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Carnaval e indicação ao Oscar movimentam vendas na 25 de Março

Vendas de réplicas da estatueta aumentaram cerca de 200%

Elaine Patrí­cia Cruz — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 19/02/2025 — 09:10
São Paulo
São Paulo (SP), 18/02/2025 - Por causa da indicação do filme
Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Não é de hoje que as lojas de enfeites e de fan­tasias do maior cen­tro de comér­cio pop­u­lar do país ven­dem répli­cas da estat­ue­ta do Oscar. Mas, com a aprox­i­mação do Car­naval, as ven­das dessas répli­cas cresce­r­am ain­da mais nas lojas que ficam ao redor da Rua 25 de Março, na cap­i­tal paulista. A expli­cação para isso são as três indi­cações ao Oscar do filme Ain­da Estou Aqui, de Wal­ter Salles.

“O Oscar está um top. Tra­bal­hamos com isso há muitos anos para vender para empre­sas, por exem­p­lo. Mas, neste ano, esta­mos arreben­tan­do de vender por causa da [atriz] Fer­nan­da Tor­res. Tem até um blo­co de rua em hom­e­nagem a ela [chama­do de A Vida Pres­ta]”, disse Pierre Sfeir, pro­pri­etário da loja Fes­tas e Fan­tasias.

Segun­do ele, as ven­das dessas estat­ue­tas cresce­r­am em torno de 200% neste iní­cio de ano. “Não se ven­dia tan­to quan­to ago­ra. O pes­soal com­pra para torcer [pelo Oscar] e para brin­car o Car­naval”, ressaltou. “Eu tam­bém vou torcer [pelo Oscar], mas sen­tad­in­ho em casa porque não ten­ho per­na para pular”, brin­cou.

Na sua loja, a répli­ca da estat­ue­ta está sendo ven­di­da por R$ 24. “Esse é um preço bom e hon­esto para todo mun­do poder com­prar”, afir­mou.

Um dos que adquiri­ram uma répli­ca para pular o Car­naval foi o bancário Pedro Fre­di­ano, 26 anos. “Eu e um ami­go vamos faz­er uma fan­ta­sia em dupla, imi­tan­do a Fáti­ma e a Sueli [per­son­agens da série Entre Tapas & Bei­jos, que eram inter­pre­ta­dos por Fer­nan­da Tor­res e Andrea Bel­trão]. Vim à 25 de Março para ter­mi­nar de com­prar as fan­tasias de Car­naval. E uma, especi­fi­ca­mente, era do Oscar, e só me fal­ta­va a estat­ue­ta”, disse ele à reportagem. “Pen­samos em sair de Fáti­ma e Sueli no domin­go de Car­naval, que é o dia em que vai ter a pre­mi­ação do Oscar. Car­naval é bagunça, é fes­ta. E ficamos bem ani­ma­dos com a ideia [dessa fan­ta­sia]”.

Pedro ain­da não sabe se vai con­seguir acom­pan­har a cer­imô­nia de pre­mi­ação do Oscar, no dia 2 de março, em pleno Car­naval. O filme Ain­da Estou Aqui, no qual Fer­nan­da Tor­res inter­pre­ta a advo­ga­da e ativista brasileira Eunice Pai­va, con­corre nas cat­e­go­rias de mel­hor filme, mel­hor atriz e mel­hor filme estrangeiro.

“Acho que na hora [do Oscar] vou estar um pouco balea­do por causa do sába­do e domin­go de Car­naval. Mas vou ficar por den­tro, olhan­do pelo celu­lar. Estarei no Rio de Janeiro e há uma fes­ta prometi­da por lá [em caso de o Brasil con­quis­tar algu­ma pre­mi­ação]”, acres­cen­tou.

Crescimento das vendas

O Car­naval é uma das prin­ci­pais datas comem­o­ra­ti­vas para ala­van­car as ven­das na 25 de Março. Este é o caso prin­ci­pal­mente da loja de Pierre Sfeir, que com­er­cial­iza adereços e fan­tasias. “Car­naval é sem­pre o top. Mel­hor época do ano para a gente é o Car­naval. E esse ano está muito bom, muito aque­ci­do, graças a Deus. O Car­naval neste ano é no final de fevereiro e começo de março, o que dá mais fôlego para o pes­soal gas­tar”.

