...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Cultura / Em meio ao luto, Mocidade leva reflexão sobre o futuro para a Sapucaí

Em meio ao luto, Mocidade leva reflexão sobre o futuro para a Sapucaí

Enredo foi idealizado por Renato e Márcia Lage, que morreu em janeiro

Fran­ciel­ly Bar­bosa*
Pub­li­ca­do em 19/02/2025 — 08:28
Rio de Janeiro
Ver­são em áudio
Rio de Janeiro. 13/02/2024. Carnaval 2024 Sambódromo da Marquês de Sapucaí, desfile da Mocidade independente de Padre Miguel. Foto: Marco Terranova | Riotur
Repro­dução: © Mar­co Terranova/Riotur

A Moci­dade Inde­pen­dente de Padre Miguel, esco­la de sam­ba da zona oeste do Rio, traz uma reflexão sobre o futuro da humanidade para o car­naval deste ano. Com o enre­do Voltan­do para o Futuro – Não Há Lim­ites pra Son­har, a agremi­ação será uma das pou­cas a abor­dar temas sem relação com a negri­tude ou a africanidade durante os três dias de des­file no Sam­bó­dro­mo da Mar­quês de Sapu­caí nos des­files do próx­i­mo mês.

“Nos­so enre­do para o car­naval de 2025 é uma grande reflexão sobre o futuro tão son­hado. É uma reflexão que pre­cisamos faz­er, no sen­ti­do de que son­hamos e alme­jamos tan­to algu­mas situ­ações tec­nológ­i­cas e esse futuro chegou. O que podemos faz­er ago­ra para o futuro da humanidade?”, expli­ca o dire­tor de Car­naval, Mau­ro Amor­im, que retor­na à Moci­dade após dez anos.

Amor­im ques­tiona: “nos­sas relações inter­pes­soais vão bem? Nos­sa relação humana vai bem? Não entramos no méri­to da con­tes­tação, mas mostramos uma grande reflexão sobre o mun­do em que vive­mos hoje e o mun­do que quer­e­mos para o futuro, prin­ci­pal­mente.”

Legado

Brasília (DF) 19/01/2025 - Carnavalesca da Mocidade Independente, Márcia Lage. Foto: Mocidade Independente de Padre Miguel/Instagram
Repro­dução: A car­navalesca da Moci­dade, Már­cia Lage, que mor­reu em 19 de janeiro deste ano  —  Foto:  Moci­dade  Inde­pen­dente  de  Padre  Miguel/Instagram

Todo o tra­bal­ho de pesquisa e con­strução do enre­do foi desen­volvi­do pelo casal de car­navale­scos da Moci­dade, Rena­to e Már­cia Lage. Com lon­ga história no sam­ba, a dupla tem pas­sagem por diver­sas out­ras esco­las, como a Acadêmi­cos do Salgueiro e a Império Ser­ra­no. “Lá atrás, tive­mos muitas reuniões em que eles fiz­er­am várias explanações sobre o enre­do, e a esco­la abraçou a ideia des­de o primeiro momen­to, saben­do da importân­cia e do val­or que essa dis­cussão tem para os dias atu­ais”, lem­bra Amor­im.

No dia 19 de janeiro, porém, Már­cia Lage mor­reu, aos 64 anos. A car­navalesca sofria de leucemia, um tipo de câncer que afe­ta as célu­las san­guíneas. Segun­do Mau­ro Amor­im, foi uma per­da irreparáv­el” para a esco­la. “Ela [Már­cia] tem tra­bal­hos muito rel­e­vantes den­tro da nos­sa agremi­ação, mas a mel­hor for­ma de hom­e­nageá-la é tra­bal­han­do, é todo mun­do se unin­do e entre­gan­do um des­file à altura dela, à altura do Rena­to e à altura de cada torce­dor da Moci­dade Inde­pen­dente de Padre Miguel.”

“O car­naval é feito de super­ação, de mostrar que podemos mais nas horas difí­ceis. Ago­ra, é tirar forças de onde não tem, apoiar muito o Rena­to e faz­er por ela e tam­bém pela comu­nidade”, acres­cen­ta o intér­prete da agremi­ação, José Paulo Fer­reira Sier­ra, mais con­heci­do como Zé Paulo Sier­ra.

“A esco­la super­ar é muito difí­cil, porque é uma morte, é uma per­da, mas, den­tro do pos­sív­el e do que podemos faz­er, a Moci­dade está muito prepara­da para faz­er um grande car­naval para ela”, diz o intér­prete. Um dia antes da car­navalesca, mor­reram o intér­prete Luiz­in­ho Andanças — Luís Fer­nan­do Guaglianone dos San­tos — e o com­pos­i­tor Zé Glória — José Glória da Sil­va Fil­ho —, ambos no dia 18 de janeiro.

Samba

Mes­mo com as per­das recentes, Zé Paulo garante que a esco­la está preparan­do um grande des­file para o car­naval deste ano. A Moci­dade será uma das últi­mas esco­las a entrar na aveni­da, abrindo a noite do ter­ceiro dia de apre­sen­tações das agremi­ações do Rio de Janeiro, que se encer­ra com a Portela, maior campeã do car­naval car­i­o­ca.

“O enre­do tem o DNA da Moci­dade, de ser uma esco­la futur­ista, de van­guar­da, pio­neira. E tem o DNA do Rena­to e da Már­cia, que são car­navale­scos que prezam por esse tipo de enre­do”, ressalta o com­pos­i­tor, em seu segun­do ano como intér­prete da esco­la verde e bran­co. Zé Paulo relem­bra o des­file do ano pas­sa­do em que a esco­la cele­brou o caju com o enre­do Pede caju que dou… Pé de caju que dá!. Ape­sar da pop­u­lar­i­dade do sam­ba, a Moci­dade encer­rou a com­petição na 10ª posição no últi­mo car­naval.

“Este ano, opta­mos por uma coisa mais ten­sa, com con­teú­do de aler­ta, de men­sagem, e aca­ba sendo um para­le­lo difer­ente porque saí­mos de um sam­ba muito pop­u­lar, viral­izan­do no Brasil todo, e entramos em um sam­ba que fala mais para den­tro da comu­nidade”, desta­ca. Difer­ente­mente do car­naval ante­ri­or, que tin­ha um sam­ba que a pes­soa ouvia “e já saía dançan­do, pulan­do, sem se impor­tar com o que esta­va sendo can­ta­do”, este ano, a esco­la pre­tende pas­sar uma ideia de avi­so e de neces­si­dade de preser­vação com a com­posição musi­cal.

Zé Paulo enfa­ti­za que a men­sagem do sam­ba é muito dire­ta. “É de con­tar um pouco a história de onde viemos e do quan­to a tec­nolo­gia pode ser impor­tante, mas tam­bém do quan­to pode prej­u­dicar. Acho que é um sam­ba com uma grande men­sagem. A esco­la enten­deu bem isso e con­segue trans­portar isso em for­ma de can­to para quem estar assistin­do”, diz o intér­prete.

*Estag­iária sob super­visão de Viní­cius Lis­boa

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d