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Conselho de Veterinária alerta para doença que afeta gatos

Esporotricose causada por fungos vem aumentando ano após ano em SP

Guil­herme Jerony­mo — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 04/01/2026 — 10:27
São Paulo
Posto de vacinação no Rio Comprido, região central da cidade. Rio inicia hoje(27) campanha de vacinação antirrábica para cães e gatos.
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na Vet­er­inária do Esta­do de São Paulo aler­ta para o aumen­to de casos de esporotri­cose ani­mal na cidade. A doença cau­sa­da por fun­gos do gênero Sporothrix é con­sid­er­a­da pre­ocu­pante e “já rep­re­sen­ta um impacto sig­ni­fica­ti­vo na saúde ani­mal e humana”. 

Os fun­gos afe­tam prin­ci­pal­mente os gatos, pois são bem adap­ta­dos à tem­per­atu­ra cor­po­ral da espé­cie, con­sid­er­a­da chave para a cadeia de trans­mis­são. A esporotri­cose é um risco para ani­mais soltos, sendo con­sid­er­a­da como “um dos prin­ci­pais desafios san­itários urbanos rela­ciona­dos a zoonoses no Brasil”, infor­ma o con­sel­ho, que edi­tou nor­ma téc­ni­ca para os profis­sion­ais paulis­tas. 

“Os gatos con­traem a doença por inoc­u­lação traumáti­ca, seja pelo con­ta­to com solo – ao cavar – com espin­hos, las­cas de madeira ou matéria orgâni­ca con­t­a­m­i­na­dos, seja pelo con­ta­to dire­to com out­ros ani­mais doentes, prin­ci­pal­mente durante brigas, arran­hões e mord­e­duras, ou, ain­da, pelo con­ta­to com secreções de lesões cutâneas, con­sid­er­a­da a prin­ci­pal via de con­t­a­m­i­nação”, infor­ma a coor­de­nado­ra téc­ni­ca médi­ca-vet­er­inária do con­sel­ho, Car­la Maria Figueire­do de Car­val­ho.

A doença é obser­va­da em todas as regiões do país, com maior incidên­cia nos esta­dos do Sul e Sud­este. Há trans­mis­são entre ani­mais domés­ti­cos e sel­vagens e com trans­mis­são de cer­ca de mil casos por ano para humanos, e tem avança­do con­tin­u­a­mente des­de 2011 em ter­ritório paulista, se espal­han­do por municí­pios da Região Met­ro­pol­i­tana e do litoral.

Entre 2022 e 2023, o número de casos con­fir­ma­dos de esporotri­cose ani­mal no esta­do aumen­tou de 2.417 para 3.309.

“Ape­sar desse cresci­men­to, a noti­fi­cação da doença em ani­mais ain­da não é obri­gatória na maior parte do ter­ritório paulista, o que difi­cul­ta a men­su­ração real do prob­le­ma e o plane­ja­men­to de estraté­gias efi­cazes de con­t­role”, expli­ca a nota do con­sel­ho.

Com o aumen­to de casos a vari­ante humana da doença pas­sou a ter noti­fi­cação com­pul­sória des­de o primeiro semes­tre de 2025, mas suas vari­antes zoonóti­cas não o tem. O Pro­je­to de Lei n˚ 707/2025, que trami­ta na Assem­bléia Leg­isla­ti­va do esta­do, propõe tornar obri­gatória a noti­fi­cação de todos os casos sus­peitos e con­fir­ma­dos de esporotri­cose em humanos e ani­mais aos serviços de vig­ilân­cia epi­demi­ológ­i­ca estad­ual. Hoje há ori­en­tação para que casos em ani­mais sejam noti­fi­ca­dos.

O Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na Vet­er­inária do Esta­do de São Paulo aler­ta que os sin­tomas da esporotri­cose em humanos podem sur­gir entre poucos dias e até três meses após a infecção.

“Geral­mente, a doença se man­i­fes­ta ini­cial­mente como um pequeno nódu­lo indo­lor que, com o tem­po, pode aumen­tar de taman­ho e evoluir para uma feri­da aber­ta. As for­mas clíni­cas da esporotri­cose humana depen­dem do esta­do imunológi­co do paciente e da pro­fun­di­dade das lesões, poden­do se apre­sen­tar de for­ma cutânea, atingin­do a pele, o teci­do sub­cutâ­neo e o sis­tema lin­fáti­co, ou de for­ma extra­cutânea, com dis­sem­i­nação para órgãos como pul­mões, ossos e artic­u­lações”, expli­ca Car­la Maria.

O atendi­men­to médi­co deve ser procu­ra­do logo que sur­jam os primeiros sin­tomas. Quan­do não trata­da ade­quada­mente, a esporotri­cose pode evoluir para feri­das exten­sas e for­mação de nódu­los, e pode se dis­sem­i­nar para além da pele em pes­soas com imunos­su­pressão, atingin­do pulomões, ossos e artic­u­lações.

O con­sel­ho tam­bém aler­ta para a importân­cia de tratar ani­mais doentes e evi­tar seu aban­dono, que­bran­do a cadeia de infecções. Gatos com sinais sus­peitos devem ser avali­a­dos por médi­co-vet­er­inário e, sem­pre que pos­sív­el, sub­meti­dos a exam­es lab­o­ra­to­ri­ais para con­fir­mar o diag­nós­ti­co.

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