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Grande Rio teve 460 tiroteios perto de escolas este ano

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Confrontos armados afetam 725 escolas da região metropolitana


Pub­li­ca­do em 06/06/2023 — 15:35 Por Vitor Abdala — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A região met­ro­pol­i­tana do Rio de Janeiro teve 673 tiroteios este ano, dos quais 460 per­to de esco­las públi­cas e pri­vadas. Os dados são do Insti­tu­to Fogo Cruza­do, que mon­i­to­ra ocor­rên­cias vio­len­tas e suas con­se­quên­cias na cidade e em out­ros locais do país.

O lev­an­ta­men­to mostra, ain­da, que 68% dos tiroteios foram nas ime­di­ações de unidades esco­lares do Grande Rio. Das 7.386 esco­las e crech­es públi­cas e pri­vadas que há na região, 725 foram impactadas por ess­es con­fron­tos arma­dos, ou seja, uma em cada dez esco­las. Dos 460 tiroteios per­to de esco­las, 226 deles (quase a metade) foram decor­rentes de ações poli­ci­ais.

A cidade do Rio foi quem mais sofreu com as tro­cas de tiros per­to de unidades esco­lares. Foram 330 das 460 ocor­rên­cias. Em Duque de Cax­i­as, hou­ve 37 casos. Entre os bair­ros, os mais impacta­dos foram Praça Seca (27), Vila Kennedy (23), Cidade de Deus (19), Ban­gu (14) e Brás de Pina (14).

Segun­do o coor­de­nador do Fogo Cruza­do no Rio de Janeiro, Car­los Nhanga, um tiroteio afe­ta toda a pop­u­lação. Pes­soas deix­am de sair de casa para tra­bal­har e estu­dar, esco­las são fechadas e, em casos extremos, cri­anças mor­rem.

Ele cita o meni­no Luiz Davi, de 12 anos, balea­do na cabeça durante uma ação poli­cial quan­do esta­va a cam­in­ho da esco­la com out­ras cri­anças, em São Gonça­lo.

“Esse lev­an­ta­men­to mostra uma situ­ação ina­ceitáv­el em que se encon­tra a segu­rança públi­ca no Rio. Cri­anças e ado­les­centes estão per­den­do dire­ito bási­co à edu­cação por con­ta de uma políti­ca de segu­rança que pri­or­iza o con­fron­to e não garante a qual­i­dade de vida para a pop­u­lação. É pre­ciso cri­ar políti­cas que efe­ti­va­mente garan­tam o futuro e a pro­teção das nos­sas cri­anças e ado­les­centes”, argu­men­ta Nhanga.

Posição da PM

Por meio de nota, a Polí­cia Mil­i­tar infor­mou que suas ações são pau­tadas por critérios téc­ni­cos e plane­ja­men­to prévio, ten­do sem­pre uma pre­ocu­pação cen­tral com a preser­vação de vidas.

“A cor­po­ração [PM] desta­ca que as ações de enfrenta­men­to ao crime orga­ni­za­do são plane­jadas com base em infor­mações de inteligên­cia, sendo pau­tadas por critérios téc­ni­cos e pelo pre­vis­to na leg­is­lação vigente, ten­do como pre­ocu­pação cen­tral a preser­vação de vidas, sendo exe­cu­tadas de for­ma integra­da com out­ros órgãos de segu­rança. O Gov­er­no do esta­do vem investin­do em equipa­men­tos para que as ações da Polí­cia Mil­i­tar sejam cada vez mais téc­ni­cas e seguras para os poli­ci­ais e a sociedade”, diz a nota.

A Sec­re­taria Estad­ual de Edu­cação não infor­mou sobre os pro­ced­i­men­tos especí­fi­cos a serem ado­ta­dos em caso de tiroteio no entorno dos colé­gios, mas disse que criou um Plano de Ações Integradas de Segu­rança e Cul­tura de Paz nas Esco­las, que visa evi­tar casos de agressão, bul­ly­ing [intim­i­dação sis­temáti­ca], racis­mo, fur­to e out­ras vio­lações de dire­ito.

“Além dis­so, mais de dois mil edu­cadores já foram treina­dos pela Polí­cia Mil­i­tar para atu­ar em geren­ci­a­men­to de crise e ado­tar pro­to­co­los, até a chega­da dos agentes de segu­rança. Tam­bém foi reforça­do o tra­bal­ho da Patrul­ha Esco­lar e, em breve, as esco­las con­tarão com o aplica­ti­vo Rede Esco­la, desen­volvi­do pela PM, que vai via­bi­lizar o con­ta­to dire­to dos profis­sion­ais da edu­cação com as forças de segu­rança”, diz a nota.

A Polí­cia Civ­il infor­mou que real­iza tra­bal­hos de inves­ti­gação, lev­an­ta­men­to de dados de inteligên­cia e estratégi­cos para iden­ti­ficar crim­i­nosos envolvi­dos nos deli­tos cometi­dos. A insti­tu­ição acres­cen­ta que “atua em con­jun­to com a Polí­cia Mil­i­tar para coibir tais práti­cas crim­i­nosas e que a atu­ação em comu­nidades é parte das ações de com­bate à crim­i­nal­i­dade e se tra­ta de um tra­bal­ho fun­da­men­tal, uma vez que as orga­ni­za­ções crim­i­nosas uti­lizam os recur­sos advin­dos com as práti­cas deli­tu­osas para finan­ciar seus domínios ter­ri­to­ri­ais, com a restrição de liber­dade dos moradores das regiões ocu­padas por elas.”

Agên­cia Brasil tam­bém entrou em con­ta­to com a  Sec­re­taria Munic­i­pal de Edu­cação do Rio, mas não obteve respos­ta.

 

Edição: Kle­ber Sam­paio

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