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Exposição no Palácio Tiradentes celebra os 75 anos do Maracanã

Estádio foi palco para craques, estrelas da música e até o Papa

Cristi­na Índio do Brasil — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 30/08/2025 — 09:09
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2025 – Exposição no Palácio Tiradentes, no centro do Rio, marca a passagem dos 75 Anos do Maracanã. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Dois sím­bo­los do Rio de Janeiro se jun­tam e trazem história para o públi­co na exposição 75 Anos do Mara­canã: Um sen­hor está­dio a todo vapor, que estreia neste sába­do (30), às 10h, e seguirá até o dia 20 de out­ubro. A mostra foi insta­l­a­da no Palá­cio Tiradentes, onde fun­cio­nou a Assem­bleia Leg­isla­ti­va do Rio de Janeiro (Alerj) até agos­to de 2021, quan­do foi trans­feri­da para o pré­dio do anti­go Ban­co do Esta­do do Rio de Janeiro (Banerj), tam­bém no cen­tro do Rio.

A exposição prom­ete emoções que podem vir de memórias ou de apren­diza­dos con­forme o públi­co per­cor­rer as obras insta­l­adas. E isso não vale só para os fãs do fute­bol, con­ta o cole­cionador e curador da exposição, Alex Bra­ga, que é dono de 75% do acer­vo.

“O prin­ci­pal é encon­trar, na exposição, uma peça de um show ou de um jogo no Mara­canã que você foi com seu pai, e ele não está mais aqui, ou que foi com seu avô, que não está mais aqui. Hoje, você é um adul­to. Mas, um dia, seu pai o con­duz­iu para o show de 50 anos de car­reira do Rober­to Car­los no Mara­canã. Às vezes, a pes­soa nem gos­ta de fute­bol, mas vai se encon­trar nes­ta peça. Ninguém que entra aqui [na exposição] sai no 0x0”.

Ao todo, são 430 peças de um acer­vo raro, que inclui itens como: a cadeira per­pé­tua do está­dio da época da sua inau­gu­ração, em 1950; a bola uti­liza­da na des­pe­di­da de Pelé da Seleção Brasileira, em 1971; a medal­ha do títu­lo mundi­al do San­tos; e uma camisa auto­grafa­da por Gar­rin­cha, usa­da em seu últi­mo jogo no está­dio, em 1973. Além dess­es, há tesouros das car­reiras de atle­tas como Zico, Rober­to Dina­mite, Romário, Rena­to Gaú­cho, Ney­mar e Maradona.

A exposição tam­bém recor­da que, nos seus 75 anos, o Mara­canã tam­bém foi pal­co para shows e even­tos inesquecíveis, entre eles, as vis­i­tas do Papa João Paulo II, em 1980 e em 1997; e o show do can­tor Frank Sina­tra, em 26 de janeiro de 1980.

Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2025 – Exposição no Palácio Tiradentes, no centro do Rio, marca a passagem dos 75 Anos do Maracanã. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Sina­tra foi uma das estre­las que mar­cou a história do está­dio Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Das figurinhas às raridades

Uma das pelas que Alex desta­ca em sua coleção é a camisa da des­pe­di­da do Gar­rin­cha, usa­da em uma par­ti­da fes­ti­va, chama­da de Jogo da Gratidão, em 1973. Emb­o­ra fos­se nas cores verde e amarela, a camisa não era a ofi­cial da Con­fed­er­ação Brasileira de Fute­bol (CBF). No amis­toso, os times eram for­ma­dos por jogadores brasileiros da seleção e estrangeiros que jogavam no Brasil.

“O Fun­do Garan­tia do Atle­ta Profis­sion­al (Fugap) cedeu a camisa para o uni­forme especí­fi­co do jogo, e a seleção brasileira jogou com aque­la camisa. [Foram escal­a­dos] prati­ca­mente todos os jogadores [da seleção da Copa do Mun­do] de 1970, com Gar­rin­cha no lugar do Jairz­in­ho. Isso foi em 73. Essa camisa é valiosís­si­ma e ain­da está auto­grafa­da pelo Gar­rin­cha, que prati­ca­mente não dava autó­grafos. Ele não gosta­va”, rela­tou Alex, lem­bran­do que a com­prou há dois anos e meio, de out­ro cole­cionador.

A vida de cole­cionador começou cedo para ele. Alex tin­ha ape­nas 7 anos quan­do se inter­es­sou por jun­tar itens rela­ciona­dos ao fute­bol. Em 1978, ano de Copa do Mun­do na Argenti­na, ele mora­va no bair­ro de Oswal­do Cruz, zona norte do Rio, onde nasceu e cresceu. A mãe, Maria José, era pro­fes­so­ra em uma esco­la munic­i­pal e tin­ha dire­ito a uma cota de amostras grátis de fig­ur­in­has de álbuns, que as edi­toras lev­avam para dis­tribuir nas esco­las.

