...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Cultura / Gagacabana: fãs explicam histeria e gratidão por Lady Gaga

Gagacabana: fãs explicam histeria e gratidão por Lady Gaga

Diva pop tocou LGBTQIA+ com mensagem de empoderamento e liberdade

Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil*
Pub­li­ca­do em 30/04/2025 — 08:20
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Drags após desfile na Central do Brasil em homenagem a Lady Gaga. Foto: Supervia/Divulgação
Repro­dução: © SuperVia/Divulgação

“Eu sou lin­da do meu jeito, porque Deus não comete erros. Eu estou no cam­in­ho cer­to, baby. Eu nasci assim. Não se escon­da em remor­sos, ape­nas se ame e você está pronta. Eu estou no cam­in­ho cer­to, baby. Eu nasci assim.”

Os ver­sos do refrão de Born This Way, de Lady Gaga, são parte da história de vida e super­ação de muitos dos fãs que cel­e­bram sua chega­da ao Brasil nes­ta sem­ana, para um show gra­tu­ito na Pra­ia de Copaca­bana, mar­ca­do para sába­do (3). Em entre­vista à Agên­cia Brasil, eles declar­am seu amor pela can­to­ra como uma for­ma de gratidão por terem encon­tra­do suas iden­ti­dades nos ver­sos e per­for­mances de seu tra­bal­ho e expli­cam por que a pre­sença da can­to­ra no Rio causa his­te­ria.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Yasmin Gaga é cover da Lady Gaga há 10 anos e fã da cantora, após desfile na Central do Brasil em homenagem a Lady Gaga. Foto: Supervia/Divulgação
Repro­dução: Fã de Lady Gaga e cov­er da can­to­ra há 10 anos, Yas­min Gaga par­ticipou de des­file na Cen­tral do Brasil — Foto: SuperVia/Divulgação

Cov­er da diva pop, a pro­du­to­ra de moda e mul­her trans Yas­min Gaga é uma das que guar­da um rela­to como esse em um lugar pre­cioso da memória.

“O lança­men­to do álbum Born This Way foi quan­do eu esta­va no iní­cio da min­ha tran­sição, e a músi­ca fala: não impor­ta se você é negro, asiáti­co, gay, bi, hétero, trans, você nasceu assim porque Deus não comete erros. You’re born this way, baby’ As músi­cas dela eram meu alicerce de todos os dias, porque eu via nela a força e a gar­ra que me enco­ra­jaram.”

Não ape­nas enco­ra­jaram como se tornaram o tra­bal­ho da pro­du­to­ra de moda, que se apre­sen­ta como cov­er da can­to­ra há dez anos, e pôde faz­er uma per­for­mance espe­cial na últi­ma terça-feira (29), quan­do abriu um des­file de drag queens, mul­heres trans e fãs da can­to­ra no saguão prin­ci­pal da Cen­tral do Brasil, a prin­ci­pal estação de trens da região met­ro­pol­i­tana do Rio de Janeiro.

“Nes­sa cor­re­ria de shows fazen­do a Lady Gaga, sem­pre pas­so pela Cen­tral. É um lugar icôni­co, muito impor­tante, onde há o encon­tro de todas as pes­soas. É um lugar pri­mor­dial para a gente faz­er essa hom­e­nagem”, disse Yas­min, que “se mon­tou” com o fig­uri­no do video­clipe de Abra­cadabra, o mais novo suces­so da can­to­ra.

“Ela, pra nós, des­de o iní­cio, é um ícone e lev­an­ta muito a ban­deira T, das pes­soas trans. Ela gan­hou uma pre­mi­ação ago­ra [Gram­my de mel­hor due­to por Die With a Smile, com Bruno Mars], e a primeira frase do dis­cur­so dela foi que ‘pes­soas trans não são invisíveis’. Me sin­to rep­re­sen­ta­da por ela. Levar o lega­do dela para os pal­cos e fes­tas, para mim, é um ato políti­co”, com­ple­tou Yas­min Gaga.

