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Baía de Guanabara tem neste sábado um dia de limpeza

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Paisagem disfarça volume de lixo escondido em praias, diz oceanógrafa


Pub­li­ca­do em 25/03/2023 — 07:00 Por Cristi­na Indio do Brasil – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A Baía de Gua­n­abara pas­sa neste sába­do (25) por um dia de limpeza, e o tra­bal­ho prom­ete ser inten­so, uma vez que a quan­ti­dade de lixo e a poluição na região é um prob­le­ma anti­go. Para realizar a tare­fa, a Rede de Con­ser­vação Águas da Gua­n­abara (Redagua), que pro­move a ação, jun­tou os Pro­je­tos Coral Vivo, Guapi­açu, Meros do Brasil e Uçá, patroci­na­dos pela Petro­bras, por meio do Pro­gra­ma Petro­bras Socioam­bi­en­tal, na segun­da edição do Clean Up Bay – Dia de Limpeza da Baía de Gua­n­abara.

Esta é a segun­da edição do Dia de Limpeza da Baía de Gua­n­abara, inspi­ra­do no Clean Up Day, ação mundi­al pro­movi­da anual­mente no ter­ceiro sába­do de setem­bro para um mun­do sem lixo. Mais uma vez, a ação faz parte do cal­endário Rio 2030, que inclui ações de edu­cação sus­ten­táv­el com a intenção de sen­si­bi­lizar a pop­u­lação do esta­do para a neces­si­dade de cuida­dos com o meio ambi­ente.

“O impacto do que quer­e­mos causar com este even­to, na ver­dade, é no dia a dia das pes­soas. Que elas se envolvam, par­ticipem e se sin­tam impactadas por verem tan­to lixo na pra­ia, por verem tan­tos sacos de lixo cole­ta­dos e repensem as ações rotineiras de casa, como o próprio descarte do lixo, como o con­sum­is­mo desen­f­rea­do. A ideia é que haja reflexão sobre o que se pode faz­er a respeito,” disse a coor­de­nado­ra ger­al do Pro­je­to Coral Vivo, a oceanó­grafa Flávia Gue­bert, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Segun­do o Coral Vivo, o obje­ti­vo de even­tos como este é impactar e sur­preen­der as pes­soas com a quan­ti­dade de lixo escon­di­da na pra­ia, porque a pais­agem aca­ba dis­farçan­do um pouco, e com o que elas podem faz­er den­tro de casa mes­mo”, com­ple­tou Flávia. Ela infor­mou que ações semel­hantes tam­bém são real­izadas anual­mente no esta­do da Bahia, onde fun­ciona a sede do pro­je­to.

“Esta­mos na Déca­da do Oceano, que vai de 2021 a 2030, então, a ideia é que olhar para o mar e ver o mar como nos­so jardim, o jardim da nos­sa casa, porque todos depen­demos do mar. O oceano reg­u­la o nos­so cli­ma, nos dá ali­men­to, traz recur­sos finan­ceiros para quem tra­bal­ha com diver­sas ativi­dades, mas não é só explo­ração, é cuida­do tam­bém”, afir­mou.

O tra­bal­ho de cole­ta, triagem e des­ti­nação de resí­du­os vai começar às 9h em cin­co pon­tos difer­entes nos municí­pios de São Gonça­lo (Pra­ia das Pedrin­has), Niterói (pra­ias de Itaipu e Boa Viagem), Magé (Pra­ia de Piedade), Cachoeiras de Macacu (Rio Macacu) e Tan­guá (Rio Cac­eribu), na região met­ro­pol­i­tana do Rio. Depois da cole­ta e da triagem, o mate­r­i­al recol­hi­do será clas­si­fi­ca­do, reg­istra­do e pesa­do.

A biólo­ga e edu­cado­ra ambi­en­tal do Pro­je­to Meros do Brasil Lua­na Seixas elo­giou a exten­são dos pon­tos incluí­dos na ação deste sába­do e desta­cou tam­bém o aumen­to de deman­da de vol­un­tários para esta edição. “Com­par­a­ti­va­mente à edição do ano pas­sa­do, que foi mais para o meio do ano, nes­ta, aumen­ta­mos nos­sos pon­tos de atu­ação, o que mostra que vier­am deman­das de pes­soas dessas regiões. No ano pas­sa­do, tín­hamos qua­tro pon­tos. Para nós, é um indi­cador de trans­for­mações e mudanças e, com­par­a­ti­va­mente, tam­bém um aumen­to dos vol­un­tários.”

O pro­je­to é com­pro­meti­do com a preser­vação e recu­per­ação dos meros (Epi­neph­elus ita­jara), uma espé­cie de peixe ameaça­da por cap­turas ile­gais e pela fal­ta de qual­i­dade da água de manguezais e de áreas de foz dos rios da Baía de Gua­n­abara. De acor­do com Lua­na, este é mais um moti­vo para a real­iza­ção de ações como o Dia da Limpeza.

“O declínio da pop­u­lação [de meros] em ter­ritório nacional está muito lig­a­do à inter­venção humana. A pesca é um prob­le­ma, mas lógi­co tam­bém que esta­mos usan­do o ambi­ente em que o peixe vive, que são áreas costeiras, áreas de manguezal, ou mar aber­to, em esportes, pescaria ou como lixo que, sendo lev­a­do, aca­ba prej­u­di­can­do essa espé­cie de peixe para o local em que ele está sob ameaça”, acres­cen­tou a biólo­ga.

