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Mestra do choro, flautista francesa Odette Dias morre aos 96 no Rio

Além de escolher o Brasil, ela contribuiu com a música nacional

Luiz Cláu­dio Fer­reira
Pub­li­ca­do em 24/12/2025 — 14:10
Brasília
Brasília (DF), 24/12/2025 - Mestra do choro, flautista francesa Odette Dias morre aos 96 no Rio. Foto: Concerto
Repro­dução: © Con­cer­to

Na déca­da de 1970, a flautista Odette Ernest Dias rece­bia os ami­gos em casa, em Brasília, para tocar o chor­in­ho por horas a fio. Era tudo tão encan­ta­dor que ess­es encon­tros der­am origem ao Clube de Choro na cap­i­tal. Nes­ta quar­ta (24), o país vive um momen­to de luto com a morte da artista, aos 96 anos, no Rio de Janeiro.

A flautista nasceu na França, mas decid­iu se radicar e abraçar a arte brasileira. O fil­ho dela, o vio­lonista Jaime Ernst Dias afir­mou, em entre­vista à Agên­cia Brasil, que a mãe deixa um lega­do tan­to para a arte como para a for­mação por muitas ger­ações de músi­cos.

“Ela teve uma car­reira longe­va e foi pro­fes­so­ra até os 90 anos no con­ser­vatório no Rio de Janeiro”, exem­pli­fi­cou o fil­ho.

Odette teve seis fil­hos, e cin­co deles são músi­cos. “Ela nos inspirou em todos os sen­ti­dos”.

No ritmo brasileiro

Odette tin­ha ape­nas 23 anos de idade quan­do chegou ao Rio de Janeiro para tocar na Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira. Duas décadas depois, ela foi para a nova cap­i­tal fed­er­al, con­trata­da pela Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB), para ser pro­fes­so­ra de flau­ta.

“Viemos com a família toda para Brasília”, relem­bra o fil­ho.

Nos pal­cos, fez parce­rias impor­tantes com musicis­tas, como a pianista Elza Kazuko Gushiken.

“Min­ha mãe aproveitou muitas opor­tu­nidades, e a car­reira dela como solista se con­soli­dou lá”.

Foi nesse con­tex­to que ela ficou mar­ca­da como fun­dado­ra do Clube do Choro e pela ampli­ação do espaço para o rit­mo no país.

Jaime Ernst Dias desta­ca que gravou com ela um dis­co chama­do “Pais­agem Notur­na”.

Em nota à impren­sa, o Min­istério da Cul­tura man­i­festou pro­fun­do pesar pelo falec­i­men­to da flautista e desta­cou o papel dela na for­mação do Clube do Choro de Brasília.

“O espaço se con­soli­dou como refer­ên­cia cul­tur­al e patrimônio ima­te­r­i­al do Dis­tri­to Fed­er­al”, apon­tou o doc­u­men­to.

Generosidade

O min­istério ain­da acres­cen­tou que, além da atu­ação artís­ti­ca, Odette Ernest Dias deixou lega­do mar­cante como edu­cado­ra, con­tribuin­do para a for­mação de ger­ações de músi­cos e instru­men­tis­tas.

“Sua tra­jetória uniu excelên­cia téc­ni­ca, com­pro­mis­so com a músi­ca e gen­erosi­dade no ensi­no”.

O atu­al dire­tor do Clube do Choro, Hen­rique Neto, tam­bém defend­eu o papel históri­co que a musicista teve para a músi­ca no país.

“Evi­den­te­mente, tudo tem a inspi­ração do lega­do da Odette”.

O pro­fes­sor recor­da que, durante uma hom­e­nagem a ela, em 2021, a musicista fez questão de tocar. “Ela era uma apaixon­a­da por choro e anda­va sem­pre com a flau­ta dela”.

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