Sua expec­ta­ti­va é de que, neste ano, as ven­das car­navalescas impul­sionem um cresci­men­to entre 16% e 20% em relação ao ano pas­sa­do. “Tomara que passe ain­da mais porque daí ter­e­mos uma boa reser­va para aguen­tar o resto do ano”.

Em out­ra loja da Ladeira Por­to Ger­al, a ger­ente Vil­ma dos San­tos de Queiroz, 63 anos, disse que as ven­das por lá tam­bém estão boas. “A gente espera para as próx­i­mas sem­anas aumen­tar ain­da mais”.

Nes­sa loja, afir­mou a ger­ente, eles tam­bém estão com­er­cial­izan­do as répli­cas das estat­ue­tas do Oscar. “Tem mui­ta gente procu­ran­do a más­cara [com o ros­to da Fer­nan­da Tor­res], mas essa não temos no momen­to”, afir­mou.

Na tarde dessa terça-feira (18), a dire­to­ra admin­is­tra­ti­va de esco­la, Jacque­line Pereira, 33 anos, esta­va na loja com­pran­do adereços para o Car­naval. “Estou com­pran­do dec­o­ração para o Car­naval da esco­la. E esta­mos ten­tan­do gas­tar pouco”, disse ela, rindo. “Esta­mos com­pran­do bam­bolês, colares hava­ianos e coisas assim. Alguns preços estão bem sal­ga­dos, mas dá para garim­par bem”.

Nádia Cristi­na dos San­tos San­tana, 46 anos, que tra­bal­ha no setor finan­ceiro de uma esco­la, acom­pan­hou Jacque­line nas com­pras na 25 de Março. “Car­naval é uma fes­ta pop­u­lar que está na raiz da família. Então a gente gos­ta. Gos­to mais de assi­s­tir, mas me inter­es­so pelos blo­quin­hos. E aí uso uma tiar­in­ha, um colar hava­iano [para a fan­ta­sia], nada muito elab­o­ra­do. Neste ano ain­da não com­prei nada, mas estou pesquisan­do”, disse ela.

Camelôs

Se nas lojas os com­er­ciantes estão cel­e­bran­do ven­das mel­hores do que no ano pas­sa­do, entre os camelôs da 25 de Março o resul­ta­do tem sido bem difer­ente. Des­de o Natal eles vêm recla­man­do que as ven­das dimin­uíram muito e que nem mes­mo ess­es grandes perío­dos de fes­tas têm aju­da­do a ala­van­car as ven­das.

Na tarde de ontem, a reportagem con­ver­sou com alguns dess­es vende­dores ambu­lantes que tra­bal­ham na região. Um deles, que não quis se iden­ti­ficar, tem uma bar­ra­ca de ven­da de fan­tasias para cri­anças e acessórios para cachor­ros há quase sete anos na 25 de Março.

“As ven­das estão fra­cas, des­de o ano pas­sa­do, caíram muito. Em dezem­bro mes­mo, a expec­ta­ti­va era out­ra, mas não foi boa. Acred­i­to que é cul­pa do gov­er­no e das ven­das na inter­net. O pes­soal tem preferi­do com­prar mais pela inter­net do que vir para a rua”, disse.

Out­ra vende­do­ra, que está há um ano e meio com uma bar­raquin­ha na 25 de Março, tam­bém reclam­ou das ven­das neste ano. Ela, que tam­bém vende fan­tasias, disse que “o Car­naval deste ano está hor­rív­el”.

“Não está venden­do muito. Acho que é cul­pa da inflação. No ano pas­sa­do esta­va mel­hor. O que ven­do mais é fan­ta­sia para adul­to, que está na faixa de R$ 40 ou R$ 60. Mas, mes­mo assim, está difí­cil. Espero que mel­hore nos próx­i­mos dias porque ten­ho con­tas para pagar e não está entran­do din­heiro. Não sei se as ven­das online tam­bém estão prej­u­di­can­do. Vai jun­tan­do tudo: inflação e ven­das online. Está bem difí­cil para sobre­viv­er. Aqui na 25 [de Março] já não tem tan­ta gente como tin­ha antes”, reclam­ou.

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