Orga­ni­za­do pela con­ces­sionária que opera os trens do Rio, a Super­via, pelo pro­gra­ma estad­ual Rio Sem LGBTI­fo­bia e pelo Grupo Arco-Íris de Cidada­nia LGBTI+, o des­file reuniu uma mul­ti­dão no saguão da Cen­tral do Brasil, entre ativis­tas, influ­en­ci­adores, fãs e tam­bém ape­nas curiosos, que cir­culavam pela estação, que conec­ta o cen­tro do Rio ao sub­úr­bio da cap­i­tal e à Baix­a­da Flu­mi­nense. Na pas­sarela, foram 20 drag queens e em torno de dez mod­e­los tran­sex­u­ais, todas vesti­das com refer­ên­cias à can­to­ra.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Drags e trans realizam desfile na Central do Brasil em homenagem a cantora Lady Gaga. Foto: Jorge Badaue/Rio Sem Homofobia
Repro­dução: Drags e trans par­tic­i­pam de des­file na Cen­tral do Brasil em hom­e­nagem a Lady Gaga — Foto: Jorge Badaue/Rio Sem LGBTI­fo­bia

Uma das drags que des­filou foi Kari­na Karão, um dos nomes mais con­heci­dos da arte drag no Rio de Janeiro. Ela con­ta que a vin­da da can­to­ra para o Brasil se tornou uma fonte de tra­bal­ho para as artis­tas drags, que têm con­segui­do fechar con­tratos de pub­li­ci­dade e ações de mar­ket­ing com mar­cas.

“É uma val­oriza­ção da nos­sa arte drag, que a gente vem há tan­to tem­po bus­can­do que seja recon­heci­da. A Lady Gaga é uma drag. A primeira vez que vi ela sain­do da pisci­na, com aque­le ócu­los espel­ha­dos [no clipe de Pok­er Face], eu pen­sei: quem é essa mul­her que está vin­do com tudo? Ela vai inco­modar. E ela inco­mo­da. Tudo que é bom inco­mo­da ”, cel­e­bra Kari­na. “Ela tem esse efeito drag, e isso é mar­avil­hoso. Então, nada mais jus­to que a gente par­ticipe desse momen­to. Estou tra­bal­han­do com várias pub­lis e pude indicar ami­gas para alguns tra­bal­hos.”

A dire­to­ra artís­ti­ca do Grupo Arco-Íris, a drag Dan­ny D’Avalon, tam­bém des­filou para os pas­sageiros da Super­via na Cen­tral do Brasil, com um look rosa-choque inspi­ra­do no que Lady Gaga usou no tradi­cional baile fash­ion­ista Met Gala, em 2019. Para ela, a diver­si­dade de visuais cria­tivos que a can­to­ra apre­sen­ta em sua car­reira estão entre os prin­ci­pais motivos de ela encan­tar a pop­u­lação LGBTQIA+.

“O inter­es­sante é que, de 20 drags que vão par­tic­i­par, só havia duas que tin­ham só uma opção de visu­al dela. As out­ras todas tin­ham várias opções, não eram uma ou duas. Isso mostra a diver­si­dade dela. E como é uma hom­e­nagem, bus­camos algo bem diver­so mes­mo. Tem gor­da, pre­ta, loira, bran­ca, pes­soa com defi­ciên­cia”, descreve.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Drags e trans realizam desfile na Central do Brasil em homenagem a cantora Lady Gaga. Foto: Jorge Badaue/Rio Sem Homofobia
Repro­dução: Drag Dan­ny D’Avalon des­filou na Cen­tral do Brasil com look inspi­ra­do no que Lady Gaga usou no Met Gala em 2019 — Foto: Jorge Badaue/Rio Sem LGBTI­fo­bia

“Ela salvou minha vida”

A ocu­pação da Cen­tral do Brasil pela estéti­ca de Lady Gaga é ape­nas uma onda na maré pop que prom­ete inun­dar o Rio de Janeiro até o dia do show. Em out­ro endereço pop­u­lar da cidade, na Rua Sen­hor dos Pas­sos, fãs da can­to­ra fazi­am fila no iní­cio des­ta sem­ana para com­prar camisas, leques, ócu­los e um sem fim de adereços com refer­ên­cias a roupas e tra­bal­hos da can­to­ra. Com forte divul­gação nas redes soci­ais, a loja Lix virou pon­to obri­gatório para os gaga­manía­cos, chama­dos de lit­tle mon­sters, no cen­tro de comér­cio pop­u­lar con­heci­do como Saara.

O pub­lic­itário Lucas Bra­ga, de 28 anos, chegou ao Rio na segun­da-feira (28), de Brasília, com alguns dias de ante­cedên­cia em relação ao show. Mas a pro­gra­mação dele e da ami­ga Ana Beat­riz Soares para a fes­ta já começou.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Lucas Braga e Ana Beatriz Soares vieram de Brasília para o show de Lady Gaga. Foto: Vinícius Lisboa/Agência Brasil
Repro­dução: Lucas Bra­ga e Ana Beat­riz Soares vier­am de Brasília para o show de Lady Gaga — Foto: Viní­cius Lisboa/Agência Brasil

“Eu esta­va aqui em 2017, quan­do ela não veio [após can­ce­lar show no Rock in Rio por motivos de saúde] e fui uma das pes­soas que esta­va choran­do hor­rores. E ago­ra eu vou viv­er esse son­ho. Estou sem dormir, estou muito feliz. Essa sem­ana inteira, vamos persegui-la. Vou para a por­ta do Copa [Hotel Copaca­bana Palace], esper­ar ela apare­cer. A gente vai ficar lá em Copaca­bana esperan­do ela ensa­iar. Esse é o meu nív­el de fã.”

