...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Direitos Humanos / “Mete marcha, negona”: artistas levam marcha para telas e palcos

“Mete marcha, negona”: artistas levam marcha para telas e palcos

Mulheres levaram sua arte, dança e música para ato em Brasília

Cibele Tenório — Repórter da Rádio Nacional
Pub­li­ca­do em 25/11/2025 — 20:24
Brasília
Brasília (DF), 25/11/2025 – Cineasta Flora Egécia, Francyelle Souza Lima, Dione Oliveira Moura (mãe da Flora), Daniele Felix e Lourdes Quintero na Marcha de Mulheres Negras 2025. Foto: Flora Egécia/Arquivo Pessoal
Repro­dução: © Flo­ra Egécia/Arquivo Pes­soal

Na Bahia, a expressão “meter dança” sig­nifi­ca se jog­ar na dança, tra­ta-se de um con­vite ao movi­men­to. Foi toman­do empresta­do esse ter­mo que a 2ª Mar­cha das Mul­heres Negras, real­iza­da em Brasília nes­ta terça-feira (25), fez um chama­men­to para que as par­tic­i­pantes vin­das de todas as partes do Brasil e de out­ros país­es “metessem mar­cha”. 

A canção tema do even­to, “Mete Mar­cha Neg­o­na Rumo ao Infini­to”, com­pos­ta e inter­pre­ta­da pela can­to­ra e com­pos­i­to­ra baiana Laris­sa Luz, embalou o can­to cole­ti­vo de uma mul­ti­dão de quase meio mil­hão de mul­heres negras, muitas delas artis­tas que, assim como a mar­cha que cresceu e se for­t­ale­ceu des­de a sua últi­ma edição em 2015, tam­bém flo­resce­r­am nos últi­mos dez anos.

Em 2015, Flo­ra Egé­cia era uma jovem dire­to­ra que colo­ca­va no mun­do seu primeiro filme, o cur­ta-metragem doc­u­men­tário Das raízes às Pon­tas, que abor­da o res­gate das raízes negras a par­tir dos cabe­los cre­s­pos. Um dia depois do lança­men­to do filme, ela se jun­tou à mul­ti­dão que tomou con­ta do Eixo Mon­u­men­tal, em Brasília naque­le ano.

“Nes­ta época eu lem­bro que tin­ham várias dire­toras negras em ascen­são como eu, no mes­mo perío­do que eu, e hoje em dia eu vejo estas mul­heres fazen­do lon­gas-metra­gens, toman­do con­ta do mun­do. Eu esta­va começan­do e elas tam­bém começan­do, e eu hoje as vejo voan­do muito longe”, relem­brou Flo­ra, que mar­chou nova­mente nes­ta terça-feira ao lado da mãe, a pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade de Brasília Dione Oliveira Moura.

Em 2022, Flo­ra lançou jun­ta­mente com Bian­ca Novais o doc­u­men­tário Me Farei Ouvir, que abor­da os gar­ga­los e labir­in­tos que a democ­ra­cia brasileira pro­duz para difi­cul­tar o aces­so de mul­heres à políti­ca insti­tu­cional.

Ao lon­go da mar­cha que col­oriu a Esplana­da dos Min­istérios hoje na cap­i­tal fed­er­al, era pos­sív­el ver rodas de capoeira, alas de mul­heres sam­bis­tas, bailar­i­nas e per­cus­sion­istas. O tam­bor, poderoso sím­bo­lo de her­ança e ances­tral­i­dade afro-brasileira, era o ele­men­to em comum das batuqueiras brasileiras e das 45 mul­heres urugua­ias que tocavam o Can­dombe, rit­mo afro-uruguaio que foi declar­a­do Patrimônio Cul­tur­al Ima­te­r­i­al da Humanidade pela Unesco.

Ishi­na Pena Bran­ca, dança­ri­na e per­cus­sion­ista, que orgul­hosa­mente na mar­cha car­rega­va seu xequerê, expli­cou a importân­cia da arte na sua afir­mação como mul­her negra.

“A músi­ca me conec­ta com meu cor­po. Todas as vezes que eu can­to, que eu toco, eu sin­to o coração de África, é como se eu sen­tisse o vibrar do coração dos meus ances­trais”.

Após a mar­cha, a pro­gra­mação seguiu na área exter­na do Museu Nacional, onde um show gra­tu­ito encer­rou o dia de mobi­liza­ção. No pal­co, Célia Sam­paio & Núbia, Ebony, Laris­sa Luz, Lua­na Hansen e Prethais.

» Con­fi­ra entre­vista com Célia Sam­paio, a Dama do Reg­gae, na Rádio Nacional da Amazô­nia

“Nos­sa for­ma de faz­er luta é tam­bém com arte, isso tem a ver com a nos­sa origem, nos­sa for­ma de faz­er denún­cia a par­tir de out­ras estraté­gias e out­ras fer­ra­men­tas. A mar­cha segue até o pal­co. A músi­ca é um espaço de acol­her, de falar de amor, de se for­t­ale­cer, e falar de resistên­cia”, afir­ma Naiara Leite, rep­re­sen­tante do comitê nacional da Mar­cha das Mul­heres Negras.

Antes de subir ao pal­co para o seu show, a can­to­ra Prethais falou à Agên­cia Brasil e se emo­cio­nou ao lem­brar que o pon­tapé de sua car­reira se deu depois da 1ª Mar­cha das Mul­heres Negras.

“Eu não imag­i­na­va que o que eu vivi com 17 anos, eu voltaria dez anos depois e faria parte da mar­cha no pal­co. Em 2015, eu tin­ha acaba­do de chegar da Bahia para morar no DF, em um con­tex­to de mui­ta solidão, de bus­ca pelo bem-viv­er, que é o que a gente está reivin­di­can­do aqui hoje. Eu não sabia quem eu era e esse movi­men­to de mul­heres negras me deu cam­in­ho. Sou muito feliz que estas mul­heres me colo­caram aqui hoje. A Mar­cha me fez recon­hecer como mul­her quilom­bo­la, remanes­cente quilom­bo­la de Xique-Xique (BA), como mul­her negra que move o mun­do”.

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d