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Micro e nanoplásticos contaminam água, ar e alimentos, mostra estudo

Animais contaminados já foram encontrados da Amazônia ao RS

Tâmara Freire — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 17/10/2025 — 17:23
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2025 – Ressaca no mar acumula lixo plástico na praia do Leme, após passagem de um ciclone extratropical. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Os cien­tis­tas ain­da ten­tam com­pro­var os pos­síveis danos à saúde cau­sa­dos pelos micro e nanoplás­ti­cos, mas a onipresença deles no meio ambi­ente e no organ­is­mo humano já foi esta­b­ele­ci­da de for­ma robus­ta. É o que mostra um estu­do feito por dez pesquisadores das uni­ver­si­dades Fed­er­al Flu­mi­nense (UFF), Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Esta­do do Rio de Janeiro (Uerj).

Eles lev­an­taram e anal­is­aram out­ros 140 estu­dos feitos sobre o tema, em diver­sos país­es, incluin­do o Brasil. De acor­do com o pro­fes­sor do Insti­tu­to de Quími­ca da UFF Vitor Fer­reira, ape­sar dos danos do plás­ti­co ao meio ambi­ente já serem inves­ti­ga­dos des­de que foram inven­ta­dos, na déca­da de 40, as micropartícu­las e suas pos­síveis inter­ações com ani­mais e humanos só começaram a gan­har mais atenção nos últi­mos 10 anos.

“Os plás­ti­cos não são biode­gradáveis, e se desco­briu que ess­es mate­ri­ais não resistem à irra­di­ação solar e se que­bram em micropartícu­las, que depois se que­bram em nanopartícu­las. E essas micropartícu­las e nanopartícu­las acabam fican­do na água, no solo, no ar, e entram na cadeia ali­men­tar. Até a água que a gente bebe tem micro e nanoplás­ti­cos”, expli­ca Fer­reira, que lid­er­ou a pesquisa finan­cia­da pela Fun­dação Car­los Cha­gas Fil­ho de Amparo à Pesquisa do Esta­do do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Con­sel­ho Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (CNPq).

Os estu­dos reunidos na pesquisa encon­traram partícu­las em ali­men­tos tão diver­sos quan­to açú­car, sal e mel. Out­ra grande fonte de con­t­a­m­i­nação ali­men­tar são os peix­es e fru­tos do mar, que ingerem ou fil­tram os micro e nanoplás­ti­cos do oceano e depois trans­fer­em essas car­gas para os predadores, incluin­do os seres humanos.

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Ani­mais con­t­a­m­i­na­dos já foram encon­tra­dos da Amazô­nia ao Rio Grande do Sul. Além dis­so, nós tam­bém res­pi­ramos micro e nanoplás­ti­cos e podemos absorvê-los pela pele.

Esti­ma-se que os humanos con­sumam entre 39 mil e 52 mil microplás­ti­cos por ano, número que aumen­ta para até 121 mil, se a via de inalação for con­sid­er­a­da. Algu­mas pes­soas, como as que con­somem ape­nas água engar­rafa­da, podem ingerir quase 90 mil microplás­ti­cos a mais. Mas, para os pesquisadores, ess­es números estão subes­ti­ma­dos, por causa de lim­i­tações metodológ­i­cas: os microplás­ti­cos são rel­a­ti­va­mente fáceis de iso­lar e car­ac­teri­zar, já os nanoplás­ti­cos, muitas vezes, não são detec­ta­dos pelas téc­ni­cas tradi­cionais.

Depois de entrar no organ­is­mo, as partícu­las podem se deposi­tar em locais como os pul­mões e a boca, ou alcançam a cor­rente san­guínea e se acu­mu­lam em diver­sos teci­dos e órgãos. Estu­dos mais recentes iden­ti­ficaram microplás­ti­cos até mes­mo em pla­cen­tas e cordões umbil­i­cais, o que indi­ca que podem chegar até mes­mo aos fetos em desen­volvi­men­to.

O próx­i­mo pas­so da pesquisa, de acor­do com o pro­fes­sor Vic­tor Fer­reira, é esta­b­ele­cer a relação de causa e efeito entre essa con­t­a­m­i­nação e prob­le­mas de saúde, para com­pro­var os danos das partícu­las, o que ele acred­i­ta que seja uma questão de tem­po.

“Por enquan­to, nós só encon­tramos um estu­do clíni­co que estu­dou coágu­los for­ma­dos nas artérias e detec­tou microplás­ti­cos em 60% deles. Pode ser que eles ten­ham ini­ci­a­do o proces­so de infecção e de for­mação dess­es coágu­los, ago­ra é pre­ciso avançar para esta­b­ele­cer essa causa”, disse o pro­fes­sor.

Fer­reira expli­ca que a palavra plás­ti­co é uti­liza­da para nomear diver­sos tipos de polímeros sin­téti­cos, e quase a total­i­dade deles é pro­duzi­da a par­tir de petróleo. Pop­u­lar­mente são mais asso­ci­a­dos à embal­a­gens, mas ess­es mate­ri­ais tam­bém estão pre­sentes em obje­tos como pneus e roupas. Além dos efeitos que podem causar soz­in­hos, há tam­bém os adi­tivos adi­ciona­dos durante a fab­ri­cação.

Por isso, Fer­reira defende medi­das urgentes de mit­i­gação. “Primeiro é pre­ciso ampli­ar a capaci­dade de reci­clagem desse mate­r­i­al, para que ele não seja descar­ta­do e não fique na natureza”, defende, acres­cen­tan­do, no entan­to, que o proces­so depende de ações indi­vid­u­ais, mas prin­ci­pal­mente das indús­trias e dos gov­er­nos.

O pro­fes­sor lem­bra que a Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU) ten­ta, des­de 2022, esta­b­ele­cer um trata­do inter­na­cional para acabar com a poluição plás­ti­ca, mas o fim das nego­ci­ações entre os país­es já foi adi­a­da duas vezes.

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