...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Cultura / Feira das Yabás celebra Dia do Trabalhador no centro do Rio

Feira das Yabás celebra Dia do Trabalhador no centro do Rio

Programação une samba, ancestralidade e gastronomia

Cristi­na Índio do Brasil — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 01/05/2025 — 09:20
Rio de Janeiro
A Feira das Yabás, patrimônio cultural imaterial do Rio, volta a acontecer após negociação com Prefeitura, nas ruas de Oswaldo Cruz, zona norte, em comemoração de 10 anos, com comidas tipicamente afro-brasileiras.
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Nada mel­hor do que comem­o­rar o Dia do Tra­bal­hador em um encon­tro com muito sam­ba e comi­da saborosa como fran­go com quiabo, fei­joa­da, raba­da, tri­pa lombeira, angu à baiana e macar­rona­da com carne assa­da. Neste 1º de maio, a Praça da Pira, em frente ao Cen­tro Cul­tur­al Ban­co do Brasil (CCBB), no cen­tro do Rio, vai rece­ber a Feira das Yabás. Já são nove edições no local, mas essa é a primeira que vai ocor­rer no Dia do Tra­bal­hador.

Cri­a­da em 2008, pelo can­tor e com­pos­i­tor Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz, para val­orizar as matri­ar­cas chamadas tias e con­sid­er­adas as Yabás, a Feira cel­e­bra a cul­tura afro-brasileira e as tradições dos bair­ros viz­in­hos Oswal­do Cruz e Madureira, na zona norte do Rio. A região é berço de esco­las de sam­ba como a Portela, cuja quadra sedia as edições da feira no segun­do domin­go de cada mês.

“A feira é uma espé­cie de sín­tese do que eram os quin­tais. Nem restau­rantes ven­dem o que elas fazem. A gente não leva o fast food para lá, não é nada dis­so. A gente leva sen­ho­ras, donas de casa, que fazem essa cul­tura do quin­tal sub­ur­bano onde tin­ha o sam­ba. Elas lev­am essa cul­tura para lá do jeito que fazem em Madureira e em suas casas, da for­ma que era feito, e eu subo no pal­co para faz­er uma roda de sam­ba bem de quin­tal”, disse o com­pos­i­tor em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Para Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz, faz­er a Feira das Yabás na área da Praça da Pira é uma for­ma de recu­per­ar ter­ritório que foi de seus ances­trais. “Aque­la região ali era onde a pop­u­lação afrode­scen­dente mora­va até o iní­cio do sécu­lo pas­sa­do, e essa pop­u­lação foi expul­sa dessa região. E ess­es excluí­dos foram morar na Grande Madureira, onde acon­tece a feira das Yabás. Faz­er a feira naque­la região [Praça da Pira] é uma espé­cie de reocu­pação de um ter­ritório sagra­do através da cul­tura dos removi­dos. Para a gente, é de uma importân­cia imen­sa. Tem uma questão de ter­ritório e de ances­tral­i­dade que é muito forte em faz­er ali tam­bém”.

“O que me faz bem feliz é ver meu povo lá de cima (Oswal­do Cruz e Madureira) descer para vir para cen­tro da cidade. Muitos deles ficam ali a vida inteira e não saem de lá. Mui­ta gente não con­hecia o CCBB e pas­sou a con­hecer. Em tro­ca, quan­tas pes­soas foram para Madureira ver a feira das Yabás porque foram ao CCBB? Essa tro­ca é muito legal. É o dia em que a cidade se encon­tral”, obser­vou.

O sam­bista anal­isou o que man­tém viva a Feira das Yabás, per­to de com­ple­tar 17 anos neste mês de maio. “Não é só faz­er um even­to. É faz­er algo em bene­fí­cio, em luta dessa cul­tura tradi­cional. A gente não sim­ples­mente recebe din­heiro para um even­to e larga de mão. A gente tem toda uma luta de manutenção de uma tradição. Depois da Feira das Yabás, quan­tas feiras de gas­trono­mia e músi­ca apare­ce­r­am? A feira das Yabás deu o pon­tapé ini­cial”, comen­tou.

