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Festival celebra cultura indígena em aldeia guarani no Jaraguá, em SP

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Participantes puderam conhecer território Guarani na capital paulista


Pub­li­ca­do em 29/01/2023 — 17:46 Por Cami­la Maciel — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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A Casa de Reza foi a primeira para­da para quem aceitou o con­vite, na man­hã deste domin­go (29), para con­hecer o ter­ritório guarani na cap­i­tal paulista durante a primeira edição do Fes­ti­val Yvy Porã “Jaraguá é Guarani”. Com as danças tan­gará e xon­daro, os guarani acol­hem os par­tic­i­pantes em uma das ativi­dades pre­vis­tas na pro­gra­mação: a Tril­ha Tape Porã (Bom Cam­in­ho) pela Mata Atlân­ti­ca. “Os guer­reiros [na dança] recebem as pes­soas mostran­do que a nos­sa for­ma de resi­s­tir é des­vian­do dos obstácu­los que apare­cem, não lutan­do”, expli­ca o xon­daro Tia­go Karai, um dos guardiões da ter­ra indí­ge­na.

“É uma opor­tu­nidade de o nos­so ter­ritório dialog­ar com vocês, e vocês dialog­a­rem com o nos­so ter­ritório. Que através da infor­mação e do diál­o­go a gente con­si­ga que­brar esse pre­con­ceito e essa ignorân­cia”, diz Karai ao rece­ber os con­vi­da­dos. A Ter­ra Indí­ge­na (TI) Jaraguá ain­da enfrenta dis­putas judi­ci­ais para a demar­cação de ter­ra defin­i­ti­va. Em 2017, a Por­taria 693 do Min­istério da Justiça e Segu­rança Públi­ca reduz­iu a exten­são da TI a 1,7 hectare, quan­do o proces­so de demar­cação indi­ca­va que a reser­va dev­e­ria ser de 512 hectares. Uma lim­i­nar, naque­le mes­mo ano, sus­pendeu a por­taria.

A primeira para­da, após a apre­sen­tação na Casa de Reza, é o Meliponário, o espaço Eira Nhangareko, que reúne ape­nas algu­mas caixas das mais de 500 que são man­ti­das no ter­ritório. São espé­cies nati­vas sem fer­rão, chamadas de abel­has indí­ge­nas. “As abel­has nati­vas sem­pre tiver­am um vín­cu­lo sagra­do com o povo guarani, o nos­so nome sagra­do vem das velas feitas pela cera da abel­ha e da cas­ca dessas árvores que a gente está ven­do aqui, como o cedro”, expli­ca Karai. São cri­adas nove espé­cies de abel­has que já estavam extin­tas naque­le ter­ritório. “A gente pro­tege a onça amarela, a man­daça­ia, a mandaguari, a tubuna, a ara­puá, a jataí, mir­im, a marme­la­da, a borá”, enu­mera.

Festival Jaraguá é Guarani Yvyporã na aldeia Tekoa Yvy Porã, em Vila Jaraguá, zona oeste da capital paulista.
Repro­dução: Tril­ha tam­bém incluiu uma apre­sen­tação de armadil­has guaran na aldeia Tekoa Yvy Porã, em Vila Jaraguá, zona oeste da cap­i­tal paulista. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

A tril­ha tam­bém incluiu uma apre­sen­tação de armadil­has guarani, no espaço Jepo­ra­ka Reko Reguá. Os indí­ge­nas expli­cam que, mes­mo sem praticar a caça, esse con­hec­i­men­to ances­tral é repas­sa­do de ger­ação a ger­ação, for­t­ale­cen­do raízes milenares. Lúcia Rodrigues, 68 anos, veio para o fes­ti­val com ami­gos. Ela não con­hecia a TI e, ape­sar de obser­var cer­ta pre­cariedade, disse ter se sen­ti­do trans­for­ma­da pela visi­ta. “É triste que um povo ten­ha que pedir pela sua sobre­vivên­cia, mas, ao mes­mo tem­po, é mui­ta cor­agem”, pon­tua. O pas­seio pela mata ter­mi­na com uma músi­ca tradi­cional guarani, antes de retornar para as demais ativi­dades da pro­gra­mação.

A estu­dante de arquite­tu­ra Isabela Cabe­lo, 22 anos, mora em San­tana, um bair­ro da zona norte paulis­tana, e não sabia da existên­cia do ter­ritório indí­ge­na. “É muito impor­tante saber e con­hecer essa luta que é des­de sem­pre. Todo mun­do dev­e­ria apoiar a causa”, disse à Agên­cia Brasil. Ela esta­va acom­pan­ha­da do anal­ista de mar­ket­ing Josué Assis, 21 anos, que tam­bém não con­hecia a TI e se disse sur­pre­so com o ter­ritório den­tro de São Paulo. “A história sem­pre me comove, então enten­der as nos­sas raízes, de onde viemos, é muito impor­tante”, apon­tou.

Programação

Além da tril­ha, o fes­ti­val apre­sen­tou diver­sas atrações da cul­tura guarani, como ven­da de comi­das típi­cas, artes plás­ti­cas e arte­sana­to. Ao lon­go do dia, foram feitas rodas de con­ver­sas sobre temas como os diale­tos indí­ge­nas, juven­tude e pre­venção, políti­ca e resistên­cia.

Nas atrações musi­cais, se apre­sen­taram o Coral Guarani Mbya, Xon­daro Nômade, Karaí Ruvixá, Owerá, Eric Ter­e­na, Brisa Flow, Ian Wapichana, Kan­tu­pac, Dead Bolsonnaro’s, Car­los Xavier, Katu Mir­im e Indaiz.

Edição: Juliana Andrade

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