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Carnaval seguro no Rio exige cobertura vacinal de 80%, diz relatório

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Proposta foi enviada à Câmara Municipal por pesquisadores


Pub­li­ca­do em 14/10/2021 — 06:30 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Os pesquisadores Her­mano Cas­tro, da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), e Rober­to Medron­ho, da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), enviaram pro­pos­ta ao pres­i­dente da Comis­são Espe­cial de Car­naval da Câmara de Vereadores do Rio, Tar­cí­sio Mot­ta, de indi­cadores para a real­iza­ção de um car­naval seguro em 2022. O relatório foi encam­in­hado tam­bém à Comis­são Cien­tí­fi­ca do municí­pio.

De acor­do com Mot­ta, o mais impor­tante é a questão da vaci­nação e que a cober­tu­ra vaci­nal alcance números sig­ni­fica­tivos, não ape­nas na cap­i­tal flu­mi­nense. “Como o car­naval é um even­to que recebe muitos tur­is­tas na cidade, é pre­ciso que a gente fique com 80% da vaci­nação tam­bém no esta­do e no país”, disse ele. O índice se ref­ere às duas dos­es com­ple­tas ou à dose úni­ca.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o pesquisador Her­mano Cas­tro, da Fiocruz, expli­cou que há neces­si­dade de esta­b­ele­cer o mes­mo per­centu­al para a cidade, o esta­do e o país, porque o Rio de Janeiro é o cen­tro do car­naval no Brasil e recebe mui­ta gente de out­ras local­i­dades. “O ide­al é que você ten­ha atingi­do a imu­nidade cole­ti­va de 80%”, afir­mou.

Essa imu­nidade é basea­da em um cál­cu­lo que se faz em epi­demi­olo­gia, que tem a ver com a taxa de con­t­a­m­i­nação, a taxa de trans­mis­são da vari­ante Delta, que está de 5 a 9,5. Ou seja, uma pes­soa pode pas­sar a covid-19 para out­ras cin­co e até nove. Antes pas­sa­va para três. “É basea­do nis­so”. Cas­tro avaliou que, com o avanço da vaci­nação, é pos­sív­el que até o car­naval, se alcance os 80%. “O próprio municí­pio do Rio vai atin­gir esse pata­mar”.

Média móvel

No relatório, os pesquisadores defini­ram out­ros indi­cadores para a cap­i­tal do esta­do. Um deles é a média móv­el de atendi­men­tos na rede munic­i­pal de saúde. “O indi­cador de atendi­men­to na rede de urgên­cia e emergên­cia por dia no municí­pio pode ser uti­liza­do por meio do atendi­men­to diário e de sua média móv­el de sete dias, com­putan­do casos de sín­drome gri­pal e sín­drome res­pi­ratória agu­da grave”, diz o relatório.

A pro­pos­ta que está sendo sub­meti­da ao comitê de espe­cial­is­tas da cap­i­tal flu­mi­nense envolve uma média móv­el sem­anal menor que 110 casos, ou o mes­mo que 1,63 caso por 100 mil habi­tantes, com o menor tem­po e a menor quan­ti­dade de pes­soas para garan­tir o aces­so às enfer­marias e às unidades de UTI. O indica­ti­vo é não haver fila. “A gente colo­cou um número de três pes­soas, no máx­i­mo, esperan­do uma hora. O ide­al é que seja zero, como está atual­mente. A fila está zero. Não tem ninguém esperan­do. Sig­nifi­ca que há poucos casos sendo aten­di­dos na rede munic­i­pal”.

Out­ro indi­cador é a taxa de testes pos­i­tivos. De cada 100 testes que são cole­ta­dos e lev­a­dos para lab­o­ratório, a taxa de pos­i­tivi­dade está menor que 5%. “Na sem­ana pas­sa­da era 4%. Sig­nifi­ca que de cada 100 amostras cole­tadas na pop­u­lação para diag­nos­ticar covid-19, só qua­tro vin­ham pos­i­ti­vas. É uma taxa boa”, disse Her­mano Cas­tro.

