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Espécie nova de bromélia floresce no Jardim Botânico do Rio

Cores laranja e lilás das flores chamam atenção de pesquisadores

Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 13/12/2025 — 09:26
Rio de Janeiro
11/12/2025 - Nova espécie de bromélia descoberta pelo JBRJ . Foto: Bruno Rezende/JBRJ
Repro­dução: © Bruno Rezende/JBRJ

O Jardim Botâni­co do Rio de Janeiro desco­briu uma espé­cie de bromélia rara em sua área, que rece­beu o nome de Wittmack­ia auran­ti­o­lilacina em função das cores laran­ja e lilás de suas inflo­rescên­cias.

A espé­cie foi descri­ta pelo pesquisador Bruno Rezende, um dos autores do estu­do e curador da coleção cien­tí­fi­ca de bromélias do Jardim Botâni­co do Rio, em arti­go pub­li­ca­do no dia 19 de novem­bro deste ano, no per­iódi­co Phy­to­taxa, con­sid­er­a­do a maior revista cien­tí­fi­ca do mun­do na área de tax­ono­mia botâni­ca.

A espé­cie é endêmi­ca da Mata Atlân­ti­ca e foi cole­ta­da no Par­que Nacional do Alto Cariri, na Bahia, próx­i­mo à divisa com Minas Gerais. A cole­ta foi fei­ta em agos­to de 2023 por uma equipe do Cen­tro Nacional de Con­ser­vação da Flo­ra (CNCFlo­ra), do Jardim Botâni­co do Rio de Janeiro, durante expe­dição do Plano de Ação Nacional para a Con­ser­vação de Árvores Ameaçadas de Extinção do Sul da Bahia (PAN Hileia Baiana), no âmbito do Pro­je­to GEF Pró-Espé­cies: todos con­tra a extinção.

“Foi cole­ta­da em agos­to de 2023, mas esta­va sem flor. É o que a gente chama de estéril. Era uma bromélia que não lev­an­ta­va nen­hu­ma sus­pei­ta sobre ser algo tão difer­en­ci­a­do”, expli­cou Bruno Rezende nes­ta quin­ta-feira (11) à Agên­cia Brasil. Ela foi intro­duzi­da então na coleção cien­tí­fi­ca do bromeliário do JBRJ e tam­bém no Refú­gio dos Gra­vatás, em Teresópo­lis, região ser­rana do esta­do.

Floração

A flo­ração da bromélia ocor­reu em jul­ho de 2024, no Jardim Botâni­co, e lev­ou o pesquisador a sus­peitar que se trata­va de uma espé­cie nova. “Porque a inflo­rescên­cia tem uma com­bi­nação de cores muito inusi­ta­da, laran­ja com lilás, que não é algo que eu ten­ha vis­to em bromélias em 30 anos”, disse Rezende.

Ele con­tac­tou um espe­cial­ista no gênero, com o qual desen­volveu um estu­do mais detal­ha­do sobre a plan­ta e jun­tos pub­licaram arti­go na revista inter­na­cional.

11/12/2025 - Nova espécie de bromélia descoberta pelo JBRJ . Foto: Bruno Rezende/JBRJ
Repro­dução:  Nova espé­cie de bromélia descober­ta no Jardim Botâni­co do Rio de Janeiro. Foto — Bruno Rezende/JBRJ

Emb­o­ra a inflo­rescên­cia nas cores laran­ja e lilás ten­ha chama­do a atenção dos pesquisadores, Bruno Rezende disse que o que define a espé­cie nova é um con­jun­to de car­ac­terís­ti­cas que tem a ver com o for­ma­to de sépalas e péta­las, o taman­ho que atinge entre essas estru­turas “E tam­bém a col­oração, que deu nome à plan­ta”. As sépalas das bromélias são, geral­mente, verdes e têm a função prin­ci­pal de pro­te­ger o botão flo­ral.

No Jardim Botâni­co do Rio só tem um vaso da nova bromélia. Segun­do Rezende, depen­den­do do aporte nutri­cional, vão se for­mar dois ou três bro­tos veg­e­ta­tivos por ano. São bro­tações lat­erais.

“Com isso, pode-se faz­er uma propa­gação veg­e­ta­ti­va, que é a propa­gação clon­al ou assex­u­a­da”. Nesse caso, as mudas são geneti­ca­mente idên­ti­cas à mãe.

O pesquisador desta­cou, porém, que se for fei­ta a polin­iza­ção das flo­res, podem ser obti­das sementes. E cada sis­tema de cada semente é um indi­ví­duo já geneti­ca­mente dis­tin­to, por ser orig­inário de repro­dução sex­u­a­da.

Na coleção cien­tí­fi­ca do bromeliário, as bromélias são mul­ti­pli­cadas ape­nas de for­ma clon­al. “Não temos muito inter­esse em ter vários vasos da cada exem­plar. Porque o nos­so espaço é muito lim­i­ta­do”.

Por isso, disse que o impor­tante é man­ter a saúde daque­le exem­plar, for­man­do uma peque­na tou­ceira, em um vaso grande. “Porque ali se tem diver­sas rose­tas foliares. E ten­do várias rose­tas, isso dá mais segu­rança de que aque­le indi­ví­duo está pro­te­gi­do con­tra uma deter­mi­na­da pra­ga ou algu­ma doença que pos­sa sur­gir, porque é um vol­ume maior. Mas o bromeliário não tem condições de abri­gar tan­tos exem­plares”, afir­mou o pesquisador.

Predadores

O pesquisador afir­ma que ain­da que não seria muito indi­ca­do plan­tar esse tipo de bromélia nas árvores, porque ela é da Mata Atlân­ti­ca do sul da Bahia e pode­ria se espal­har pela Mata Atlân­ti­ca do esta­do do Rio de Janeiro.

Fachada do Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Repro­dução: Facha­da do Museu do Meio Ambi­ente no Jardim Botâni­co do Rio de Janeiro — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Além dis­so, no arbore­to do Jardim Botâni­co tem muito maca­co-prego. “E eles, infe­liz­mente, desen­volver­am um gos­to macabro por bromélias. Eles comem aque­le palmi­to lá do inte­ri­or das fol­has e matam a bromélia. É o que eles gostam. No bromeliário, a gente ain­da con­segue ter mais con­t­role, porque tem um gradil, tem segu­ranças e jar­dineiros.”

Recen­te­mente, Bruno rece­beu várias bromélias da Cha­pa­da Dia­man­ti­na e out­ras da Ser­ra do Ouro de Goiás. Para ele, o esforço de cole­ta na natureza é muito impor­tante para con­hecer a flo­ra nati­va.

A nova espé­cie de bromélia descober­ta já foi clas­si­fi­ca­da como “criti­ca­mente ameaça­da de extinção” porque, ape­sar de ser um par­que nacional, é uma área muito grande e sujei­ta a muitos impactos.

“É difí­cil fis­calizar uma área tão exten­sa. Tem muito fogo, muito des­mata­men­to, tem mui­ta lavoura de cacau e de café, além das mudanças climáti­cas que, nas próx­i­mas décadas, provavel­mente vão alter­ar muito sig­ni­fica­ti­va­mente toda a Mata Atlân­ti­ca.”

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