Para o pres­i­dente da orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal (ONG) Guardiões do Mar e coor­de­nador do Pro­je­to Uçá, de preser­vação de carangue­jos, Pedro Bel­ga, a veloci­dade das mudanças climáti­cas tor­na cada vez mas evi­dente a neces­si­dade de realizar ações deste tipo para redução da quan­ti­dade de lixo e sen­si­bi­liza­ção das pop­u­lações. Por isso, o biól­o­go diz que é impor­tante faz­er o even­to na Baía de Gua­n­abara, que cos­tu­ma estar no incon­sciente cole­ti­vo das pes­soas como algo ruim.

“Quan­do se con­segue cri­ar uma data especí­fi­ca para tratar de limpeza e colo­car as pes­soas do bem, jun­tas, isso aju­da em uma emergên­cia, na urgên­cia que a gente tem. Quan­to mais even­tos sobre o tema, quan­to mais vol­un­tários se enga­jam, mais se con­segue espal­har a cor­rente do bem e acel­er­ar essa urgên­cia em mobi­lizar as pes­soas para as questões do resí­duo sóli­do, da con­ser­vação ambi­en­tal e obvi­a­mente das emergên­cias climáti­cas”, disse ele à Agên­cia Brasil.

Pedro Bel­ga rev­el­ou que, no começo do Pro­je­to Carangue­jo Uçá de preser­vação na espé­cie na Baía de Gua­n­abara, os cata­dores ente­di­am que seri­am trans­for­ma­dos em cole­tores de lixo. “Hoje eles enten­dem que, ao tirar um sofá do mangue, aque­le espaço ocu­pa­do pelo sofá estará disponív­el para que novas tocas de carangue­jo se espal­hem. Eles gan­ham a lon­go pra­zo. Hoje exis­tem cata­dores de carangue­jo e pescadores arte­sanais na Baía de Gua­n­abara muito envolvi­dos na questão do resí­duo sóli­do, porque enten­der­am que o lixo diminui a econo­mia, a ativi­dade deles e as áreas de tra­bal­ho”, acres­cen­tou.

Os vol­un­tários inscritos no Clean Up Bay rece­ber­am capac­i­tação online na quar­ta-feira (22), com o obje­ti­vo de for­mar lid­er­anças para limpeza de pra­ias e out­ros ambi­entes, com ori­en­tações sobre o uso ade­qua­do de equipa­men­tos de pro­teção indi­vid­ual, exten­são da área a ser tra­bal­ha­da, dinâmi­ca da ativi­dade e tudo o que o vol­un­tário pre­cisa para par­tic­i­par do dia de limpeza, ou orga­ni­zar a ativi­dade semel­hante em sua própria comu­nidade. Segun­do o biól­o­go, mais de 100 vol­un­tários par­tic­i­param da capac­i­tação. “Há um inter­esse maior das pes­soas, que querem faz­er. Só não sabem como. Às vezes, as pes­soas não percebem como é sim­ples cuidar com pequenos atos.”

A guia de tur­is­mo Natália Gonçalves, que tem espe­cial­iza­ção em atra­tivos nat­u­rais, de 26 anos, morado­ra de Cachoeiras de Macacu, está entre os vol­un­tários que pas­saram pela capac­i­tação. Natália fez um cur­so de con­du­tores de tril­ha no Pro­je­to Guapi­açu, que con­sid­era muito impor­tante para a cidade, e disse que, no tra­bal­ho, sem­pre se depara com muito desre­speito à natureza.

“O ser humano pre­cisa de uma edu­cação ambi­en­tal absur­da, porque é muito lixo. Uma vez, na saí­da de um pas­seio em um poço, vimos que uma família deixou uma saco­la pen­dura­da no gal­ho da árvore. Para chegar ao poço, tem que faz­er tril­ha. Será que essas pes­soas não têm con­sciên­cia de que lá não vai pas­sar cam­in­hão de lixo, de que não tem cole­ta?”, indagou.

Natália disse que, des­de peque­na, inter­es­sa-se por questões rela­cionadas ao meio ambi­ente e é assim que gos­ta de edu­car o fil­ho Paulo César, de 6 anos. “Uma vez tam­bém eu esta­va toman­do ban­ho de rio com meu fil­ho, e ele viu uma pes­soa jog­ar uma tamp­in­ha de gar­rafa, na mes­ma hora ele falou: ‘mãe isso é erra­do’. Ele esta­va cer­to.”

Coleta

Protesto de Ambientalistas na Baía de Guanabara
Repro­dução: Além de cole­tar resí­du­os, ini­cia­ti­va visa chamar a atenção para o cuida­do com o meio ambi­ente — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Na edição ante­ri­or, em jun­ho de 2022, em ape­nas uma hora de tra­bal­ho, foram recol­hi­dos 530 qui­los de resí­du­os em 180 met­ros de faixas de areia. Desse vol­ume, 39% eram resí­du­os plás­ti­cos encon­tra­dos sob difer­entes for­mas, des­de itens maiores, como sacos de plás­ti­co, redes de pesca e frag­men­tos de iso­por, até lacres e anéis de plás­ti­co das embal­a­gens de bebidas.

Na cole­ta foram encon­tra­dos ain­da canudos e brin­que­dos, que podem provo­car lesões nos peix­es, mamífer­os e aves mar­in­has.

Clean Up Bay con­ta com apoio do Pro­je­to Do Mangue ao Mar, em con­vênio com a Transpetro, nas ativi­dades desen­volvi­das na Pra­ia de Piedade, em Magé.

Como ocor­reu no ano pas­sa­do, o Dia de Limpeza da Baía de Gua­n­abara tem a par­tic­i­pação de Moçam­bique, que fará ação semel­hante em uma de suas pra­ias, a de Macane­ta, em ação de limpeza real­iza­da pela Coop­er­a­ti­va de Edu­cação Ambi­en­tal Repen­sar.

Edição: Nádia Fran­co

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