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Maternidade referência no Rio tem prevalência de partos normais

Repro­dução: Hos­pi­tal Estad­ual da Mãe de Mesqui­ta, na Baix­a­da Flu­mi­nense, é recordista da rede de saúde estad­ual em par­tos nor­mais — HMAE/Divulgação

De janeiro a abril, foram feitos 1.478 partos normais e 669 cesáreas


Pub­li­ca­do em 04/06/2023 — 11:57 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O Hos­pi­tal Estad­ual da Mãe de Mesqui­ta (HMAE), situ­a­do na Baix­a­da Flu­mi­nense, con­sid­er­a­do mater­nidade refer­ên­cia na Região Met­ro­pol­i­tana I do esta­do do Rio de Janeiro, con­tabi­liza nos primeiros qua­tro meses deste ano 1.478 par­tos nor­mais e 669 cesáreas. A unidade é recordista da rede de saúde estad­ual em par­tos nor­mais.

No ano pas­sa­do, o HMAE reg­istrou 4.242 par­tos nor­mais, mais que o dobro das cesáreas (2.001). A unidade con­ta com uma equipe mul­ti­dis­ci­pli­nar com­pos­ta por enfer­meiras obstétri­c­as, pedi­atras, assis­tentes soci­ais, fisioter­apeu­tas, nutri­cionistas, den­tis­tas, entre out­ros profis­sion­ais, que acom­pan­ham a paciente durante o pré-natal, par­to e pós-par­to.

De acor­do com dados da Sec­re­taria de Esta­do de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), em 2022, mais de 14 mil bebês nasce­r­am em hos­pi­tais e mater­nidades da rede, sendo 7.587 em par­tos nor­mais (53,20% do total). Em 2021, dos 15.136 recém-nasci­dos que vier­am ao mun­do nos hos­pi­tais da SES-RJ, 60,33% foram por par­to nor­mal. O índice super­ou a média nacional para o ano, de 42,99%.

Parto seguro

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o coor­de­nador estad­ual da Saúde das Mul­heres, obste­tra Anto­nio Bra­ga Neto, afir­mou que é estratégi­co ofer­e­cer um par­to seguro e respeitoso para as mul­heres em todo o esta­do e, em espe­cial, nas qua­tro mater­nidades que estão sob a direção dire­ta da Sec­re­taria de Esta­do de Saúde.

Ape­sar do aumen­to do número de par­tos nor­mais, o médi­co avalia que ain­da é pre­ciso avançar muito. Segun­do ele, três das qua­tro mater­nidades do esta­do são de alto risco obstétri­co e as taxas de cesar­i­anas são maiores. “A despeito dis­so, nós temos a pre­ocu­pação de ofer­e­cer sem­pre um par­to seguro e respeitoso para as nos­sas usuárias.”

Nas mater­nidades do Hos­pi­tal da Mul­her Helonei­da Stu­dart (HMHS), em São João de Mer­i­ti, primeiro da rede estad­ual de saúde total­mente espe­cial­iza­do no atendi­men­to às ges­tantes e bebês de médio e alto risco e prin­ci­pal unidade de refer­ên­cia para esse tipo de atendi­men­to na Baix­a­da Flu­mi­nense, o primeiro quadrimestre de 2023 reg­istrou 665 cesáreas e nen­hum par­to nor­mal. No Hos­pi­tal Estad­ual Azeve­do Lima (HEAL), foram 449 par­tos nor­mais e 530 cesar­i­anas. Tam­bém no Hos­pi­tal Estad­ual dos Lagos Nos­sa Sen­ho­ra de Nazareth (HELAGOS), as césar­eas foram em maior número (312) do que os par­tos nor­mais (204).

Anto­nio Bra­ga Neto salien­tou a neces­si­dade de con­ceitu­ar o que é um par­to nat­ur­al. “Ele é para além do que um par­to de via vagi­nal. O par­to nat­ur­al é aque­le par­to onde nós temos diminuição do número de inter­venções. Você pode ter um par­to nor­mal, via vagi­nal, mas cheio de inter­venções. E esse, cer­ta­mente, não é um par­to nat­ur­al.”

O coor­de­nador lem­brou que, muitas vezes, as pes­soas con­fun­dem par­tos nor­mais com par­tos nat­u­rais. “Não é a mes­ma coisa. Par­to nat­ur­al é aque­le par­to onde, den­tro da segu­rança hos­pi­ta­lar, são ofer­e­ci­das as mel­hores tec­nolo­gias que per­mitem a menor med­ical­iza­ção da paciente. Isso sig­nifi­ca ofer­ta de medica­men­tos para alívio da dor, ban­ho de imer­são em água quente, cumpri­men­to da lei que per­mite a entra­da de um acom­pan­hante, uso da ban­que­ta de par­to e de mas­sagem, práti­cas que garan­tem o con­ta­to pele a pele após o nasci­men­to, aleita­men­to mater­no exclu­si­vo.”

“É o chama­do par­to human­iza­do, cuja base é a assistên­cia segu­ra e respeitosa”, resum­iu. A maio­r­ia dos par­tos nor­mais, no âmbito da rede estad­ual de saúde, foi fei­ta com uso de tec­nolo­gias que per­mitem o pro­tag­o­nis­mo da mul­her durante o tra­bal­ho de par­to e a garan­tia de segu­rança no nasci­men­to do bebê.

Benefícios

O obste­tra expli­cou que, para a mul­her, o par­to nat­ur­al per­mite uma mel­hor exper­iên­cia do nasci­men­to e reduz a ocor­rên­cia de com­pli­cações clíni­cas, em espe­cial, hemor­ra­gias e infecções, que estão dire­ta­mente asso­ci­adas à real­iza­ção de uma cirur­gia de médio ou grande porte, como é a cesar­i­ana. Para o bebê, o par­to vagi­nal per­mite o con­ta­to com bac­térias do canal do par­to, que são impor­tantes para a imu­nidade do recém-nasci­do, como tam­bém mel­ho­ra a adap­tação res­pi­ratória após o nasci­men­to e facili­ta o aleita­men­to mater­no ime­di­a­to após o par­to.

O coor­de­nador da Saúde das Mul­heres disse, ain­da, que uma mul­her recém-oper­a­da, sub­meti­da ao par­to cesar­i­ano, poderá ter difi­cul­dade para segu­rar seu bebê e dores no pós-oper­atório que podem impactar na adesão do aleita­men­to mater­no pre­coce, ini­ci­a­do na primeira hora após o nasci­men­to.

O par­to human­iza­do é uma deter­mi­nação da Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) que visa mel­ho­rar a assistên­cia no tra­bal­ho de par­to, respei­tan­do o tem­po mater­no e do bebê para o nasci­men­to. No esta­do do Rio, a lei que garante dire­itos ao par­to human­iza­do foi san­ciona­da pelo gov­er­nador Cláu­dio Cas­tro, em 2021.

De acor­do com o Sis­tema de Infor­mações sobre Nasci­dos Vivos (Sinasc), em todo o esta­do do Rio de Janeiro, incluin­do as redes públi­ca e pri­va­da, 41,76% dos par­tos real­iza­dos em 2021 foram nor­mais; em 2022, foram 40,55%s. No Brasil, nos hos­pi­tais da rede pri­va­da, ape­nas 18,24% dos par­tos real­iza­dos em 2021 foram vagi­nais, segun­do rev­ela o painel Indi­cadores da Atenção à Saúde Mater­na e Neona­tal, da Agên­cia Nacional de Saúde Suple­men­tar (ANS).

Edição: Juliana Andrade

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