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Lula defende democracia em discurso após diplomação

Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/Agên­cia Brasil

Vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, também recebeu o documento


Pub­li­ca­do em 12/12/2022 — 15:38 Por Agên­cia Brasil — Brasília

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O pres­i­dente eleito, Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, defend­eu hoje (12) a democ­ra­cia e reafir­mou o com­pro­mis­so de faz­er do Brasil um país “mais desen­volvi­do e mais jus­to”. 

Lula dis­cur­sou após ser diplo­ma­do pelo pres­i­dente do Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral (TSE), min­istro Alexan­dre de Moraes, como can­dida­to eleito. O vice-pres­i­dente eleito, Ger­al­do Alck­min, tam­bém rece­beu o doc­u­men­to.

Após rece­ber o diplo­ma, Lula fez um dis­cur­so emo­ciona­do em defe­sa de democ­ra­cia e do sis­tema eleitoral. Segun­do o pres­i­dente eleito, durante as eleições, a nação foi “enve­ne­na­da com men­ti­ras” pro­duzi­das nas redes soci­ais, seme­an­do “men­ti­ra e ódio”.

Veja a íntegra da cerimônia:

‘Quero diz­er que muito mais que a cer­imô­nia de diplo­mação de um pres­i­dente eleito, esta é a cel­e­bração da democ­ra­cia. Pou­cas vezes na história recente deste país a democ­ra­cia esteve tão ameaça­da. Pou­cas vezes na nos­sa história a von­tade pop­u­lar foi tão colo­ca­da à pro­va, e teve que vencer tan­tos obstácu­los para enfim ser ouvi­da”, afir­mou.

O pres­i­dente eleito tam­bém garan­tiu o com­pro­mis­so de faz­er um país “mais desen­volvi­do e jus­to” durante os qua­tro anos de seu manda­to”.

“Reafir­mo hoje que farei todos os esforços para, jun­ta­mente com meu vice Ger­al­do Alck­min, cumprir o com­pro­mis­so que assu­mi não ape­nas durante a cam­pan­ha, mas ao lon­go de toda uma vida —  faz­er do Brasil um país mais desen­volvi­do e mais jus­to, com a garan­tia de dig­nidade e qual­i­dade de vida para todos os brasileiros, sobre­tu­do os mais neces­si­ta­dos”, disse.

Ao rece­ber o diplo­ma de eleito pela ter­ceira vez, Lula lem­brou dos ques­tion­a­men­tos que rece­beu ao lon­go da vida públi­ca por não ter diplo­ma uni­ver­sitário.

“Quero agrade­cer ao povo brasileiro, pela hon­ra de pre­sidir pela ter­ceira vez o Brasil”, con­cluiu.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a cerimônia de diplomação no TSE
Repro­dução: O pres­i­dente eleito, Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, dis­cur­sa durante a cer­imô­nia de diplo­mação no TSE — Fabio Rodrigues-Pozze­bom/Agên­cia Brasil

Diplomação

A diplo­mação é uma cer­imô­nia orga­ni­za­da pela Justiça Eleitoral para for­malizar a escol­ha dos eleitos nas eleições e mar­ca do fim do proces­so eleitoral. Com o diplo­ma eleitoral em mãos, os eleitos podem tomar posse no dia 1° de janeiro de 2023.

O TSE é respon­sáv­el pela diplo­mação dos can­didatos à Presidên­cia da Repúbli­ca. Os dep­uta­dos, senadores e gov­er­nadores são diplo­ma­dos pelos tri­bunais region­ais eleitorais (TREs) até 19 de dezem­bro.

Presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, durante a cerimônia de diplomação do vice presidente eleito, Geraldo Alckmin, na sede do TSE
Repro­dução: Pres­i­dente do TSE, min­istro Alexan­dre de Moraes, durante a cer­imô­nia de diplo­mação do vice pres­i­dente eleito, Ger­al­do Alck­min, na sede do TSE — Fabio Rodrigues-Pozze­bom/Agên­cia Brasil

Leia a íntegra do discurso:

Em primeiro lugar, quero agrade­cer ao povo brasileiro, pela hon­ra de pre­sidir pela ter­ceira vez o Brasil.

Na min­ha primeira diplo­mação, em 2002, lem­brei da ousa­dia do povo brasileiro em con­ced­er – para alguém tan­tas vezes ques­tion­a­do por não ter diplo­ma uni­ver­sitário – o diplo­ma de pres­i­dente da Repúbli­ca.

Reafir­mo hoje que farei todos os esforços para, jun­ta­mente com meu vice Ger­al­do Alck­min, cumprir o com­pro­mis­so que assu­mi não ape­nas durante a cam­pan­ha, mas ao lon­go de toda uma vida: faz­er do Brasil um país mais desen­volvi­do e mais jus­to, com a garan­tia de dig­nidade e qual­i­dade de vida para todos os brasileiros, sobre­tu­do os mais neces­si­ta­dos.

