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Últimos corpos de pessoas assassinadas em operação no Rio deixam o IML

Famílias em luto denunciam execuções ilegais

Isabela Vieira — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 01/11/2025 — 14:28
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 31/10/2025 – Raquel Rios aolado do caixão de seu filho, Ravel Rios durante sepultamento de uma das vitimas da operação contenção, no cemitério de cemitério de Inhaúma. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

As últi­mas famílias das pes­soas assas­si­nadas na Oper­ação Con­tenção, do gov­er­no do Esta­do do Rio de Janeiro, no iní­cio des­ta sem­ana, nos com­plex­os da Pen­ha e do Alemão, na zona norte, começam a deixar o Insti­tu­to Médi­co Legal (IML), no cen­tro da cidade do Rio de Janeiro. Até ontem (31), a Polí­cia Civ­il infor­mou que fal­tavam ser  iden­ti­fi­ca­dos ape­nas 8 cor­pos.

Os famil­iares relatam alívio pelo fim da pere­gri­nação atrás de fil­hos, pri­mos e netos, mas tam­bém indig­nação com a tragé­dia.

Grávi­da de poucos meses, Karine Beat­riz de 26 anos, esteve no IML para recon­hecer o cor­po do esposo, Wag­n­er Nunes San­tana, pai de seu bebê, após três dias de bus­ca na mata. Na sex­ta, ela con­tou que ele foi reti­ra­do de den­tro de um lago na Ser­ra da Mis­er­icór­dia, na Pen­ha.

“Após três dias de bus­cas con­segui localizar o cor­po, mas alívio eu só vou ter com repostas para as per­gun­tar que não vão calar: “de onde vem pena de morte, se existe presí­dio, presí­dio é ape­nas enfeite? Até quan­do vai isso? “, ques­tio­nou o gov­er­no, sobre a alta letal­i­dade das oper­ações no Rio, nos últi­mos anos. “Temos cri­anças assus­tadas, uma comu­nidade abal­a­da, é mui­ta dor”, desabafou.

Ela con­tou que, inde­pen­dente das razões que levaram o esposo para o crime, o com­pan­heiro era um pai de família, tra­bal­hador, respon­sáv­el pelo sus­ten­to da casa e o cuida­do.

“Inde­pen­dente dos erros dele, ele era tra­bal­hador, era família, sem­ana pas­sa­da, esta­va aju­dan­do a erguer uma casa na comu­nidade, aju­dou a faz­er o ‘cabe­lo malu­co’ da min­ha fil­ha. Ten­ho uma fil­ha de 9 anos, que não era fil­ha dele e ele fez o cabe­lo dela para esco­la, lev­ou para brin­car, sabe, são momen­tos que não vão voltar,” expli­cou.

O cor­po de Wag­n­er foi reti­ra­do de um lago com um tiro na tes­ta, segun­do Karine. A polí­cia não esclare­ceu as cir­cun­stân­cias do assas­si­na­to. Ela, con­ta que esteve des­de os primeiros dias na mata e tam­bém denun­cia exe­cuções na ação.

“Eles não vier­am pren­der ninguém, eles foram para matar. É até mes­mo quem se entre­gou, eles mataram. Eu pro­curei, des­de o primeiro dia, eu pro­curei um por um. Não sei o que fiz­er­am, mas enter­ro vai ter de ser caixão fecha­do”, rela­tou.

De acor­do com o bal­anço mais recente sobre a Oper­ação Con­tenção, de sex­ta-feira, 99 pes­soas já tin­ham sido iden­ti­fi­cadas pelo IML. Do total, 42 tin­ham man­da­do de prisão pen­dente e 78 tin­ham envolvi­men­to com o crime. 13 eram ori­un­dos de out­ros esta­dos, como Pará, Bahia e Ama­zonas, além de Ceara, Paraí­ba e Espíri­to San­to.

O gov­er­no do Esta­do jus­ti­fi­cou a oper­ação como for­ma de con­ter a expan­são do Coman­do Ver­mel­ho, mes­mo que não ten­ha con­segui­do cumprir os man­da­dos con­tra os prin­ci­pais chefes da facção. Segun­do a nota envi­a­da à impren­sa, as inves­ti­gações indi­cavam que inte­grantes do grupo rece­bi­am instruções em arma­men­to, tiro, uso de explo­sivos e táti­cas de com­bate nas local­i­dades visadas.

O tra­bal­ho tam­bém rev­el­ou que o fluxo de caixa da facção nes­sas áreas movi­men­ta­va cer­ca de 10 toneladas de dro­gas por mês. “Tan­to o Alemão quan­to a Pen­ha servi­am como polos de abastec­i­men­to, dis­tribuin­do dro­gas e armas para out­ras comu­nidades con­tro­ladas pelo grupo crim­i­noso”. 

Ape­sar dos ques­tion­a­men­tos sobre a eficá­cia e os cus­tos da oper­ação para a cidade do Rio, que parou na terça-feira, mas não con­seguiu pren­der os prin­ci­pais chefes do crime e retomar o con­t­role do ter­ritório, pelo Esta­do, ao lado da alta letal­i­dade, o gov­er­nador Cláu­dio Cas­tro defend­eu a ação:

“Ten­do em vista estes resul­ta­dos, a gente vê que o tra­bal­ho de inves­ti­gação e inteligên­cia foi ade­qua­do, todos perigosos e com ficha crim­i­nal. Tam­bém, pela iden­ti­fi­cação das ori­gens dess­es ‘nar­coter­ror­is­tas’, reforço a importân­cia da inte­gração com os esta­dos. Em breve, vamos entre­gar os relatórios com­ple­tos para as autori­dades com­pe­tentes”, disse o gov­er­nador Cas­tro, em nota, ontem.

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