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Em igreja na Penha, fiéis rezam por paz e proteção em semana de horror

Orações se estendem também às famílias dos mortos em operação policial

Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 02/11/2025 — 15:25
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 02/11/2025 - O padre Marcos Vinícius Aleixo celebra missa em seu ultimo dia na Paróquia Bom Jesus da Penha. Secretaria municipal de Assistência Social faz plantão de atendimento às famílias do Alemão e Vila Cruzeiro na Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

No bair­ro da Pen­ha, na zona norte do Rio de Janeiro, fiéis foram à Paróquia Bom Jesus da Pen­ha para rezar pelos entes queri­dos neste Dia de Fina­dos. As orações se esten­der­am tam­bém às famílias dos 121 mor­tos na Oper­ação Con­tenção, real­iza­da em fave­las viz­in­has na últi­ma terça-feira (28) e con­sid­er­a­da a maior e mais letal do Rio de Janeiro.

“Todos que vêm, sejam mães, famil­iares, ami­gos, nesse momen­to de dor, nós temos acol­hi­do, reza­do e inter­ce­di­do por essas pes­soas”, diz o padre Mar­cos Viní­cius Aleixo, que cele­brou mis­sa neste domin­go (2).

Segun­do ele, as pes­soas estão com medo e até mes­mo a fre­quên­cia nas mis­sas diminuiu. “A inse­gu­rança reina no bair­ro por con­ta dis­so. Muitas pes­soas ficam com medo de sair de casa, com medo de vir até a mis­sa”, diz.

“O tiro, o barul­ho, isso tudo traz trau­mas, traz crise de ansiedade, traz medo às pes­soas que lá den­tro moram, que são pes­soas de bem e que estão ali lutan­do para viv­er, muitas vezes, porque não tem out­ra opor­tu­nidade de sair dali, mas são pes­soas de bem, são pes­soas que hon­es­ta­mente tra­bal­ham e têm a sua vivên­cia diária”, acres­cen­ta o padre.

Rio de Janeiro (RJ), 02/11/2025 - O padre Marcos Vinícius Aleixo celebra missa em seu ultimo dia na Paróquia Bom Jesus da Penha. Secretaria municipal de Assistência Social faz plantão de atendimento às famílias do Alemão e Vila Cruzeiro na Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: O padre Mar­cos Viní­cius Aleixo cel­e­bra mis­sa em seu ulti­mo dia na Paróquia Bom Jesus da Pen­ha. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A igre­ja fica a um quilômetro (Km) da Praça São Lucas, onde foram reunidos cor­pos reti­ra­dos de uma área mata entre os com­plex­os do Alemão e da Pen­ha na madru­ga­da depois da oper­ação poli­cial. Segun­do a Sec­re­taria de Públi­ca do Rio de Janeiro, 121 pes­soas foram mor­tas, den­tre elas, qua­tro poli­ci­ais e 117 civis. A oper­ação cumpriu 20 dos 100 man­da­dos de prisão emi­ti­dos pela justiça e incluía tam­bém 180 man­da­dos de bus­ca e apreen­são. Out­ras 93 pes­soas foram pre­sas em fla­grante. O alvo da oper­ação era o Coman­do Ver­mel­ho, que con­tro­la o ter­ritório.

Entre o crime orga­ni­za­do e oper­ações poli­ci­ais, a pop­u­lação se vê encur­ral­a­da, de acor­do com uma morado­ra do bair­ro, que não quis se iden­ti­ficar. “A gente não tem sossego. [A oper­ação] Afe­ta. Claro que afe­ta, prin­ci­pal­mente porque você tá encur­ral­a­da”, diz.

No dia a dia, ela diz que tem difi­cul­dades para ir e vir por con­ta do crime orga­ni­za­do. “Atra­pal­ha até as ruas, as pes­soas não podem pas­sar. Ficam cobran­do até pedá­gio. Isso não existe, gente”, diz. “É tran­quil­i­dade que eu cobro. A min­ha cobrança é essa. Porque a gente não tem mais paz, não tem sossego. Você vai pedir um Uber, o Uber não quer entrar aqui porque está na Pen­ha. Olha que absur­do”.

A oper­ação sofreu diver­sas críti­cas, sobre­tu­do por indí­cios de abu­so de poder por parte dos poli­ci­ais, por orga­ni­za­ções nacionais e inter­na­cionais, como o Con­sel­ho de Dire­itos Humanos das Nações Unidas (ONU). Além dis­so, famílias dizem que encon­traram mar­cas de tor­tu­ra nos cor­pos dos par­entes mor­tos e afir­mam que têm provas de que eles ten­taram se entre­gar. Por out­ro lado, o gov­er­no do esta­do afir­ma que aque­les que se entre­garam foram pre­sos, e que as pes­soas que foram mor­tas entraram em con­fli­to com os agentes.

Para out­ro morador, que não quis se iden­ti­ficar, a oper­ação dá uma sen­sação de que algo está sendo feito. “O Rio de Janeiro  todo está meio larga­do em questão de segu­rança. Isso [a oper­ação], de uma cer­ta for­ma, aca­ba trazen­do uma sen­sação de que estão fazen­do algo, né? Porque são dois lados. Ninguém é bonz­in­ho”, diz.

Uma morado­ra que esta­va no com­plexo da Pen­ha durante a oper­ação diz que foi um dia de hor­ror. “Foi muito ruim para nós, porque impactou a vida de mui­ta gente, dos moradores, das cri­anças, foi muito tiroteio. E isso é ruim para quem não tem envolvi­men­to com nada, pra gente que é morador, pes­soas de bem”.

Per­gun­ta­da se acred­i­ta que algo muda com a oper­ação poli­cial, ela é tax­a­ti­va: “Nada”.

 

Rio de Janeiro (RJ), 02/11/2025 - Secretaria municipal de Assistência Social faz plantão de atendimento às famílias do Alemão e Vila Cruzeiro na Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Sec­re­taria munic­i­pal de Assistên­cia Social faz plan­tão de atendi­men­to às famílias do Alemão e Vila Cruzeiro na Paróquia Bom Jesus da Pen­ha, na Pen­ha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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