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Deputado estadual é preso por intermediar armas para facção no Rio

Operação conjunta mira traficantes, PMs, delegado e ex-secretário

Bruno de Fre­itas Moura — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 03/09/2025 — 11:23
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 25/06/2025 - Polícia Federal - PF - deflagra operação em combate ao crime de armazenamento de imagens de abuso sexual infantojuvenil. Foto: PF/Divulgação
Repro­dução: © PF/Divulgação

O dep­uta­do estad­ual Tiego Raimun­do dos San­tos Sil­va (MDB-RJ), con­heci­do como TH Joias, foi pre­so nes­ta quar­ta-feira (3), sus­peito de inter­me­di­ar a com­pra e ven­da de armas para o Coman­do Ver­mel­ho, prin­ci­pal facção crim­i­nosa do esta­do.

O dep­uta­do foi alvo de uma oper­ação da Força Integra­da de Com­bate ao Crime Orga­ni­za­do no Rio (Fic­co-RJ), com­pos­ta pela Polí­cia Fed­er­al (PF), Polí­cia Civ­il e Min­istério Públi­co do Esta­do (MPRJ). Ele foi deti­do em um con­domínio de luxo na Bar­ra da Tiju­ca, bair­ro da zona oeste.

De acor­do com as inves­ti­gações, TH Joias tem lig­ação dire­ta com líderes do Coman­do Ver­mel­ho, nas comu­nidades Com­plexo do Alemão, da Maré e Para­da de Lucas, todas na zona norte car­i­o­ca.

Além de inter­me­di­ar a com­pra e ven­da de arma­men­to, como fuzis, TH Joias nego­ci­a­va dro­gas e equipa­men­tos antidrones, para difi­cul­tar a ação poli­cial nos ter­ritórios ocu­pa­dos pela facção.

“O par­la­men­tar uti­liza­va o manda­to para favore­cer o crime orga­ni­za­do”, diz comu­ni­ca­do da Polí­cia Civ­il, que bati­zou a oper­ação de Ban­deirantes.

Os inves­ti­gadores iden­ti­ficaram movi­men­tações finan­ceiras sus­peitas que reforçam a acusação de lavagem de din­heiro.

Entre os alvos da oper­ação estão tam­bém traf­i­cantes, asses­sores par­la­mentares, um del­e­ga­do fed­er­al, poli­ci­ais mil­itares (PMs) e o ex-secretário estad­ual e munic­i­pal do Rio Alessan­dro Pit­o­mbeira Car­ra­ce­na, que foi pre­so.

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Presos

Por vol­ta das 10h, 14 pes­soas havi­am sido pre­sas, segun­do a PF, que bati­zou a oper­ação de Zar­gun. Ao todo, são 18 man­da­dos de prisão pre­ven­ti­va e 22 man­da­dos de bus­ca e apreen­são expe­di­dos pelas Justiça Fed­er­al e estad­ual.

Na esfera estad­ual, por causa do foro priv­i­le­gia­do do dep­uta­do, a inves­ti­gação trami­tou na Procu­rado­ria-Ger­al de Justiça, autori­dade máx­i­ma do MPRJ, coman­da­da pelo procu­rador-ger­al Anto­nio José Cam­pos Mor­eira.

A PF infor­mou que o Tri­bunal Region­al Fed­er­al da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espíri­to San­to) deter­mi­nou o seque­stro de bens e val­ores dos inves­ti­ga­dos, chegan­do a R$ 40 mil­hões, além do afas­ta­men­to de agentes públi­cos, sus­pen­são de ativi­dades de empre­sas uti­lizadas para lavagem de din­heiro e trans­fer­ên­cia emer­gen­cial de lid­er­anças da facção para presí­dios fed­erais de segu­rança máx­i­ma.

Ain­da segun­do a PF, a orga­ni­za­ção “se infil­tra­va na admin­is­tração públi­ca para garan­tir impunidade e aces­so a infor­mações sig­ilosas”. Armas eram impor­tadas do Paraguai; e equipa­men­tos antidrone, da Chi­na. Além dis­so, eram reven­di­dos até para facções rivais.

Divisão do esquema

O MPRJ detal­hou o envolvi­men­to de cin­co alvos da ação:

TH Joias: o par­la­men­tar, além de inter­me­di­ar com­pra e ven­da de armas e dro­gas, uti­li­zou o manda­to para favore­cer a orga­ni­za­ção crim­i­nosa, “inclu­sive nome­an­do com­parsas para car­gos na Assem­bleia Leg­isla­ti­va do Esta­do do Rio de Janeiro (Alerj)”.

Traf­i­cante: out­ro denun­ci­a­do é apon­ta­do como um dos líderes da facção, “respon­sáv­el pelo con­t­role finan­ceiro do grupo e pela autor­iza­ção de paga­men­tos vul­tosos”, incluin­do a autor­iza­ção para a com­pra dos antidrones usa­dos para difi­cul­tar a atu­ação poli­cial.

Tesoureiro do trá­fi­co: o denun­ci­a­do exer­cia a função de tesoureiro, encar­rega­do de armazenar dro­gas, guardar val­ores mil­ionários, efe­t­u­ar paga­men­tos e inter­me­di­ar nego­ci­ações de armas e munições.

Asses­sor par­la­men­tar: o quar­to denun­ci­a­do, asses­sor par­la­men­tar, atu­a­va como fornece­dor de equipa­men­tos espe­cial­iza­dos à facção, em espe­cial os dis­pos­i­tivos antidrones. Ele tam­bém era respon­sáv­el pelos testes em cam­po e ensi­na­va out­ros inte­grantes da facção a operá-los. Ele foi indi­ca­do à Alerj pelo dep­uta­do, como for­ma de enco­brir as ativi­dades ilíc­i­tas.

Mul­her do tesoureiro: a denun­ci­a­da, casa­da com o tesoureiro, havia sido nomea­da para um car­go comis­sion­a­do na Alerj. A função dela era servir de elo entre o grupo crim­i­noso e o Leg­isla­ti­vo.

Agên­cia Brasil bus­cou con­tan­to com o gabi­nete do dep­uta­do TH Joias, mas não obteve retorno.

Em nota, a Alerj infor­mou que tomou con­hec­i­men­to da expe­dição de man­da­dos de bus­ca e apreen­são no gabi­nete do dep­uta­do e que as diligên­cias foram acom­pan­hadas pela Procu­rado­ria da Casa, “que prestou apoio às autori­dades com­pe­tentes”.

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