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Médico é preso no estado do Rio por estupro durante parto

Repro­dução: @agência Brasil

Ele aplicava sedativo em excesso em mulheres


Pub­li­ca­do em 11/07/2022 — 12:37 Por Ake­mi Nita­hara – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Ouça a matéria:

Um médi­co aneste­sista foi pre­so em fla­grante na madru­ga­da de hoje (11) por come­ter estupro durante um par­to no Hos­pi­tal Estad­ual da Mul­her, em São João de Mer­i­ti, no esta­do do Rio de Janeiro.

A equipe de enfer­magem do hos­pi­tal descon­fiou da ati­tude do médi­co, que apli­ca­va mais seda­tivos do que o necessário para um par­to cesárea, deixan­do as mul­heres desacor­dadas, e, por isso, colo­cou um celu­lar para filmá-lo.

Segun­do a del­e­ga­da respon­sáv­el pelo caso, Bár­bara Lom­ba, tit­u­lar da Del­e­ga­cia de Atendi­men­to à Mul­her de São João de Mer­i­ti, as ima­gens mostram o médi­co em ato de sexo oral com a mul­her desacor­da­da por cer­ca de 10 min­u­tos, enquan­to a equipe faz a cirur­gia, sep­a­ra­da ape­nas pelo lençol azul, chama­do de cam­po cirúr­gi­co, colo­ca­do para iso­lar o local da cirur­gia da parte supe­ri­or do cor­po da par­turi­ente, impedin­do con­t­a­m­i­nações.

“Foi estar­rece­dor ver as ações do inves­ti­ga­do no vídeo. Nós aqui que temos uma cer­ta exper­iên­cia com atro­ci­dades, com con­du­tas muito graves, vio­len­tas, esta­mos há 21 anos tra­bal­han­do com crimes, nós ficamos estar­reci­dos, é ina­cred­itáv­el o que vimos, é gravís­si­mo. Ain­da mais grave porque é um profis­sion­al que dev­e­ria estar cuidan­do do paciente, o paciente está nas mãos daque­le profis­sion­al, total­mente vul­neráv­el, num momen­to real­mente impor­tante da vida, ten­do um fil­ho, den­tro do Hos­pi­tal da Mul­her, que é um cen­tro de atendi­men­to especí­fi­co para mul­heres”, disse a del­e­ga­da.

Cena testemunhada

A del­e­ga­da expli­cou que, na cirur­gia ante­ri­or, uma inte­grante da equipe de enfer­magem pre­cisou ver­i­ficar um bis­turi e teste­munhou a cena.

E acres­cen­tou: “ontem, no dia 10, foram três cirur­gias. Na segun­da cirur­gia hou­ve um prob­le­ma com o bis­turi e ela [a inte­grante da equipe] teve que ver­i­ficar que prob­le­ma era aque­le e, então, se deparou com o médi­co com o pênis expos­to. Mas man­teve a cal­ma, como se não tivesse vis­to, e eles, para não ficar numa situ­ação de uma pes­soa só rela­tan­do, decidi­ram, em con­jun­to, ten­tar reg­is­trar ima­gens, ten­tar doc­u­men­tar as ações do inves­ti­ga­do na out­ra cirur­gia”.

Após a fil­magem, a equipe comu­ni­cou a dire­to­ria do hos­pi­tal, que acio­nou a Polí­cia Civ­il. O médi­co foi pre­so em fla­grante e será encam­in­hado para a audiên­cia de custó­dia. Segun­do a del­e­ga­da, ele preferiu não se man­i­fes­tar. O nome do médi­co pre­so não foi divul­ga­do.

“O inves­ti­ga­do não quis prestar declar­ações na sede poli­cial, foi assis­ti­do por advo­ga­do e, ori­en­ta­do, preferiu não prestar declar­ações na del­e­ga­cia, prestará em juí­zo. O tem­po todo pare­cen­do con­for­ma­do, não demon­strou mui­ta sur­pre­sa, não demon­strou arrependi­men­to, não negou e não con­fes­sou, sim­ples­mente acatan­do todos os pro­ced­i­men­tos aqui da del­e­ga­cia sem nada falar”, rev­el­ou a poli­cial.

O médi­co foi indi­ci­a­do e pre­so em fla­grante por estupro de vul­neráv­el, por con­ta da impos­si­bil­i­dade de defe­sa da víti­ma, crime que tem pena de oito a 15 anos de reclusão. A del­e­ga­da disse, ain­da, que já req­ui­si­tou doc­u­men­tos ao hos­pi­tal para ver­i­ficar que remé­dios foram min­istra­dos em out­ras pacientes aten­di­das pelo médi­co e se havia ou não a real neces­si­dade de sedação nos casos.

Repúdio

Em nota, a Fun­dação Saúde do Esta­do do Rio de Janeiro e a Sec­re­taria de Esta­do de Saúde (SES) repu­di­aram “vee­mente­mente” a con­du­ta do médi­co aneste­sista e se colo­caram à dis­posição da polí­cia para colab­o­rar com a inves­ti­gação.

“Infor­mamos que será aber­ta uma sindicân­cia inter­na para tomar as medi­das admin­is­tra­ti­vas, além de noti­fi­cação ao Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na do Esta­do do Rio de Janeiro (Cre­merj). A equipe do Hos­pi­tal da Mul­her está pre­stando todo apoio à víti­ma e sua família. Esse com­por­ta­men­to, além de mere­cer nos­so repú­dio, con­sti­tui-se em crime, que deve ser punido de acor­do com a leg­is­lação em vig­or”, infor­mou a nota.

O pres­i­dente do Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na do Esta­do do Rio de Janeiro, Clo­vis Munhoz, infor­mou, em nota, que já abriu inves­ti­gação sobre o caso e poderá cas­sar a licença do médi­co.

“O Cre­merj infor­ma que rece­beu as denún­cias e abriu um pro­ced­i­men­to caute­lar para sus­pen­são ime­di­a­ta do médi­co dada a gravi­dade das ima­gens. O Cre­merj instau­rará, após o pro­ced­i­men­to caute­lar, um proces­so dis­ci­pli­nar de cas­sação”.

Ouça a Radioagência Nacional

Edição: Kle­ber Sam­paio

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