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Festival Madureira abre, no Rio, mês da Consciência Negra

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Serão três dias de música na quadra da Império Serrano


Pub­li­ca­do em 04/11/2022 — 06:53 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Ouça a matéria:

A primeira edição do Fes­ti­val Madureira abre hoje (4) as comem­o­rações do mês da Con­sciên­cia Negra no Rio de Janeiro. Serão três dias de músi­ca na quadra da Esco­la de Sam­ba Império Ser­ra­no, a preços pop­u­lares, no val­or de R$ 10 no local e de R$ 12,50 pelo Sym­pla.

O fes­ti­val começa às 19h. No sába­do (5) e domin­go (6), as atrações serão a par­tir das 15h. A ini­cia­ti­va é dos agentes cul­tur­ais locais da Rede Madureira, com patrocínio da Sec­re­taria de Cul­tura Munic­i­pal do Rio de Janeiro, Fun­dação Ani­ta Man­tu­ano de Artes do Esta­do do Rio de Janeiro (Funarj) e con­ces­sionária Rio­Galeão. A clas­si­fi­cação etária é livre.

O fes­ti­val é pro­duzi­do 100% por artis­tas locais que se uni­ram em uma rede e estão tra­bal­han­do para trans­for­mar Madureira em um cir­cuito turís­ti­co da zona norte, um cir­cuito afro, infor­mou à Agên­cia Brasil o pro­du­tor Mar­cos André Car­val­ho.

“O tur­is­mo fica muito con­cen­tra­do na zona sul e cen­tro e Madureira é um bair­ro negro, de tur­is­mo étni­co, com muito poten­cial. Mas o tur­is­mo não chega lá”, obser­vou.

Ele disse que o obje­ti­vo é ter um fes­ti­val “feito de baixo para cima, nós por nós”. Todos os pro­du­tores são do bair­ro e negros, e a pro­gra­mação é total­mente de artis­tas locais “para ser uma platafor­ma de vis­i­bil­i­dade tam­bém para ess­es artis­tas”.

Programa

A pro­gra­mação começa hoje com o renasci­men­to do  con­cur­so Noite da Beleza Negra e hom­e­nagem ao blo­co afro mais anti­go do Rio, o Agbara Dudu, que está com­ple­tan­do 40 anos de existên­cia.

A Noite da Beleza Negra nasceu na quadra da esco­la de sam­ba Império Ser­ra­no e não acon­te­cia há mais de duas décadas. O con­cur­so elege não só o rei e a rain­ha da beleza negra em ter­mos estéti­cos, mas tam­bém na parte da elegân­cia e core­ografia, entre out­ros critérios, afir­mou Mar­cos André.

Está pre­vista tam­bém apre­sen­tação da Bate­ria da Esco­la de Sam­ba da Portela. Fechan­do a noite, o públi­co assi­s­tirá a um show da com­pos­i­to­ra e can­to­ra Leci Brandão, nasci­da em Madureira, numa grande cel­e­bração afro sub­ur­bana em hom­e­nagem aos tam­bores e à músi­ca pre­ta car­i­o­ca.

No sába­do, a par­tir das 15h, haverá a Feira Cres­pa, envol­ven­do empreende­do­ras negras que ofer­e­cerão ao públi­co seus pro­du­tos em bar­ra­cas de moda, gas­trono­mia e arte­sana­to. Em segui­da, haverá a roda de sam­ba Quin­tal da Magia, que vem arra­s­tan­do mul­ti­dões para as ruas do sub­úr­bio car­i­o­ca com muito tam­bor e pon­tos de macum­ba, reunin­do entre cin­co mil e seis mil pes­soas por edição. A noite prom­ete ser de emoção, com uma hom­e­nagem a Arlin­do Cruz fei­ta por seu fil­ho Arlind­in­ho, na sede da Império Ser­ra­no que, este ano, retornou ao Grupo Espe­cial, jus­ta­mente com o enre­do sobre o mestre Arlin­do.

Crianças

A pro­gra­mação pre­vê ain­da apre­sen­tação de cri­anças das esco­las de sam­ba mirins da Império Ser­ra­no e da Portela, que são Império do Futuro e Águias do Aman­hã, rep­re­sen­tantes do futuro do sam­ba car­i­o­ca.

No domin­go começará a Feira Cres­pa, às 15h, segui­da da Roda de Sam­ba do Quin­tal da Portela, lid­er­a­da por mem­bros da vel­ha guar­da da azul e bran­co, que prom­ete repe­tir o suces­so que essa roda vem ten­do aos sába­dos na Quadra da Portela. Uma atração tam­bém aguarda­da é a Roda de Jon­go do Mor­ro da Ser­rin­ha, com a Com­pan­hia de Aruan­da, for­ma­da por pes­soas que prati­cam o jon­go, con­sid­er­a­do o pai do sam­ba do Rio.

A Com­pan­hia de Aruan­da ficou famosa por realizar, há 15 anos, sua roda todos os meses debaixo do Viadu­to de Madureira, for­man­do mil­hares de novos jongueiros.

O encer­ra­men­to do fes­ti­val ficará a car­go do Grupo Awurê, cri­a­do em 2018 em Madureira, que can­ta sam­bas em hom­e­nagem aos orixás e enti­dades da umban­da e tem feito suces­so.

Calendário

Um pilo­to do fes­ti­val foi real­iza­do em maio, coin­cidin­do com o aniver­sário de Madureira. Mar­cos André adiantou, porém, que a ideia é pro­mover o fes­ti­val duas vezes por ano.

“A ideia, real­mente, é demon­strar esse cir­cuito turís­ti­co, que reúne uma série de pon­tos turís­ti­cos, como as esco­las de sam­ba Portela e Império Ser­ra­no, o Mer­cadão de Madureira, de onde sai o corte­jo da tradi­cional fes­ta de Yeman­já, e o Baile Charme do Viadu­to. A gente quer que a Rio­tur e a prefeitu­ra inclu­am Madureira no cir­cuito turís­ti­co da cidade, porque há muito inter­esse no tur­is­mo étni­co”, disse Mar­cos. Ele acred­i­ta que o tur­is­mo poderá ger­ar ren­da para os gru­pos que par­tic­i­pam do fes­ti­val.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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