turmas foram fechadas


Pub­li­ca­do em 26/06/2023 — 09:42 Por Vanes­sa Casali­no — Repórter da TV Brasil — São Paulo

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Atual­mente, São Paulo tem 1.167 salas de Edu­cação de Jovens e Adul­tos (EJA). A modal­i­dade é fun­da­men­tal para pos­si­bil­i­tar a con­tinuidade dos estu­dos, espe­cial­mente para quem pre­cisou deixar a esco­la. O tema está em debate na Câmara de Vereadores do municí­pio a par­tir de lev­an­ta­men­to, apre­sen­ta­do pelo vereador Car­los Cel­so Gianazzi, que mostra que, nos últi­mos qua­tro anos, mais de 300 tur­mas foram fechadas. Com a redução da ofer­ta de locais, chegar até a esco­la se soma ao desafio de seguir com a for­mação edu­ca­cional.

Numa roti­na cor­ri­da, Duc­enizia San­tana dos San­tos prepara-se para mais um dia de aula no ensi­no médio. São raros os dias em que ela con­segue pas­sar em casa, depois do tra­bal­ho, para ver as fil­has antes de seguir para a esco­la, onde fica até as 23h. Tra­bal­hado­ra domés­ti­ca, aos 33 anos ela decid­iu voltar a estu­dar depois de 14 anos dis­tante da sala de aula.

“Eu me levan­to às 6h da man­hã porque as min­has fil­has entram às 7h na esco­la. Eu levan­to, faço o café, faço lanche pra elas. ‘Vamos, vamos que estão atrasadas!’. Aí, depois, faço uma coisa, out­ra coisa, quan­do pen­so que não, já acabou o tem­po e eu ten­ho que cor­rer para o serviço. Não é sem­pre que ven­ho em casa, porque no decor­rer do dia sem­pre tem algu­ma coisa a mais pra gente faz­er. Então deci­do ir pra esco­la dire­to”, con­ta.

Depois de um dia inteiro de tra­bal­ho, os desafios para Duc­enizia con­tin­u­am, antes mes­mo de chegar à sala de aula. Da casa dela até a esco­la são 30 min­u­tos de cam­in­ha­da. Per­cur­so que ain­da pre­cisa faz­er a pé, mes­mo moran­do na maior cidade do país. Isso porque a ofer­ta de ônibus é lim­i­ta­da. Se esper­ar, ela chega atrasa­da. São mais de 2 quilômet­ros cam­in­han­do, mes­mo com esco­las do lado de casa.

“Com todo esse mate­r­i­al [da audiên­cia], a gente vai encam­in­har depois as ações, os encam­in­hamen­tos irão para o Tri­bunal de Con­tas do Municí­pio, para o Min­istério Públi­co, pra gente ter uma ação conc­re­ta e evi­tar esse desmonte da EJA na cidade de São Paulo”, declar­ou.

A audiên­cia foi real­iza­da em con­jun­to com a Câmara Fed­er­al em Brasília. “É com uma políti­ca de bol­sa EJA que a gente vai dar garan­tias para que aque­le estu­dante que está na vul­ner­a­bil­i­dade ten­ha condições efe­ti­vas de retornar ao estu­do, à edu­cação, à esco­la”, desta­cou a dep­uta­da fed­er­al Luciene Cav­al­cante.

André Sapanos, pro­fes­sor do EJA e espe­cial­ista em dire­itos humanos, expli­ca que ess­es prob­le­mas prej­u­dicam o apren­diza­do na sala de aula. “Os esta­dos, em todo o ter­ritório nacional, têm feito polos de EJA. E ess­es pólos nor­mal­mente ficam dis­tantes das casas dos estu­dantes. Então, quan­do a esco­la fica dis­tante, ou do local de tra­bal­ho, ou da sua residên­cia, com­pli­ca um pouco o aces­so à esco­la”, avaliou.

A Sec­re­taria Munic­i­pal de Edu­cação disse, em nota, que a deman­da por EJA caiu depois da pan­demia e, por isso, as tur­mas foram trans­feri­das para out­ras esco­las. O órgão disse ain­da que atende a toda a deman­da de matrícu­las para essa modal­i­dade de ensi­no.

Ain­da de acor­do com a prefeitu­ra, “com a obri­ga­to­riedade de estu­dos a par­tir dos 4 anos de idade, espera-se a diminuição de matrícu­las e tur­mas de adul­tos para a modal­i­dade de EJA, uma vez que os estu­dantes se for­mam na idade recomen­da­da”.

Assista à reportagem da TV Brasil.

Edição: Graça Adju­to

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