Quero diz­er que muito mais que a cer­imô­nia de diplo­mação de um pres­i­dente eleito, esta é a cel­e­bração da democ­ra­cia.

Pou­cas vezes na história recente deste país a democ­ra­cia esteve tão ameaça­da.

Pou­cas vezes na nos­sa história a von­tade pop­u­lar foi tão colo­ca­da à pro­va, e teve que vencer tan­tos obstácu­los para enfim ser ouvi­da.

A democ­ra­cia não nasce por ger­ação espon­tânea. Ela pre­cisa ser semea­da, cul­ti­va­da, cuida­da com muito car­in­ho por cada um, a cada dia, para que a col­hei­ta seja gen­erosa para todos.

Mas além de semea­da, cul­ti­va­da e cuida­da com muito car­in­ho, a democ­ra­cia pre­cisa ser todos os dias defen­di­da daque­les que ten­tam, a qual­quer cus­to, sujeitá-la a seus inter­ess­es finan­ceiros e ambições de poder.

Feliz­mente, não fal­tou quem a defend­esse neste momen­to tão grave da nos­sa história.

Além da sabedo­ria do povo brasileiro, que escol­heu o amor em vez do ódio, a ver­dade em vez da men­ti­ra e a democ­ra­cia em vez do arbítrio, quero destacar a cor­agem do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al e do Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral, que enfrentaram toda sorte de ofen­sas, ameaças e agressões para faz­er valer a sobera­nia do voto pop­u­lar.

Cumpri­men­to cada min­istro e cada min­is­tra do STF e do TSE pela firmeza na defe­sa da democ­ra­cia e da lisura do proces­so eleitoral ness­es tem­pos tão difí­ceis.
A história há de recon­hecer sua coerên­cia e fidel­i­dade à Con­sti­tu­ição.

Essa não foi uma eleição entre can­didatos de par­tidos políti­cos com pro­gra­mas dis­tin­tos. Foi a dis­pu­ta entre duas visões de mun­do e de gov­er­no.

De um lado, o pro­je­to de recon­strução do país, com ampla par­tic­i­pação pop­u­lar. De out­ro lado, um pro­je­to de destru­ição do país anco­ra­do no poder econômi­co e numa indús­tria de men­ti­ras e calú­nias jamais vista ao lon­go de nos­sa história.

Não foram pou­cas as ten­ta­ti­vas de sufo­car a voz do povo.
Os inimi­gos da democ­ra­cia lançaram dúvi­das sobre as urnas eletrôni­cas, cuja con­fi­a­bil­i­dade é recon­heci­da em todo o mun­do.

Ameaçaram as insti­tu­ições. Cri­aram obstácu­los de últi­ma hora para que eleitores fos­sem impe­di­dos de chegar a seus locais de votação. Ten­taram com­prar o voto dos eleitores, com fal­sas promes­sas e din­heiro far­to, desvi­a­do do orça­men­to públi­co.

Intim­i­daram os mais vul­neráveis com ameaças de sus­pen­são de bene­fí­cios, e os tra­bal­hadores com o risco de demis­são sumária, caso con­trari­assem os inter­ess­es de seus empre­gadores.

Quan­do se esper­a­va um debate políti­co democráti­co, a Nação foi enve­ne­na­da com men­ti­ras pro­duzi­das no sub­mun­do das redes soci­ais.

Eles semear­am a men­ti­ra e o ódio, e o país col­heu uma vio­lên­cia políti­ca que só se viu nas pági­nas mais tristes da nos­sa história.

E no entan­to, a democ­ra­cia venceu.

O resul­ta­do destas eleições não foi ape­nas a vitória de um can­dida­to ou de um par­tido. Tive o priv­ilé­gio de ser apoia­do por uma frente de 12 par­tidos no primeiro turno, aos quais se somaram mais dois na segun­da eta­pa.

Uma ver­dadeira frente ampla con­tra o autori­taris­mo, que hoje, na tran­sição de gov­er­no, se amplia para out­ras leg­en­das, e for­t­alece o pro­tag­o­nis­mo de tra­bal­hadores, empresários, artis­tas, int­elec­tu­ais, cien­tis­tas e lid­er­anças dos mais diver­sos e com­bat­ivos movi­men­tos pop­u­lares deste país.

Ten­ho con­sciên­cia de que essa frente se for­mou em torno de um firme com­pro­mis­so: a defe­sa da democ­ra­cia, que é a origem da min­ha luta e o des­ti­no do Brasil.

