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Dia Nacional da Música Clássica celebra o legado de Villa-Lobos

ORIGINAL CAPTION READS: Heitor Villa-Lobos (1881-1959), Brazilian Composer-Conductor at the piano. Undated photograph.
© Arquivo/Bettmann (Repro­dução)

Data é comemorada desde 2009 e marca nascimento de compositor


Pub­li­ca­do em 05/03/2021 — 08:54 Por Edgard Mat­su­ki — Brasília

O ano era 2005. Na ocasião, a revista cul­tur­al Viva Músi­ca propôs a cri­ação de um dia em hom­e­nagem à músi­ca clás­si­ca no Brasil. De acor­do com a edi­to­ra da pub­li­cação, Heloisa Fis­ch­er, tudo começou com uma con­statação: ao con­trário de out­ros gêneros, a músi­ca clás­si­ca não tin­ha um dia nacional de cel­e­bração.

“A ideia de pro­por esse dia nasceu de uma con­statação nos­sa lá do Viva Músi­ca. Meu sócio, Luiz Alfre­do Morais, que me chamou atenção. Ele disse ‘porque não tem o dia da músi­ca clás­si­ca’ e eu falei ‘eu acho que não tem porque o pes­soal ain­da não pen­sou nis­so, vamos pro­por então’. E foi assim que nasceu a ideia”, rela­ta.

Para decidir qual seria a mel­hor data, foi lança­da uma con­sul­ta a profis­sion­ais do setor. Com o apoio de veícu­los como a MEC FM e a rádio Cul­tura FM, a con­sul­ta se expandiu a amantes do gênero. Com quase metade dos 7 mil votos totais, a data do nasci­men­to do com­pos­i­tor Heitor Vil­la-Lobos (5 de março) foi a escol­hi­da. A data foi incluí­da no cal­endário da cidade do Rio de Janeiro, no esta­do do Rio de Janeiro e, em 2009, um decre­to do gov­er­no fed­er­al insti­tuía a data nacional­mente.

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Vil­la-Lobos em Paris, na apre­sen­tação de ‘Desco­bri­men­to do Brasil’, com a Orques­tra Nacional e o Coro da Radiod­i­fusão France­sa. Imagem de 28 de fevereiro de 1952. — Foto cedi­da pelo Museu Vil­la-Lobos/Ar­qui­vo (Repro­dução)

Des­de então, o dia 5 de março é o Dia Nacional da Músi­ca Clás­si­ca. Para Heloisa, a data aju­da na divul­gação do gênero e é uma jus­ta hom­e­nagem a Vil­la-Lobos. “O dia aju­da a pro­mover a músi­ca clás­si­ca e aumen­ta a vis­i­bil­i­dade nos meios de comu­ni­cação.  A hom­e­nagem é jus­ta. Vil­la-Lobos é o grande nome da músi­ca clás­si­ca no Brasil e um dos maiores nomes das Améri­c­as. É um gigante e rep­re­sen­ta muito bem o Brasil”, diz. Con­fi­ra a pro­gra­mação espe­cial veic­u­la­da na Rádio MEC para mar­car o dia.

A opinião de Heloísa é endos­sa­da por nomes de peso da músi­ca eru­di­ta nacional. Pres­i­dente da Acad­e­mia Brasileira de Músi­ca (insti­tu­ição que, por sinal, foi fun­da­da por Vil­la-Lobos) e dire­tor da Sala Cecília Meirelles, o mae­stro João Guil­herme Rip­per desta­ca a importân­cia de uma data para cel­e­brar a músi­ca clás­si­ca brasileira e Vil­la-Lobos. “Vil­la-Lobos sin­te­ti­za a musi­cal­i­dade brasileira. A obra sin­te­ti­za as ver­tentes europeia, africana, indí­ge­na. Isso tudo encon­trou nele um gênio que colo­cou na pau­ta de uma for­ma real­mente mar­avil­hosa essa músi­ca que tan­to nos rep­re­sen­ta”, afir­ma.

