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Maior parte da costa fluminense é vulnerável a mudanças climáticas

Estudo da UFF aponta que riscos podem afetar até 60% do litoral do RJ

Alana Gan­dra — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 08/01/2026 — 13:16
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 30/07/2025 – Ressaca no mar traz ondas grandes à praia do Leme, provocadas pela passagem de um ciclone extratropical. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

A maior parte da cos­ta do esta­do do Rio de Janeiro pode sofr­er com as con­se­quên­cias das mudanças do cli­ma. A con­clusão é de um estu­do da Uni­ver­si­dade Fed­er­al Flu­mi­nense (UFF) que cal­cu­la 60% do litoral com vul­ner­a­bil­i­dades médias e ele­vadas, o que indi­ca riscos de inun­dações e de erosão cau­sa­da por ondas.

pesquisa foi desen­volvi­da pelo doutoran­do do Pro­gra­ma de Pós-Grad­u­ação em Dinâmi­ca dos Oceanos e da Ter­ra Igor Rodrigues Henud, com ori­en­tação do pro­fes­sor Abílio Soares. Segun­do Henud, soluções nat­u­rais, como a restau­ração de ecos­sis­temas e a ampli­ação de áreas pro­te­gi­das, podem ser efi­cazes para enfrentar os impactos climáti­cos.

“O intu­ito foi mostrar que exis­tem regiões e pop­u­lações vul­neráveis. Só que a veg­e­tação e os habi­tats nat­u­rais, engloban­do dunas, restin­gas, manguezais, Mata Atlân­ti­ca, ain­da exercem uma influên­cia pos­i­ti­va nes­sa pro­teção e, por isso, eles pre­cisam ser preser­va­dos”, disse Igor Henud à Agên­cia Brasil.

Recon­hecen­do essa influên­cia pos­i­ti­va, o estu­do defende a imple­men­tação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estraté­gia mais efi­caz para enfrentar os desafios impos­tos pelas mudanças climáti­cas.

Isso envolve a restau­ração de ecos­sis­temas, o mane­jo adap­ta­ti­vo do ter­ritório e a pro­teção de habi­tats nat­u­rais. Além de reduzir riscos, as NbS ofer­e­cem bene­fí­cios adi­cionais, como a mel­ho­ria da qual­i­dade da água, a mit­i­gação de polu­entes atmos­féri­cos e o aumen­to da resil­iên­cia a desas­tres.

Henud acred­i­ta que essas soluções “são eco­logi­ca­mente sen­síveis, eco­nomi­ca­mente viáveis e sus­ten­táveis no lon­go pra­zo”, ao con­trário das infraestru­turas con­ven­cionais.

Os pesquisadores defen­d­em tam­bém a pro­teção dos chama­dos habi­tats costeiros, que são con­sid­er­a­dos ecos­sis­temas estratégi­cos e que estão fora do escopo de preser­vação ofi­cial , mas podem aju­dar a aumen­tar a resil­iên­cia climáti­ca.

Maior risco

A pesquisa con­sid­era impactos já obser­va­dos no litoral flu­mi­nense, como ressacas mais fre­quentes, tem­pes­tades inten­sas e a ele­vação do nív­el do mar.

De acor­do com o estu­do, as duas regiões que estão mais propen­sas a sofr­er impactos das mudanças do cli­ma são o Norte Flu­mi­nense e as Baix­adas Litorâneas, tam­bém con­heci­das como Região dos Lagos.

Nes­sas regiões, car­ac­terís­ti­cas nat­u­rais como ven­tos, ondas e rele­vo se somam à frag­men­tação de habi­tats costeiros, como a remoção de restin­gas e manguezais, o que aumen­ta sig­ni­fica­ti­va­mente o alto risco dessas áreas.

Henud e o pro­fes­sor Abílio Simões chegaram a essa con­clusão uti­lizan­do metodolo­gia desen­volvi­da por uma uni­ver­si­dade nos Esta­dos Unidos, que reúne var­iáveis ambi­en­tais e socioe­conômi­cas.

Foram cole­tadas várias infor­mações, como dados da Mar­in­ha sobre ven­tos e ondas, dados globais de pro­fun­di­dade dos oceanos, dados de platafor­ma con­ti­nen­tal e de veg­e­tação, inseri­das depois no soft­ware InVEST, que sim­u­la o que acon­tece nat­u­ral­mente, infor­mou Henud.

Os resul­ta­dos indicam que a supressão con­tínua de habi­tats nat­u­rais inten­si­fi­ca os riscos ambi­en­tais e amplia a exposição do esta­do do Rio de Janeiro a desas­tres de maior mag­ni­tude no futuro.

“Por exem­p­lo, se a gente falar de restin­ga, de manguezal e de Mata Atlân­ti­ca, se a gente tem essa veg­e­tação próx­i­ma da pra­ia, se uma onda bater nes­sas regiões, ela perde força. Então, ger­am uma pro­teção, sim”, expli­cou o doutoran­do.

Fatores

Com cer­ca de 1.160 quilômet­ros de exten­são, a zona costeira flu­mi­nense abri­ga 33 municí­pios e con­cen­tra aprox­i­mada­mente 83% da pop­u­lação do esta­do, con­fig­u­ran­do-se como um ter­ritório ao mes­mo tem­po sen­sív­el e fun­da­men­tal para o desen­volvi­men­to socioe­conômi­co.

Essa faixa enfrenta pressão cres­cente da urban­iza­ção des­or­de­na­da, do tur­is­mo de mas­sa e da explo­ração econômi­ca inten­si­va, fatores que acel­er­am a degradação ambi­en­tal e com­pro­m­e­tem a capaci­dade de respos­ta aos even­tos extremos.

Por isso, é pre­ciso pen­sar no fator da pro­teção porque, quan­to mais veg­e­tação hou­ver, maior vai ser a pro­teção que se vai ter na lin­ha de cos­ta, reforçou. Ele esclarece que não se con­seguirá alter­ar a força das ondas ou o rele­vo, mas é pos­sív­el alter­ar o local onde aque­las pop­u­lações que estão vul­neráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de min­i­mizar o impacto das mudanças climáti­cas, con­clui.

Soluções cinzas e verdes

Henud expli­ca ain­da que a mit­i­gação das con­se­quên­cias das mudanças climáti­cas con­ta com difer­entes fer­ra­men­tas, e algu­mas soluções foram denom­i­nadas soluções cin­zas e out­ras, de soluções verdes.

As soluções cin­zas envolvem posi­cionar grandes pedras na região costeira ou con­stru­ir muros com con­cre­to, por exem­p­lo. Pode-se ain­da colo­car sacos de cimen­to ou de areia para diminuir a inten­si­dade das ondas, ou con­stru­ir recifes arti­fi­ci­ais.

“O cin­za vem do con­cre­to, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, pri­or­izam o reflo­resta­men­to, ou seja, usar a natureza em bene­fí­cio do ser humano e da própria natureza.

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