A admi­ração de Lucas pela can­to­ra é tam­bém gratidão. Ele con­ta que a diva pop foi sua prin­ci­pal refer­ên­cia quan­do se enten­deu como um homem gay e pre­cisou enfrentar seus próprios pre­con­ceitos e os da família.

“Quan­do eu me desco­bri, foi um proces­so muito doloroso. Hoje, min­ha família me respei­ta e me acei­ta, e eles são incríveis, mas, para eles, foi um proces­so muito sofri­do para enten­derem. Então, a min­ha ado­lescên­cia foi triste, porque eu fui cri­a­do nesse ambi­ente reli­gioso, e eu acha­va que eu era erra­do e era uma pes­soa hor­rív­el para os meus pais”, con­ta.

“A Lady Gaga me aju­dou a enten­der que não, que eu sou assim, que eu nasci assim e que eu pre­cisa­va encon­trar quem eu era e me amar do jeito que eu era. Esse dis­cur­so empoder­ador dela, a mil­itân­cia políti­ca dela é muito impor­tante para mim, por isso eu sou fã. Quan­do ela lançou Born This Way, ela salvou min­ha vida. Eu devo o que eu sou, a min­ha autoes­ti­ma e a aceitação da min­ha sex­u­al­i­dade a ela”, con­ta o pub­lic­itário, que fez uma tat­u­agem na per­na com o nome do álbum que tan­to o aju­dou.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Lucas Braga mostra tatuagem em homenagem à cantora Lady Gaga e ao álbum Born This Way. Foto: Vinícius Lisboa/Agência Brasil
Repro­dução: Lucas Bra­ga mostra tat­u­agem em hom­e­nagem à can­to­ra Lady Gaga e ao álbum Born This Way — Foto: Viní­cius Lisboa/Agência Brasil

Artista e ativista

Como pon­tua Lucas, o envolvi­men­to e a gratidão do públi­co LGBTQIA+ a Lady Gaga não tem a ver ape­nas com as músi­cas que falam de suas dores e anseios. A can­to­ra tam­bém é uma voz políti­ca ati­va na defe­sa das liber­dades sex­u­ais e da diver­si­dade de gênero.

A can­to­ra e sua mãe man­têm um tra­bal­ho de apoio à saúde men­tal de jovens, espe­cial­mente LGBTQIA+, por meio da Fun­dação Born This Way.

A diva pop tam­bém aprovei­ta a atenção que tem da mídia para dis­cur­sar em prol da pop­u­lação LGBTQIA+ e con­tra o pre­con­ceito. Em um dos episó­dios mais mar­cantes nesse sen­ti­do, ela bradou, durante um show em Moscou, para que autori­dades rus­sas a pren­dessem pelo seu apoio à comu­nidade, que é alvo de leis do país con­tra sua liber­dade de expressão.

A can­to­ra tam­bém pediu o impeach­ment e a cas­sação dos dire­itos políti­cos de Don­ald Trump após a invasão ao Capitólio dos Esta­dos Unidos, em 6 de janeiro de 2021. Com a reeleição do pres­i­dente amer­i­cano e sua investi­da con­tra os dire­itos da pop­u­lação trans, com medi­das como o bani­men­to das forças armadas amer­i­canas neste ano, a can­to­ra declar­ou ao rece­ber um prêmio Gram­my que pes­soas trans não são invisíveis e mere­cem amor, e que a comu­nidade queer merece ser enal­te­ci­da.

Rio de Janeiro (RJ) 29/04/2025 - Drags em trem da Supervia após desfile na Central do Brasil em homenagem a Lady Gaga. Foto: Supervia/Divulgação
Repro­dução: Drags em trem da Super­via após des­file na Cen­tral do Brasil em hom­e­nagem a Lady Gaga — Foto: SuperVia/Divulgação

Para o super­in­ten­dente de Políti­cas para LGBTI+ da Sec­re­taria de Desen­volvi­men­to Social e Dire­itos Humanos do Rio de Janeiro e coor­de­nador do Pro­gra­ma Estad­ual Rio Sem LGBTI­fo­bia, Ernane Alexan­dre, as divas pop são um alen­to e uma esper­ança para a comu­nidade, além ali­adas na luta por dire­itos.

