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Harvard homenageia Marielle Franco com a Medalha W.E.B. Du Bois

Vereadora assassinada em 2018 será primeira brasileira condecorada

Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 03/11/2025 — 15:19
Rio de Janeiro
Rio de janeiro 24-03-2024. Marielle Franco. Reprodução Mídias Socias.
Repro­dução: © foto Mídia NINJA

A Uni­ver­si­dade de Har­vard, nos Esta­dos Unidos, anun­ciou que con­ced­erá a Medal­ha W.E.B. Du Bois de 2025 à ativista brasileira Marielle Fran­co, vereado­ra da cidade do Rio de Janeiro assas­si­na­da em março de 2018. A cer­imô­nia será real­iza­da nes­ta terça-feira (4).

Marielle será a primeira figu­ra públi­ca brasileira – e ape­nas a segun­da lati­no-amer­i­cana – a rece­ber a dis­tinção mais alta da insti­tu­ição no cam­po dos Estu­dos Africanos e Afro-Amer­i­canos. A out­ra foi a vice-pres­i­dente da Colôm­bia, Fran­cia Márquez, em 2024.

A medal­ha recon­hece tra­jetórias que for­t­ale­cem o lega­do int­elec­tu­al e cul­tur­al das pop­u­lações africanas e afrode­scen­dentes no mun­do. Entre os out­ros pre­mi­a­dos de 2025 estão James E. Clyburn, Misty Copeland, Brit­tney Griner, George E. John­son, Spike Lee e Amy Sher­ald.

O norte-amer­i­cano W.E.B. Du Bois foi um sociól­o­go, his­to­ri­ador, autor, edi­tor e ativista amer­i­cano, con­sid­er­a­do o mais impor­tante líder negro dos protestos nos Esta­dos Unidos durante a primeira metade do Sécu­lo 20. Ele par­ticipou da cri­ação do movi­men­to pelos dire­itos civis no país. A coleção de ensaios escri­ta por ele, As Almas da Gente Negra (1903), é um mar­co da lit­er­atu­ra afro-amer­i­cana.

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Marielle Fran­co tornou-se uma das prin­ci­pais vozes da luta con­tra a vio­lên­cia de Esta­do e em defe­sa dos dire­itos humanos no Brasil. Nasci­da e cri­a­da no Com­plexo da Maré, no Rio de Janeiro, ela dedi­cou a vida às agen­das das mul­heres negras, das pop­u­lações LGBTQIA+ e das per­ife­rias. Em 2016, foi elei­ta vereado­ra no Rio de Janeiro e pre­sid­iu a Comis­são de Defe­sa dos Dire­itos Humanos e Cidada­nia.

Em 2018, o Insti­tu­to de Pesquisas Afro­l­ati­no-Amer­i­canas de Har­vard (ALARI) havia con­vi­da­do Marielle para um sim­pó­sio. Seis sem­anas antes do even­to e um dia depois de denun­ciar a vio­lên­cia poli­cial na comu­nidade em que nasceu, ela foi assas­si­na­da jun­to com o motorista Ander­son Gomes.

“Foi porque mul­heres como ela desafi­aram e trans­for­maram as estru­turas de poder, enfrentan­do o racis­mo, o sex­is­mo e a LGBTQIA+fobia, que sua pre­ciosa vida foi tira­da. Mas seus assas­si­nos fra­cas­saram. Marielle esteve conosco no ALARI, e nun­ca mais saiu daqui”, disse Ale­jan­dro de la Fuente, dire­tor fun­dador do ALARI.

“Nos­so cam­po, o dos Estu­dos Afro­l­ati­no-Amer­i­canos, é ali­men­ta­do pelas lutas por justiça e inclusão, nutri­do por mul­heres como Marielle. Isso não se pode matar. Marielle Fran­co é vida. E a vida não se mata”, com­ple­men­tou.

A hom­e­nagem recon­hece em Marielle a inter­seção entre mil­itân­cia, ciên­cia e pro­dução int­elec­tu­al no cam­po afro-diaspóri­co. O ALARI é a primeira insti­tu­ição acadêmi­ca dos Esta­dos Unidos ded­i­ca­da ao estu­do das pop­u­lações afrode­scen­dentes na Améri­ca Lati­na e no Caribe.

Executores e mandantes

Os ex-poli­ci­ais Ron­nie Lessa e Élcio de Queiroz foram con­de­na­dos pelo assas­si­na­to de Marielle em out­ubro de 2024. Lessa rece­beu pena de 78 anos, 9 meses e 30 dias de prisão por ter metral­ha­do as víti­mas, e Élcio, que diri­gia o car­ro quan­do Ron­nie dis­parou, foi con­de­na­do a 59 anos, 8 meses e 10 dias. Ambos foram cul­pa­dos por dup­lo homicí­dio tripla­mente qual­i­fi­ca­do, con­tra Marielle e Ander­son, e ten­ta­ti­va de homicí­dio con­tra a jor­nal­ista Fer­nan­da Chaves, que esta­va no car­ro no momen­to, mas não foi atingi­da.

As inves­ti­gações indicaram que os irmãos Domin­gos e Chiquin­ho Brazão encomen­daram o assas­si­na­to da vereado­ra a mata­dores de aluguel e que o ex-chefe da Polí­cia Civ­il do Rio de Janeiro, Rival­do Bar­bosa, plane­jou o ato, além de ter atra­pal­ha­do a inves­ti­gação, chefi­a­da pelo próprio, antes de o caso ter sido ele­va­do à esfera fed­er­al.

Caso Marielle Franco - Domingos Brazão, seu irmão Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa. Os três foram presos por forte envolvimento com o assassinato de Marielle Franco Foto: Alerj, ABr e Câmara Deputados
Repro­dução: Domin­gos Brazão, seu irmão Chiquin­ho Brazão e Rival­do Bar­bosa são apon­ta­dos como man­dantes do homicí­dio Alerj

Os três respon­dem a uma ação penal que trami­ta no STF e tem como rela­tor o min­istro Alexan­dre de Moraes. O mag­istra­do final­i­zou as audiên­cias com teste­munhas, defe­sa e acusação em 2024. No entan­to, o proces­so per­manece em fase de instrução e ain­da não há data pre­vista para o jul­ga­men­to dos man­dantes e do men­tor.

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