Rip­per lem­bra que a influên­cia de Vil­la-Lobos, que tam­bém era um “chorão” (músi­co de chor­in­ho), tam­bém se esten­deu à músi­ca pop­u­lar do Brasil. “Ele encon­trou um con­trapon­to do vio­lão no choro e a músi­ca de bar. A har­mo­nia tem con­se­quên­cias na músi­ca pop­u­lar. Quan­to de Vil­la-Lobos nós encon­tramos em Tom Jobim?”, diz.

Confira o depoimento, em vídeo, de João Guilherme Ripper:

Para o com­pos­i­tor Hen­rique Macha­do, vence­dor do Fes­ti­val da Músi­ca Rádio MEC de 2017, o caráter da obra de Vil­la-Lobos tor­na mais jus­ta ain­da a hom­e­nagem: “Vil­la-Lobos tin­ha um lado nacional­ista. De traz­er pais­agens em suas com­posições. Então nada mais jus­to para um com­pos­i­tor que tin­ha o nacional­is­mo em suas obras ter o Dia Nacional da Músi­ca Clás­si­ca comem­o­ra­do no dia do nasci­men­to dele”.

Macha­do tam­bém relem­bra que a obra de Vil­la-Lobos aju­dou no apri­mora­men­to de sua téc­ni­ca musi­cal. “Tocar uma com­posição de Vil­la-Lobos é sinal de ter um nív­el mais avança­do auto­mati­ca­mente. Porque, geral­mente, não são peças fáceis de se realizar. Aca­ba servin­do para medir o quão avança­do um instru­men­tista é”, diz.

O músi­co, porém, desta­ca que o lega­do de Vil­la-Lobos vai muito além da téc­ni­ca. “Pelo man­u­scrito dele, você vê o sen­ti­men­to falan­do mais alto. Se você tem uma peça téc­ni­ca, OK. Mas se tem uma peça com sen­ti­men­to, é essa que toca o públi­co. As músi­cas do Vil­la-Lobos tin­ham muito dis­so. Era um bom equi­líbrio entre a parte téc­ni­ca e sen­ti­men­tal. Até hoje eu escu­to Melo­dia Sen­ti­men­tal e vou juntin­ho com a melo­dia do começo. E quan­do eu ouço a Val­sa da Dor, eu choro. Eu sin­to a dor da melo­dia”, rela­ta.

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Vil­la-Lobos, em 19 de novem­bro de 1940 (imagem com ded­i­catória escri­ta à esposa, Armin­da) — Foto cedi­da pelo Museu Vil­la-Lobos/Ar­qui­vo (Repro­dução)

Hom­e­nagea­do no Dia Nacional da Músi­ca, Heitor Vil­la-Lobos nasceu em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro. Ele com­pôs, durante a vida, quase duas mil obras, den­tre Bachi­anas Brasileiras, choros, con­cer­tos e obras para vio­lão. Vil­la-Lobos mor­reu em 17 de novem­bro de 1959, tam­bém no Rio de Janeiro.

Para além de Villa-Lobos, dez clássicos da música clássica

Emb­o­ra o Dia Nacional da Músi­ca Clás­si­ca hom­e­nageie o nasci­men­to de Heitor Vil­la-Lobos, engana-se quem pen­sa que o gênero se limi­ta ao com­pos­i­tor. A pro­va dis­so está em uma playlist de “clás­si­cos da músi­ca clás­si­ca brasileira”, sele­ciona­da pela Rádio MEC. Na lista, há com­posições do sécu­lo 19 até músi­cas con­tem­porâneas. As obras estão em ordem cronológ­i­ca. Con­fi­ra:

1) Te Deum — Padre José Mau­rí­cio Nunes Gar­cia

2) Ópera O Guarani - Car­los Gomes

3) Obras para piano — Glau­co Velasquez

4) Série Brasileira — Alber­to Nepo­mu­ceno

5) Bachi­anas Brasileiras - Heitor Vil­la-Lobos

6) Choros — Heitor Vil­la-Lobos

7) Obra para vio­lão — Heitor Vil­la-Lobos

8) Mara­catu do Chico Rei - Fran­cis­co Mignone

9) Piedade — João Guil­herme Rip­per

10) Scher­zo da Sin­fo­nia nº1 em Sol Menor – Hen­rique Macha­do

Edição: Nathália Mendes

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