A taxa de con­tá­gio da cidade, defini­da como R, que deter­mi­na o poten­cial de propa­gação do vírus, deve estar abaixo de 1 e, pref­er­en­cial­mente, em torno de 0,5, quan­do cada vez menos indi­ví­du­os se infec­tam e o número de con­tá­gios retro­cede. Esse número deve ser sus­ten­ta­do por um perío­do mín­i­mo de sete dias. Segun­do Cas­tro, ess­es indi­cadores não são difí­ceis de atin­gir. “Eu acho que é um esforço gov­er­na­men­tal impor­tante avançar com as vaci­nas”.

O pres­i­dente da Comis­são Espe­cial de Car­naval da Câmara, Tar­cí­sio Mot­ta, defend­eu que ess­es são os ele­men­tos que devem ser obser­va­dos para que se ten­ha um car­naval seguro. “É bas­tante prováv­el que isso acon­teça. Nós esta­mos com todos ess­es indi­cadores mel­ho­ran­do. Se nada de muito ruim acon­te­cer no cam­in­ho, podemos ter um car­naval ale­gre e seguro”. Ele espera que o Comitê Cien­tí­fi­co avance em suas anális­es para que, até o dia 2 de dezem­bro, o relatório final da comis­são pos­sa apre­sen­tar suas recomen­dações à prefeitu­ra do Rio. “A questão é acom­pan­har, fis­calizar e faz­er o mon­i­tora­men­to dess­es índices”.

Mot­ta reforçou que se nada de anor­mal acon­te­cer de ago­ra até fevereiro de 2022, o car­naval poderá ser real­iza­do. “A nos­sa questão é essa: só poder­e­mos ter car­naval se ele não for um risco para a vida. Ele não será um risco para a vida se ess­es indi­cadores estiverem mon­i­tora­dos. Se for necessário dis­tan­ci­a­men­to e más­cara, não haverá car­naval”.

Orientações

Os pesquisadores sug­eri­ram tam­bém ori­en­tações pro­to­co­lares. Para a rede hoteleira, por exem­p­lo, a recomen­dação é que antes e durante o car­naval, os hotéis cobrem dos hós­pedes o pas­s­aporte vaci­nal. “Só pode hospedar no hotel, no hos­tel (alber­gue) ou no Airbnb (hospedagem em residên­cias pri­vadas) se tiv­er com a carteira de vaci­na do local de pro­cedên­cia, seja de out­ro país, out­ro esta­do ou out­ro municí­pio flu­mi­nense. Isso deve ser uma exigên­cia pre­lim­i­nar, para que o hotel pos­sa só admi­tir hospedagem se tiv­er com a carteira de vaci­nação em dia”.

Her­mano Cas­tro lem­brou que o relatório bus­ca, real­mente, um car­naval seguro. “Nes­sa fes­ta, é difí­cil a gente pro­por uso de más­cara, a não ser a más­cara de car­naval, e dis­tan­ci­a­men­to social. São coisas difí­ceis”. Ele con­sid­era que para haver car­naval e aglom­er­ação, com pes­soas próx­i­mas das out­ras, sem a más­cara, é necessário ter padrões e indi­cadores bem rígi­dos para que o ambi­ente seja o mais seguro pos­sív­el.

O pres­i­dente da Comis­são de Car­naval da Câmara, Tar­cí­sio Mot­ta, sug­eriu que, em ambi­entes fecha­dos, pos­sa haver a cobrança do pas­s­aporte vaci­nal. À prefeitu­ra, disse que pode­ri­am ser mon­ta­dos estandes de testagem para os foliões, com a real­iza­ção de estu­dos sobre como o vírus vai se com­por­tar ao lon­go do car­naval, para fins de con­t­role.