“Se há políti­cas públi­cas, não só no esta­do do Rio, mas para todo o Brasil, para todo mun­do, é porque essas divas pop, ess­es ícones, vier­am tam­bém soman­do a essa ban­deira LGBT. A Lady Gaga traz pra gente um mis­to de alen­to e esper­ança por país e um mun­do mel­hor.”

Gagacabana

A fes­ta que terá seu ápice com a can­to­ra amer­i­cana vai começar às 17h30, com apre­sen­tações de dois DJs no pal­co mon­ta­do em frente ao Copaca­bana Palace. O show prin­ci­pal da can­to­ra está pre­vis­to para ter iní­cio às 21h15 e deve durar cer­ca de duas horas e meia.

É esper­a­do um públi­co de 1,6 mil­hão de pes­soas para acom­pan­har a apre­sen­tação, a primeira de Lady Gaga no Brasil des­de 2012 e a úni­ca pre­vista para este ano em toda a Améri­ca do Sul. Do públi­co esti­ma­do, 240 mil devem ser tur­is­tas, sendo 80% estrangeiros e 20% brasileiros.

O impacto econômi­co na cidade deve super­ar R$ 600 mil­hões, con­tan­do que o perío­do de esta­dia dos tur­is­tas deve ser ain­da maior por con­ta do feri­adão do Dia do Tra­bal­hador, que será cel­e­bra­do na quin­ta-feira (1º de maio). Esse perío­do pro­lon­ga­do expli­ca, de acor­do com a prefeitu­ra, por que a movi­men­tação econômi­ca deve super­ar em 27,5% o impacto de R$ 469,4 mil­hões ger­a­do pela can­to­ra Madon­na, que se apre­sen­tou na mes­ma Pra­ia de Copaca­bana no ano pas­sa­do, com públi­co tam­bém de 1,6 mil­hão de pes­soas.

Estados Unidos, 11/04/2025 - Cantora Lady Gaga. Foto: ladygaga/Instagram
Repro­dução: Show de Lady Gaga no Rio deve movi­men­tar R$ 600 mil­hões — Foto: ladygaga/Instagram

A expec­ta­ti­va de que a can­to­ra real­ize ensaios no pal­co já mon­ta­do na orla ou o dese­jo de vê-la ain­da que rap­i­da­mente na janela do Copaca­bana Palace, onde está hospeda­da, faz com que um grupo de fãs já este­ja “acam­pa­do” na frente do hotel.

A ansiedade é tan­ta que cau­sou um episó­dio inusi­ta­do nes­ta segun­da-feira: a comi­ti­va do min­istro de Relações Exte­ri­ores da Rús­sia, Sergei Lavrov, que está na cidade para par­tic­i­par de um encon­tro do Brics, foi con­fun­di­da com a de Lady Gaga. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduar­do Paes, repos­tou o vídeo em suas redes soci­ais, em que um fã se ale­gra ao ver os bate­dores fecharem a rua para os car­ros do chancel­er rus­so.

“O Rio é assim mes­mo! Tá todo mun­do por aqui!”, brin­cou o prefeito.

“Ela me abraçou”

A con­feit­eira Clara San­tos, que mora em Botafo­go, na zona sul do Rio, era uma das que apos­ta­va na sorte de ver sua diva na tarde de segun­da-feira na frente do Copaca­bana Palace. Ela con­ta que viu a can­to­ra pela primeira vez no clipe de Bad Romance e, de iní­cio, ficou um pouco choca­da, mas logo se apaixo­nou.

“Uma cole­ga do colé­gio me apre­sen­tou o clipe, e, quan­do vi pela primeira vez, achei que a mul­her era com­ple­ta­mente malu­ca, porque o clipe é uma lou­cu­ra total. Ela sub­verte todas as expec­ta­ti­vas da het­ero­nor­ma­tivi­dade, tudo. Mas eu come­cei a escu­tar mais vezes e fiquei obceca­da.”

A fã cole­ciona tat­u­a­gens da can­to­ra em seu cor­po, com ver­sos como os das músi­cas Scheibe Edge of Glo­ry, ambas do álbum Born This Way. Ela con­ta que, quan­do se assum­iu lés­bi­ca, foi Lady Gaga quem a acol­heu.

“Prin­ci­pal­mente no Born This Way. E eu sen­ti esse acol­hi­men­to quan­do eu não tive do grupo que eu esper­a­va ter, que era da família, dos ami­gos. Ela veio e me deu esse abraço, mes­mo não me con­hecen­do, e eu me sen­ti bem na min­ha pele pela primeira vez. Foi muito bom”, disse Clara San­tos.

*Colaborou Tatiana Alves, repórter da Rádio Nacional

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d