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Bidú Sayão foi uma desbravadora, diz Edson Cordeiro

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Pub­li­ca­do em 11/05/2022 — 07:55 Por Luiz Clau­dio Fer­reira, repórter da Agên­cia Brasil — Brasília


Eru­di­to, pop­u­lar, ver­sátil. O can­tor brasileiro Edson Cordeiro, de 55 anos, acla­ma­do pela críti­ca mundi­al, entende que Bidú Sayão (nasci­da há 120 anos) deve servir de inspi­ração para artis­tas brasileiros. “Nós dev­eríamos sen­tir sem­pre muito orgul­ho dess­es can­tores des­bravadores. Porque ela esta­va soz­in­ha como uma can­to­ra brasileira levan­do e can­tan­do a músi­ca”, afir­mou em entre­vista exclu­si­va à Agên­cia Brasil.

Edson Cordeiro vive na Ale­man­ha há 15 anos e teste­munha que é esper­a­do que os artis­tas rodem o mun­do com seu tal­en­to. “A gente tem que agrade­cer artis­tas como a Bidú Sayão, o Tom Jobim… ess­es artis­tas que lev­am o Brasil para o exte­ri­or. Eles são real­mente nos­sos embaix­adores”. Leia a entre­vista:

Agên­cia Brasil - Qual a importân­cia da Bidú Sayão para a car­reira de um can­tor líri­co?
Edson Cordeiro — A importân­cia da can­to­ra brasileira Bidu Sayão não se restringe ape­nas às pes­soas que fazem músi­ca eru­di­ta. Eu acho que a influên­cia dela está pra todos nós que tra­bal­hamos com músi­ca pop­u­lar tam­bém. Impor­tante para todos os tipos de músi­ca porque nós que somos brasileiros temos que con­hecer os nomes, as pes­soas impor­tantes da nos­sa músi­ca, da nos­sa arte que levaram o nome do Brasil com a sua voz para os teatros mais impor­tantes do mun­do com grande prestí­gio, sendo aplau­di­da pelo mun­do inteiro. Então eu acho que a importân­cia da vida de Bidú Sayão não é só pro can­tor líri­co, é pra todos nós que faze­mos todos os tipos de músi­ca de arte no Brasil.

Leia também: cantora lírica Bidú Sayão foi encantada pelo samba

Ouça reportagem com entrevista de Edson Cordeiro na Radioagência Nacional 

Agên­cia Brasil — E para você, de que for­ma a memória dela te inspirou e te inspi­ra?
Edson Cordeiro - Eu que pesquiso voz, adoro can­toras, né? Eu estou sem­pre pesquisan­do. Des­de muito tem­po, eu ouço falar de Bidú Sayão porque se você gos­ta de músi­ca eru­di­ta e se você can­ta clás­si­cos tam­bém você vai se deparar com a artista.
Então esse é um priv­ilé­gio que a músi­ca nos dá. Con­hecer mun­dos, con­hecer pes­soas, artis­tas que a gente pode influ­en­ciar e mudar a vida da gente. Quan­do eu ouvi a voz da Bidú pela primeira vez, eu fiquei com­ple­ta­mente encan­ta­do com a elegân­cia, com a musi­cal­i­dade, com a entre­ga para o papel que ela tem para a per­son­agem. A Bidú Sayão é obri­gatória se você faz can­to, se você estu­da músi­ca. É um encon­tro que tem que acon­te­cer. Para você poder enten­der mel­hor, até mes­mo o que o com­pos­i­tor pediu. A Bidú tin­ha esse poder. Ela can­ta­va com respeito ao esti­lo do com­pos­i­tor. Ela sem­pre muda­va com­ple­ta­mente para agradar a músi­ca e o com­pos­i­tor. Isso é uma coisa que ela ensi­na. Nesse can­to mar­avil­hoso que ela tem.

Agên­cia Brasil — A Bidú chegou a ser crit­i­ca­da por faz­er a vida fora do país, e chama­da de antipa­trióti­ca. Você tam­bém vive fora do Brasil. O nos­so país acol­he menos a arte do can­tor líri­co?
Edson Cordeiro — É inter­es­sante imag­i­nar que ela foi crit­i­ca­da por ter saí­do do Brasil e ter sido chama­da de antipa­trióti­ca. É quase engraça­do porque, na ver­dade, eu vivo aqui na Ale­man­ha e vejo que os can­tores que can­tam ópera aqui, rara­mente, eles são alemães. Eles são can­tores dos Esta­dos Unidos, do Japão, de todos os dos lugares do mun­do. Por todos os lugares, a gente via­ja.  A Amália Rodrigues sofreu da mes­ma críti­ca quan­do ela lev­ou o fado pra fora de Por­tu­gal. Talvez a gente ten­ha ess­es ciúmes dos nos­sos artis­tas. Eu não sei o que seria isso. Mas a Bidú Sayão, muito pelo con­trário, lev­ou o Brasil para fora. Ela sem­pre fez questão de levar o nome da can­to­ra brasileira, enten­deu? Nós dev­eríamos sen­tir sem­pre muito orgul­ho dess­es can­tores des­bravadores porque ela esta­va soz­in­ha como uma can­to­ra brasileira levan­do can­tan­do a músi­ca. A ópera é um lugar que não não existe pátria. A ópera abriu mais a mul­ti­cul­tur­al­i­dade.  A gente tem que agrade­cer Tom Jobim, ess­es artis­tas que lev­am o Brasil para fora com tan­ta difi­cul­dade. Eles são real­mente os nos­sos embaix­adores.  E eu, na ver­dade, ten­ho uma situ­ação bem difer­ente.  Eu sou um can­tor pop­u­lar e eu estou aqui com todo o meu recon­hec­i­men­to. Tudo o que eu con­quis­tei foi no Brasil. Só estou na Ale­man­ha porque o Brasil disse sim pra mim antes. A min­ha car­reira é o meu públi­co brasileiro. Eu estou sem­pre no Brasil fazen­do shows. Antes da pan­demia, eu ia com mais fre­quên­cia. Bidú  teria que ir pra Europa. Ela teria que via­jar pra can­tar porque eu vejo que isso acon­tece com todos os can­tores líri­cos.

Ouça playlist da Rádio MEC com Bidú Sayão

Con­fi­ra entre­vista exclu­si­va do Acer­vo da Rádio MEC

Edição: Alessan­dra Esteves

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