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Caravanas saem de SP rumo à Marcha das Mulheres Negras em Brasília

Ao menos 13 delegações, com 350 mulheres estão a caminho

Flávia Albu­querque – repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 24/11/2025 — 10:14
São Paulo
São Paulo (SP), 25/07/2025 - Pessoas participam da Marcha das Mulheres Negras. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Depois de dez anos, a Mar­cha das Mul­heres Negras por Reparação e Bem Viv­er retor­na a Brasília nes­ta terça (25) para afir­mar o movi­men­to como uma respos­ta ao apro­fun­da­men­to das desigual­dades, for­t­ale­cen­do a urgên­cia de um país com­pro­meti­do com reparação históri­ca, justiça social e um futuro de dig­nidade e cuida­do.

Para este ano são esper­adas mul­heres de todos os esta­dos do Brasil e de mais de 40 país­es. A ideia é a de levar mais par­tic­i­pantes do que em 2015, quan­do hou­ve a pre­sença de mais de 100 mil pes­soas. De São Paulo devem sair pelo menos 13 car­a­vanas rumo à cap­i­tal fed­er­al.

A del­e­gação que sairá de São Paulo con­tará com mais de 350 mul­heres. “As car­a­vanas daqui estão sendo orga­ni­zadas des­de agos­to do ano pas­sa­do”, diz a inte­grante do Comitê Impul­sor Nacional da Mar­cha das Mul­heres Negras por Reparação e Bem Viv­er, Iyáloriṣà Adri­ana t’Ọmọlú, que par­ticipou da primeira edição do even­to, em 2015.

Ela par­ticipou em São Paulo da con­strução des­ta nova edição da Mar­cha. Um tra­bal­ho cole­ti­vo, como pref­ere definir.

“A Mar­cha sem­pre foi cole­ti­va e acon­tece a par­tir de vários movi­men­tos, várias insti­tu­ições. Ela não surge a par­tir do pen­sa­men­to iso­la­do de uma pes­soa. É um con­jun­to de mul­heres que pen­sam toda a estru­tu­ra, que orga­ni­zam isso de maneira glob­al”.

Adri­ana con­ta que, dez anos atrás, atu­ou nos basti­dores para que a Mar­cha ocor­resse, mas acabou não indo a Brasília: “Atuei na con­strução aqui em São Paulo, mas não fui porque a saúde me impediu”.

Ape­sar dis­so, ela afir­ma que traz a bagagem do que apren­deu em 2015 para os dias de hoje. “Essa vivên­cia eu acabo trazen­do, as vivên­cias das mul­heres negras, vivên­cias do que par­tic­i­pamos”.

Para ela, na déca­da pas­sa­da, foi muito impor­tante a questão do matri­ar­ca­do, “que é muito forte para nós. Isso eu tam­bém tra­go de den­tro da Mar­cha, que con­fir­ma nos­sa exper­iên­cia a par­tir desse lugar. Tra­go a cole­tivi­dade, o cuida­do e a segu­rança”.

Um even­to como a Mar­cha, do taman­ho que tem e com os obje­tivos que pre­tende alcançar, não é algo sim­ples de se orga­ni­zar. Tan­to assim que esta é ape­nas a segun­da edição.

“É difí­cil porque, na ver­dade, é pre­ciso ter recur­sos para levar as mul­heres. Recur­sos para chegar até Brasília. Nos­sa grande questão é garan­tir que essas mul­heres cheguem à Mar­cha. Nós sabe­mos que ela é algo para a nos­sa sobre­vivên­cia”.

Para Adri­ana, a mar­cha pre­cisa garan­tir a par­tic­i­pação das mul­heres: “temos de garan­tir as mul­heres em Brasília. A Mar­cha acon­tece durante a sem­ana, muitas delas tra­bal­ham, são mães solo, então não é pou­ca coisa o que temos de faz­er. Elas têm o dire­ito de estar na mar­cha para poder gri­tar: ‘nós exis­ti­mos’”.

E, para que isso acon­teça, há a neces­si­dade de ter condições dig­nas em Brasília: “elas pre­cisam se ali­men­tar, ter alo­ja­men­to, tomar ban­ho e até a segu­rança na própria cam­in­ha­da. Essa estru­tu­ra é extrema­mente necessária”.

Ajuda

Assim, para via­bi­lizar o grande número de par­tic­i­pantes o comitê orga­ni­zador pre­cisou de aju­da. “Con­ta­mos com o apoio de emen­da par­la­men­tar através do manda­to da dep­uta­da fed­er­al Eri­ka Hilton”, rev­ela.

Parte da ver­ba disponi­bi­liza­da por Hilton vai ban­car o trans­porte das mul­heres. Das 350 que devem par­tir de São Paulo, 70 irão de avião. As demais serão dis­tribuí­das em cin­co ônibus, um deles cedi­do pelo Sindi­ca­to dos Espe­cial­is­tas em Edu­cação do Ensi­no Públi­co Munic­i­pal de São Paulo (Sine­sp).

“Des­ti­namos parte do recur­so para os ônibus, para garan­tir uma par­tic­i­pação maior. Não con­seguiríamos isso com pas­sagens aéreas, que são mais caras”.

A orga­ni­za­ção deu prefer­ên­cia ao uso do avião para as mul­heres mais vel­has, ou com redução de mobil­i­dade ou algu­ma defi­ciên­cia.

“Tam­bém pri­or­izamos aque­las que tra­bal­ham em regime CLT, que não con­seguiri­am se afas­tar tan­to tem­po do tra­bal­ho. Mães de cri­anças peque­nas tam­bém”.

Marcha sem fim

O sim­bolis­mo da Mar­cha é muito forte para Adri­ana: “ela sim­boliza a luta, sim­boliza as mul­heres negras orga­ni­zadas em luta pelo dire­ito à existên­cia com dig­nidade. É a luta por reparação e bem viv­er. Sabe­mos quem somos porque sabe­mos de onde viemos e para onde voltare­mos”.

Para a orga­ni­zado­ra, o con­tex­to políti­co atu­al jus­ti­fi­ca  “em tem­pos em que a extrema dire­i­ta avança, o con­ser­vadoris­mo avança e os dire­itos, prin­ci­pal­mente, das mul­heres acabam em proces­sos de per­da”. Para Adri­ana, “esta­mos falan­do do recon­hec­i­men­to da cul­tura negra no que diz respeito à sua ances­tral­i­dade. É uma luta para que nos­sa existên­cia passe por uma for­ma de pen­sar afro­cen­tra­da”.

A grandeza da Mar­cha não ter­mi­na no fim da cam­in­ha­da. Segun­do Adri­ana, “nos­sa pre­ocu­pação é como con­tin­u­amos essa luta em segu­rança. Esta­mos falan­do de um movi­men­to que luta pela sobre­vivên­cia dessas mul­heres. Tem um antes, tem o dia da Mar­cha e tem o retorno aos nos­sos ter­ritórios”.

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