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SP: festival discute interação entre inteligências artificial e humana

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Evento começa nesta quarta-feira no Centro Cultural Fiesp


Pub­li­ca­do em 05/07/2023 — 08:32 Por Elaine Patrí­cia Cruz — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Sem­pre arra­s­tan­do mul­ti­dões, o fes­ti­val de arte eletrôni­ca mais con­heci­do de São Paulo invade nova­mente o Cen­tro Cul­tur­al Fiesp, na Aveni­da Paulista. A par­tir des­ta quar­ta-feira (5), o Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca (File), que é real­iza­do des­de 2000, pro­move o que há de mais novo em poe­sias e estéti­ca da arte eletrôni­ca no mun­do, apre­sen­tan­do obras artís­ti­cas — muitas delas inter­a­ti­vas — e que dis­cutem o mun­do real e tec­nológi­co.

Para este ano, a curado­ria escol­heu dis­cu­tir a inter­ação entre as inteligên­cias arti­fi­cial e humana. Chama­do de Sin­gu­lar­i­dades Inter­a­ti­vas, o tema é uma refer­ên­cia à hipótese de que a inter­ação entre as inteligên­cias arti­fi­cial e humana levaria ao desen­volvi­men­to de uma con­sciên­cia sim­u­la­da em que o “eu arti­fi­cial” dialog­a­ria com o “eu nat­ur­al”.

“Hoje percebe­mos que muitas pes­soas temem que a inteligên­cia arti­fi­cial tome con­ta do mun­do. Mas, na ver­dade, o que a inteligên­cia arti­fi­cial pre­cisa é de tra­bal­har jun­to com o ser humano. E quan­do essas duas forças cog­ni­ti­vas tra­bal­ham jun­tas, o poder de evolução e de pro­dução aumen­ta muito. Então, aqui na exposição, temos algu­mas obras que já fazem uso de inteligên­cia arti­fi­cial. O artista cria esse sis­tema na máquina, mas é a inter­ação do espec­ta­dor que vai dar o con­teú­do para essa obra”, disse Paula Perissinot­to, cofun­dado­ra, curado­ra e orga­ni­zado­ra do File, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

“A inteligên­cia arti­fi­cial tem maior capaci­dade de proces­sa­men­to de dados e de orga­ni­zar infor­mações de um modo muito mais amp­lo que os humanos. Mas, por out­ro lado, ela não é rega­da de emoção, de cria­tivi­dade e de sen­si­bil­i­dade. Então, quan­do se conec­tam essas duas coisas é que acon­tece a potên­cia dessa relação”, afir­mou Paula.

A File São Paulo 2023 apre­sen­ta obras pro­duzi­das por artis­tas de 39 país­es. Entre elas, a que abre a exposição e foi insta­l­a­da do lado de fora do Cen­tro Cul­tur­al, em ple­na Aveni­da Paulista: uma imen­sa cachoeira, com luzes de led. Chama­da de Light Falls, a obra é do brasileiro Vigas. Com cin­co met­ros de altura, o tra­bal­ho propõe uma reflexão sobre a importân­cia da água e da preser­vação da natureza.

“Geral­mente, em meu tra­bal­ho, abor­do questões rela­cionadas à natureza”, disse o artista. “Esta é uma insta­lação de grande porte, em for­ma­to de cachoeira, fei­ta com leds dig­i­tais e tubos translú­ci­dos. Ela evo­ca uma hom­e­nagem a um dos maiores bens da natureza, que é a água. Eu tra­go para a cidade a água em um dos seus for­matos mais poderosos, a cachoeira. Em princí­pio ela atrai pela beleza, mas seu con­ceito pre­tende chamar a atenção para man­ter­mos esse bem tão pre­cioso e como ele está sendo trata­do por nós”.

Obras

Nes­ta edição, o fes­ti­val será real­iza­do no sub­so­lo do Cen­tro Cul­tur­al Fiesp e está um pouco menor do que nos anos ante­ri­ores, mas trazen­do obras que vão impres­sion­ar o públi­co, como a Empreintes Sonores, da dupla canadense Vic­tor Drouin-Trempe (V.ICTOR) e Jean-Philippe Côté (Djip.Co). Nes­sa obra, o públi­co poderá inter­a­gir de duas for­mas: falan­do algu­ma coisa próx­i­mo de um micro­fone para que uma assis­tente dig­i­tal capte, grave os sons que foram emi­ti­dos e mate­ri­al­ize-os visual­mente; ou então se movi­men­tan­do em frente à obra.