Quan­do começou na quadra da Portelin­ha, os pratos prepara­dos pelas tias eram a fei­joa­da da Nei­de e macar­rona­da fei­ta pela Tia Edite. A par­tir daí Mar­quin­hos con­seguiu um patrocínio, e a Feira das Yabás con­quis­tou as ruas próx­i­mas à quadra da Portela, já entre­gan­do para o públi­co out­ros pratos da tradi­cional comi­da da região. “Foi assim que nasceu a Feira das Yabás”, pon­tu­ou, acres­cen­tan­do que hou­ve a adesão de out­ras tias, como a Sel­ma, fil­ha do mestre Can­deia, que fazia a comi­da preferi­da do pai, carne seca com abób­o­ra.

“Tem a Jane, que é famosa venden­do jiló. O Luiz Car­los da Vila tin­ha mor­ri­do, e ela é viú­va e não tin­ha como sobre­viv­er. Eu disse para ela mon­tar uma bar­ra­ca, e isso é bem do sam­ba. É coração de mãe, sem­pre cabe mais um. Na maio­r­ia, são de famil­iares que tin­ham importân­cia muito grande naque­la região”, con­tou sor­rindo.

A Feira das Yabás, patrimônio cultural imaterial do Rio, volta a acontecer após negociação com Prefeitura, nas ruas de Oswaldo Cruz, zona norte, em comemoração de 10 anos, com comidas tipicamente afro-brasileiras.
Repro­dução: A Feira das Yabás, patrimônio cul­tur­al ima­te­r­i­al do Rio nas ruas de Oswal­do Cruz, zona norte Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Samba do Trabalhador

O públi­co vai poder se diver­tir com uma pro­gra­mação exten­sa. Além das bar­ra­cas com as comi­das feitas pelas tias, Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz vai apre­sen­tar a sua tradi­cional roda de sam­ba. A agen­da tem ain­da, às 14h, a Roda de Con­ver­sa com o tema: Mer­ca­do de Tra­bal­ho na Econo­mia Cria­ti­va, coman­da­da pelo car­navale­sco, pro­fes­sor e apre­sen­ta­dor Mil­ton Cun­ha.

E, se as ativi­dades são para hom­e­nagear o per­son­agem do dia, a par­tir das 18h50, a últi­ma atração será com um con­vi­da­do espe­cial: o can­tor e com­pos­i­tor Moa­cyr Luz e o seu Sam­ba do Tra­bal­hador, con­heci­da roda de sam­ba que ocorre nas segun­das-feiras no Clube Renascença, no Andaraí, zona norte do Rio. Cri­a­da por Moa­cyr Luz, a reunião ocorre neste dia porque é o úni­co da sem­ana em que os músi­cos não tra­bal­havam, e, assim, podi­am se diver­tir jun­tos.

“Nada mel­hor que, no Dia do Tra­bal­hador, ter um Sam­ba do Tra­bal­hador. Moa­cyr é um guer­reiro nes­ta história tam­bém, jun­to às nos­sas trincheiras na luta pelo sam­ba. Moa­cyr é ami­go, par­ceiro”, con­cluiu.

Mar­quin­hos rev­el­ou que a Feira das Yabás em Madureira infe­liz­mente não poderá ser no Dia das Mães. Então, a edição de maio vai ocor­rer no dia 18, quan­do será comem­o­ra­do o aniver­sário de 17 anos.

Programação da Feira das Yabás

  • 13h — DJ Café
  • 14h — Roda de Con­ver­sa com Mil­ton Cun­ha
  • 14h50 — Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz e ban­da
  • 16h DJ — Café
  • 16h20 — Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz e ban­da
  • 17h30 — DJ Café
  • 17h50 — Mar­quin­hos de Oswal­do Cruz e ban­da
  • 18h30 — DJ Café
  • 18h50 — Moa­cyr Luz e Sam­ba do Tra­bal­hador
  • 20h — Encer­ra­men­to
LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d