“Como a gente tin­ha uma vida finan­ceira­mente muito sim­ples, foi o primeiro aces­so, o primeiro degrau, ao que era mais bara­to no mer­ca­do de coleção, que é a fig­ur­in­ha de fute­bol”, con­tou à Agên­cia Brasil. “As min­has primeiras coleções foram aos 7 anos de idade. Dali em diante, eu cole­ciona­va coisas acessíveis, e até algu­mas que não eram do fute­bol. O hábito de preser­var histórias e coisas lig­adas ao fute­bol começou aí”, rev­el­ou,

E a mãe não era a úni­ca da família que o impul­sio­nou a começar sua coleção. Seu avô, Paulo, quan­do ia à padaria com­prar o pão e o leite do café da man­hã, pedia tam­bém as tamp­in­has das gar­rafas de Coca-Cola, que tin­ham os ros­tos dos jogadores da Copa de 1978. Como a família só tin­ha refrig­er­antes em aniver­sários, Alex lem­bra que fica­va feliz quan­do o avô chega­va com um saco cheio de tamp­in­has para ele.

“Mais tarde, come­cei a com­prar peças maiores, se com­para­das a fig­ur­in­has, bonecos e jogos de botão, e a incre­men­tar mais a coleção, na Feira [de Antigu­idades] da Praça XV em 2002”, disse.

 
O hábito de cole­cionar pas­sou a ter retorno finan­ceiro quan­do ele pas­sou vender peças sobre Copa do Mun­do, Fla­men­go e jogadores famosos. “Come­cei a faz­er ren­da para ban­car uma coleção mel­hor, porque, na min­ha profis­são, até então, não podia tirar do fei­jão com arroz para faz­er coleção. Hoje, a gente vive em uma real­i­dade difer­ente. A gente vai avançan­do a cada ano, ten­ho uma empre­sa que vende itens de coleção e ten­ho o nos­so acer­vo para faz­er exposições”, comen­tou.

Mes­mo sendo torce­dor do Fla­men­go, ele con­tou que, na hora de nego­ciar, o lado rubro-negro fica de fora. “No cole­cionis­mo e na preser­vação da história do fute­bol, não existe clu­bis­mo. Então, eu ten­ho peças do gol de bar­ri­ga que o Fla­men­go lev­ou em 1995, peças do gol do Coca­da [ex-jogador do Vas­co] em 1988 [na final do Campe­ona­to Car­i­o­ca con­tra o Fla­men­go]. Na coleção, a rival­i­dade some. Eu com­pro com o mes­mo praz­er uma peça do Vas­co, do Botafo­go, do Flu­mi­nense, do Gar­rin­cha, que rep­re­sen­tam história. Ali, não é o fla­men­guista. Ali, é o cara que é vidra­do em coleção e por isso tem o acer­vo”, apon­tou.

Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2025 – Exposição no Palácio Tiradentes, no centro do Rio, marca a passagem dos 75 Anos do Maracanã. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Pedaço de Pin­ho uti­liza­do na con­strução do está­dio Tomaz Silva/Agência Brasil

Polo cultural

No dia da estreia e no dia 12 de out­ubro, a pro­gra­mação terá tam­bém vis­i­tas teatral­izadas, de hora em hora, sobre a história do Mara­canã. Para a dire­to­ra de Cul­tura da Alerj, Fer­nan­da Figueire­do, o Palá­cio Tiradentes, que já é a sede históri­ca do leg­isla­ti­vo, ago­ra tam­bém se con­soli­dou como polo cul­tur­al do cen­tro do Rio de Janeiro. Nesse sen­ti­do, rece­ber a exposição que mar­ca os 75 anos de histórias do Mara­canã é fun­da­men­tal para ampli­ar a vis­i­tação.

“A gente espera rece­ber mais vis­i­tantes, afi­nal, é uma paixão nacional, o fute­bol”, disse, agrade­cen­do a parce­ria com o cole­cionador Alex Bra­ga. “Quem vier con­hecer a história do leg­isla­ti­vo durante os meses de setem­bro e out­ubro tam­bém vai con­hecer a história do Mara­canã”.

O nome de Palá­cio Tiradentes do pré­dio históri­co não é ape­nas uma hom­e­nagem ao líder da Incon­fidên­cia Mineira. Antes de ter a con­strução atu­al no esti­lo neo­clás­si­co, o local foi por três dias, a prisão do alferes Joaquim José da Sil­va Xavier, o Tiradentes,

Foi de lá que ele par­tiu para a sua exe­cução, no dia 21 de abril de 1792. Por este episó­dio, a con­strução gan­hou seu nome e tem uma escul­tura dde Tiradentes em sua entra­da. Já o está­dio, um dos cartões-postais da cidade.

Brasília (DF) 13/03/2025 - ALERJ CELEBRA 50 ANOS COM VISITA GUIADA TEATRALIZADA NO PALÁCIO TIRADENTES Foto: Priscila Rabello/Divulgação
Repro­dução: Palá­cio Tiradentes recebe nome do líder da Incon­fidên­cia Mineira Priscila Rabello/Divulgação
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