Audiência pública

O relatório foi uma respos­ta dos pesquisadores da Fiocruz e da UFRJ à audiên­cia públi­ca da qual par­tic­i­param, pro­movi­da pelos car­navale­scos do Rio e pelas autori­dades públi­cas car­i­o­cas, visan­do ao encam­in­hamen­to de sug­estões para o comitê cien­tí­fi­co do municí­pio.

Her­mano Cas­tro lem­brou que antes do car­naval, o Rio de Janeiro terá a exper­iên­cia do réveil­lon. Por isso, acred­i­ta que os mem­bros do comitê já estari­am estu­dan­do os indi­cadores e ori­en­tações pro­pos­tos no relatório. “Tam­bém o réveil­lon recebe mil­hares de pes­soas de todo o mun­do”, desta­cou.

A cober­tu­ra vaci­nal na cidade do Rio está em quase 60% atual­mente. Her­mano Cas­tro acred­i­ta que já em novem­bro, atin­girá 65%, chegan­do em dezem­bro a 80%. “Como o car­naval é em fevereiro, acho que a gente con­segue atin­gir ess­es indi­cadores”. No Brasil, a cober­tu­ra está mais lenta, da ordem de 46%. Mas, com a primeira dose, o per­centu­al de brasileiros alcança 70%. “Con­tan­do que todos ess­es vão tomar a segun­da dose no Brasil, você já tem hoje 70% vaci­na­dos. Já está bem per­to. O que não pode é fal­tar vaci­na”. No esta­do do Rio, a vaci­nação está mais atrasa­da (em torno de 41%), porque há municí­pios que não vaci­naram nem 10% da pop­u­lação ain­da. Para Cas­tro, é impor­tante pres­sion­ar as autori­dades para vaci­nar a pop­u­lação. “É fun­da­men­tal”.

Ele lem­brou ain­da que os indi­cadores aju­dam as autori­dades a decidir o que pode e o que não pode ser lib­er­a­do no car­naval. Se o pas­s­aporte vaci­nal for exigi­do, por exem­p­lo, reduz o risco de pes­soas não vaci­nadas irem para a cidade, além do risco de trans­mis­são, adoec­i­men­to e morte durante o próprio car­naval, emb­o­ra o impacto dis­so só seja perce­bido após o even­to.

Outras medidas

O relatório indi­ca out­ras medi­das a serem tomadas pelas autori­dades. Entre elas está a exigên­cia do pas­s­aporte vaci­nal em espaços fecha­dos, como no Sam­bó­dro­mo, clubes, bares e casas de fes­tas, uma for­ma de pro­teção e dire­ito cole­ti­vo em saúde públi­ca. Além dis­so, o lev­an­ta­men­to sug­ere con­t­role de fron­teiras aéreas e ter­restres, prin­ci­pal­mente com a exigên­cia da vaci­na, garan­tia de tra­bal­ho seguro nos bar­racões para os colab­o­radores, com a ofer­ta de um pro­je­to de segu­rança san­itária, onde pos­sa ser ofer­e­ci­da a testagem para os tra­bal­hadores, dis­tribuição de más­cara, dis­tan­ci­a­men­to físi­co e higi­en­iza­ção das mãos.

O doc­u­men­to sug­ere tam­bém a con­strução de mecan­is­mos públi­cos, como um Painel do Car­naval, para o mon­i­tora­men­to dos indi­cadores ao lon­go de todo o proces­so, começan­do, no mín­i­mo, 100 dias antes do car­naval, e ter­mi­nan­do até 30 dias depois a fes­ta. Um sis­tema de divul­gação públi­ca dev­erá ser mon­ta­do para infor­mar as agremi­ações e cole­tivos car­navale­scos sobre a segu­rança san­itária e a via­bil­i­dade do car­naval, bem como cal­cu­lar o impacto sobre a cidade após o even­to.

Edição: Graça Adju­to

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