Nes­tas sem­anas em que o Gabi­nete de Tran­sição vem escruti­nan­do a real­i­dade atu­al do país, tomamos con­hec­i­men­to do delib­er­a­do proces­so de desmonte das políti­cas públi­cas e dos instru­men­tos de desen­volvi­men­to, lev­a­do a cabo por um gov­er­no de destru­ição nacional.

Soma-se a este lega­do per­ver­so, que recai prin­ci­pal­mente sobre a pop­u­lação mais neces­si­ta­da, o ataque sis­temáti­co às insti­tu­ições democráti­cas.

Mas as ameaças à democ­ra­cia que enfrenta­mos e ain­da haver­e­mos de enfrentar não são car­ac­terís­ti­cas exclu­si­vas de nos­so país.

A democ­ra­cia enfrenta um imen­so desafio ao redor do plan­e­ta, talvez maior do que no perío­do da Segun­da Guer­ra Mundi­al.

Na Améri­ca Lati­na, na Europa e nos Esta­dos Unidos, os inimi­gos da democ­ra­cia se orga­ni­zam e se movi­men­tam. Usam e abusam dos mecan­is­mos de manip­u­lações e men­ti­ras, disponi­bi­liza­dos por platafor­mas dig­i­tais que atu­am de maneira ganan­ciosa e abso­lu­ta­mente irre­spon­sáv­el.

A máquina de ataques à democ­ra­cia não tem pátria nem fron­teiras.

O com­bate, por­tan­to, pre­cisa se dar nas trincheiras da gov­er­nança glob­al, por meio de tec­nolo­gias avançadas e de uma leg­is­lação inter­na­cional mais dura e efi­ciente.

Que fique bem claro: jamais renun­cia­re­mos à defe­sa intran­si­gente da liber­dade de expressão, mas defend­er­e­mos até o fim o livre aces­so à infor­mação de qual­i­dade, sem men­ti­ras e manip­u­lações que lev­am ao ódio e à vio­lên­cia políti­ca.

Nos­sa mis­são é for­t­ale­cer a democ­ra­cia – entre nós, no Brasil, e em nos­sas relações mul­ti­lat­erais.

A importân­cia do Brasil neste cenário glob­al é inegáv­el, e foi por esta razão que os olhos do mun­do se voltaram para o nos­so proces­so eleitoral.

Pre­cisamos de insti­tu­ições fortes e rep­re­sen­ta­ti­vas. Pre­cisamos de har­mo­nia entre os Poderes, com um efi­ciente sis­tema de pesos e con­trape­sos que ini­ba aven­turas autoritárias.

Pre­cisamos de cor­agem.

É necessário tirar uma lição deste perío­do recente em nos­so país e dos abu­sos cometi­dos no proces­so eleitoral. Para nun­ca mais esque­cer­mos. Para que nun­ca mais acon­teça.

Democ­ra­cia, por definição, é o gov­er­no do povo, por meio da eleição de seus rep­re­sen­tantes. Mas pre­cisamos ir além dos dicionários. O povo quer mais do que sim­ples­mente eleger seus rep­re­sen­tantes, o povo quer par­tic­i­pação ati­va nas decisões de gov­er­no.

É pre­ciso enten­der que democ­ra­cia é muito mais do que o dire­ito de se man­i­fes­tar livre­mente con­tra a fome, o desem­prego, a fal­ta de saúde, edu­cação, segu­rança, mora­dia. Democ­ra­cia é ter ali­men­tação de qual­i­dade, é ter emprego, saúde, edu­cação, segu­rança, mora­dia.

Quan­to maior a par­tic­i­pação pop­u­lar, maior o entendi­men­to da neces­si­dade de defend­er a democ­ra­cia daque­les que se valem dela como atal­ho para chegar ao poder e instau­rar o autori­taris­mo.

A democ­ra­cia só tem sen­ti­do, e será defen­di­da pelo povo, na medi­da em que pro­mover, de fato, a igual­dade de dire­itos e opor­tu­nidades para todos e todas, inde­pen­den­te­mente de classe social, cor, crença reli­giosa ou ori­en­tação sex­u­al.

É com o com­pro­mis­so de con­stru­ir um ver­dadeiro Esta­do democráti­co, garan­tir a nor­mal­i­dade insti­tu­cional e lutar con­tra todas as for­mas de injustiça, que rece­bo pela ter­ceira vez este diplo­ma de pres­i­dente eleito do Brasil – em nome da liber­dade, da dig­nidade e da feli­ci­dade do povo brasileiro.

Muito obri­ga­do.

Matéria atu­al­iza­da às 16h28 para inclusão da ínte­gra do dis­cur­so do pres­i­dente eleito

Edição: Bruna Saniele

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