“Basi­ca­mente, com essa insta­lação, ten­ta­mos revert­er a nos­sa relação usu­al com o som. Geral­mente, o som vem em nos­sa direção. Ele se movi­men­ta no ar [dire­to] e chega em nos­sos ouvi­dos enquan­to esta­mos para­dos. Nesse caso [da obra], o som está con­ge­la­do no ar e pre­cisamos nos mover para explorá-lo”, expli­cou Jean-Philippe Côté à Agên­cia Brasil.

FILE SÃO PAULO 2023 – Singularidades Interativas, Imagem do cartaz do FILE Festival Internacional de Linguagem Eletrônica. Foto: Divulgação
Repro­dução: FILE SÃO PAULO 2023 – Sin­gu­lar­i­dades Inter­a­ti­vas, Imagem do car­taz do FILE Fes­ti­val Inter­na­cional de Lin­guagem Eletrôni­ca. Foto: Divul­gação — Divul­gação

Segun­do Vic­tor Drouin-Trempe, esta é a primeira vez que eles tra­bal­ham em colab­o­ração. Tam­bém é a primeira vez que par­tic­i­pam desse fes­ti­val no Brasil. “Esta é a nos­sa primeira vez no File, mas já mostramos essa obra em difer­entes fes­ti­vais e vimos como as pes­soas inter­agem com ela. É muito diver­tido ver essa inter­ação e as difer­entes inter­pre­tações que as pes­soas dão a esse equipa­men­to que ide­al­izamos”, com­ple­tou.

Out­ra obra que deve chamar a atenção do públi­co é a insta­lação inter­a­ti­va Expand­ed Iris, da brasileira Anaisa Fran­co, que con­vi­da o públi­co a olhar por um dis­pos­i­ti­vo que a artista chama de iriscó­pio espa­cial. O instru­men­to escaneia a íris da pes­soa e pro­je­ta a sua imagem mis­tu­ra­da a galáx­i­as e neb­u­losas. “Essa é uma obra em que a artista propõe a cap­tura da íris e, a par­tir dessa imagem, cria uma relação de fusão com ima­gens de galáx­i­as, que sim­u­lam a íris. Essa fusão imagéti­ca cria uma relação con­tem­pla­ti­va”, expli­cou a curado­ra.

Já na obra Cap­tured, da fin­lan­desa Han­na Haaslahti, o ros­to do vis­i­tante é cap­tura­do para cri­ar um avatar dig­i­tal. Esse vis­i­tante então pas­sará a faz­er parte de um cenário cole­ti­vo no mun­do vir­tu­al. “São inter­ações que não exigem do espec­ta­dor manip­u­lar ou mex­er. Bas­ta entrar em frente a uma câmera para seu ros­to ser cap­ta­do e você poderá faz­er parte de um sis­tema, onde um grupo de pes­soas começa a se rela­cionar. E todas essas questões iner­entes à relação humana surgem nesse meio vir­tu­al”, disse Paula.

Além das obras den­tro do Cen­tro Cul­tur­al, o fes­ti­val deste ano pro­move uma série de ima­gens de real­i­dade aumen­ta­da, que são acionadas por meio de QRCode, den­tro da estação de metrô Tri­anon-Masp.

File Led Show

Do lado de fora, o edifí­cio do Cen­tro Cul­tur­al Fiesp servirá de pal­co de exibições, com pro­jeções de led que vão acon­te­cer diari­a­mente, enquan­to durar o fes­ti­val. Essa inter­venção no pré­dio da Fiesp poderá ser vista por qual­quer pes­soa que cir­cu­lar pela Aveni­da Paulista à noite. Parte dess­es tra­bal­hos faz parte da série Cotid­i­anos Imper­cep­tíveis, resul­ta­do de uma parce­ria do fes­ti­val com o cur­so de Artes Visuais, do Depar­ta­men­to de Artes Plás­ti­cas da Esco­la de Comu­ni­cações e Artes (ECA-USP), da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

Workshops

Com a pro­pos­ta de difundir a tec­nolo­gia como lin­guagem cria­ti­va e o proces­so de desen­volvi­men­to artís­ti­co, haverá tam­bém ofic­i­nas no mezani­no do Cen­tro Cul­tur­al Fiesp de hoje até sex­ta-feira (7). As ativi­dades são gra­tu­itas e, para par­tic­i­par, é necessário se inscr­ev­er  no site do even­to.

O fes­ti­val de arte eletrôni­ca tem entra­da gra­tui­ta e fica em car­taz até o dia 27 de agos­to. Mais infor­mações sobre o File podem ser obti­das aqui.

Edição: Graça Adju­to

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