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Morre em São Paulo a escritora Lygia Fagundes Telles

Repro­dução: © Ale­sp

Ela tinha 98 anos


Pub­li­ca­do em 03/04/2022 — 12:51 Por Bruno Boc­chi­ni e Léo Rodrigues — Repórteres da Agên­cia Brasil — São Paulo/Rio de Janeiro

Mor­reu hoje (3), em São Paulo, aos 98 anos, a escrito­ra e inte­grante da Acad­e­mia Brasileira de Letras (ABL), Lygia Fagun­des Telles. A infor­mação foi con­fir­ma­da pela ABL.

Lygia foi vence­do­ra do Prêmio Camões, em 2005, pelo con­jun­to da obra, e do Prêmio Juca Pato, em 2009, como int­elec­tu­al do ano.

A escrito­ra nasceu na cap­i­tal paulista, estu­dou na Esco­la Cae­tano de Cam­pos e se for­mou na Fac­ul­dade de Dire­ito do Largo de São Fran­cis­co, da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP). Ingres­sou na ABL em 1987 na cadeira 16, na sucessão de Pedro Cal­mon.

Lygia fale­ceu em sua casa, em São Paulo, de causas nat­u­rais. “Perdemos nos­sa queri­da. Par­tiu tran­quil­a­mente! Mas viverá para sem­pre. Prin­ci­pal­mente no coração de seus ami­gos!”, escreveu nas redes soci­ais o jurista José Rena­to Nali­ni, atu­al pres­i­dente da Acad­e­mia Paulista de Letras. O velório ocor­rerá hoje, a par­tir das 16h, na Acad­e­mia Paulista de Letras, em São Paulo. Seu cor­po será cre­ma­do no cemitério da Vila Alpina.

A obra de Lygia abor­da temas vari­a­dos como o amor, a morte, o medo, o adultério e as dro­gas. Tra­ta ain­da de prob­le­mas soci­ais e explo­ra o uni­ver­so fem­i­ni­no, trazen­do um olhar críti­co ao moral­is­mo social e deixan­do trans­pare­cer suas visões políti­cas.

Prêmios

Seu primeiro livro de con­tos, com o títu­lo Porões e sobra­dos, foi pub­li­ca­do em 1938. Rece­beu qua­tro vezes o Prêmio Jabu­ti, con­sid­er­a­do a mais tradi­cional pre­mi­ação literária do Brasil. Na primeira ocasião, em 1966, obteve o feito com a obra O Jardim Sel­vagem. Voltou a gan­har em 1973, com o romance As Meni­nas. Em 1996, con­sagrou-se nova­mente com A Noite Escu­ra e mais Eu e, em 2001, com a coletânea de con­tos Invenção e Memória.

No ano de 2005, foi agra­ci­a­da tam­bém com o Prêmio Camões, que enal­tece autores de lín­gua por­tugue­sa pelo con­jun­to da sua obra. Seu nome entrou pra uma lista da qual atual­mente fazem parte out­ros 33, de cin­co país­es difer­entes.

O tra­bal­ho de Lygia gan­hou as telas da tele­visão. O romance Ciran­da de Pedra, pub­li­ca­do em 1954, foi adap­ta­do pela TV Globo duas vezes. A primeira nov­ela, escri­ta por Antônio Teix­eira Fil­ho e dirigi­da por Wolff Maia, foi ao ar pela TV Globo em 1981. A segun­da ver­são, veic­u­la­da em 2008, foi escri­ta por Alcides Nogueira e dirigi­da por Denise Saraceni.

Seu nome tam­bém aparece na história do cin­e­ma brasileiro. No filme Capitu (1968), inspi­ra­do no romance Dom Cas­mur­ro de Macha­do de Assis, ela tra­bal­hou em parce­ria com o críti­co de cin­e­ma e seu segun­do mari­do Paulo Emílio Sales Gomes, com quem foi casa­da de 1963 até ficar viú­va em 1977. Ambos assi­nam o roteiro que pos­te­ri­or­mente rece­beu o Prêmio Can­dan­go, con­ce­di­do pelo Fes­ti­val de Brasília.

Com for­mação em Dire­ito, a escrito­ra se mobi­li­zou con­tra a cen­sura durante a ditadu­ra mil­i­tar. Jun­to com os escritores Nél­i­da Piñon e Jef­fer­son Ribeiro de Andrade e o his­to­ri­ador Hélio Sil­va, ela com­pôs a comis­são respon­sáv­el pela elab­o­ração do Man­i­festo dos Int­elec­tu­ais, um abaixo-assi­na­do que gan­hou reper­cussão em 1977 após con­quis­tar a adesão de mais de mil sig­natários. Entregue ao Min­istério da Justiça, ele foi con­sid­er­a­do a maior man­i­fes­tação de int­elec­tu­ais con­tra a cen­sura impos­ta no perío­do.

Lygia não deixa descen­dentes. Seu úni­co fil­ho, o cineas­ta Gof­fre­do da Sil­va Telles Neto, fale­ceu em 2006, aos 52 anos. Ele era fru­to do rela­ciona­men­to com o primeiro mari­do, o jurista Gofre­do Teles Júnior, que durou de 1947 até 1960.

Entre seus livros mais impor­tantes estão Antes do Baile Verde (1970), As Meni­nas (1973), Sem­i­nário dos Ratos (1977), Fil­hos Pródi­gos (1978), A Dis­ci­plina do Amor (1980), As Horas Nuas (1989), A Noite Escu­ra e Mais Eu (1995), e Invenção e Memória (2000). Seu livro Ciran­da de Pedra (1954) inspirou a nov­ela homôn­i­ma, exibi­da na TV Globo.

Matéria alter­a­da às 13h05 para acrésci­mo de infor­mações.

* Matéria alter­a­da às15h37 para acrésci­mo de infor­mações

Edição: Kle­ber Sam­paio

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