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Mostra na Biblioteca Nacional conta história dos periódicos do país

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Imprensa negra, LGBT, feminista e títulos infantis são os destaques


Pub­li­ca­do em 14/07/2023 — 07:08 Por Rafael de Car­val­ho Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A Fun­dação Bib­liote­ca Nacional abre nes­ta sex­ta-feira (14), no Rio de Janeiro, a exposição Uma janela para o armazém de per­iódi­cos. Cer­ca de 80 itens do acer­vo foram sele­ciona­dos para con­tar a história da Coor­de­nação de Pub­li­cações Seri­adas, setor da bib­liote­ca que com­ple­tou 100 anos em 2022, e que abri­ga a maior e mais anti­ga coleção de per­iódi­cos do país (no total, são mais de 81 mil títu­los e 372 mil vol­umes). 

Quem vis­i­tar a mostra vai encon­trar uma var­iedade de esti­los, for­mas e con­teú­dos. As curado­ras Sté­fani da Sil­va Sal­ga­do, Raquel Fer­reira e Maria Angéli­ca Bouza­da dividi­ram as obras em cin­co módu­los.

No que tra­ta dos veícu­los de comu­ni­cação impres­sos, sur­preende, por exem­p­lo, a difer­ença de taman­ho entre o jor­nal Vos­sa Sen­ho­ria e o Jor­nal do Com­mer­cio. O primeiro podia ser fol­hea­do com poucos dedos: era con­sid­er­a­do o menor do mun­do pelo Guin­ness World Records. Em 1935, foi pub­li­ca­do nas dimen­sões de 9 cm x 6 cm. Em 1996, pas­sou a ter 3,5 cm x 2,5 cm. O out­ro jor­nal, fun­da­do em 1827 e um dos mais anti­gos do país, media aprox­i­mada­mente 75,5 cm x 59 cm.

Diversidade

Rio de Janeiro (RJ), 13/07/2023 - A exposição Uma janela para o Armazém de Periódicos, da Biblioteca Nacional, celebra o centenário da Coordenação de Publicações Seriadas. Exemplar de Pif Paf, de Millôr Fernandes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução:  Exem­plar de Pif Paf, de Mil­lôr Fer­nan­des — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Quan­do se fala em temas, a diver­si­dade é out­ra car­ac­terís­ti­ca mar­cante do acer­vo. Per­iódi­cos infan­to-juve­nis, LGBTQIA+, reli­giosos, do movi­men­to negro, de tra­bal­hadores, de gru­pos políti­cos e imi­grantes estrangeiros são alguns dos destaques. Cada um aju­da a con­hecer mel­hor as difer­entes real­i­dades soci­ais do país ao lon­go dos anos.

Em tem­pos de facil­i­dade dig­i­tal e online dos acer­vos, a exposição foi pen­sa­da para tam­bém estim­u­lar a curiosi­dade do públi­co com os suportes mate­ri­ais da memória nacional.

“A gente espera que com essa exposição as pes­soas con­sigam tirar um pouquin­ho o ros­to do com­puta­dor. As platafor­mas dig­i­tais, como a nos­sa hemerote­ca, trazem muitas facil­i­dades, mas existe tam­bém o impres­so que pode ser con­sul­ta­do den­tro das dev­i­das questões de preser­vação de cada mate­r­i­al. E é impor­tante lem­brar que tem muito mate­r­i­al guarda­do na Bib­liote­ca Nacional que ain­da não está dig­i­tal­iza­do, porque tem questões de dire­itos autorais”, diz Sté­fani Sal­ga­do, uma das curado­ras da exposição.

Imprensa negra

Rio de Janeiro (RJ), 13/07/2023 - A exposição Uma janela para o Armazém de Periódicos, da Biblioteca Nacional, celebra o centenário da Coordenação de Publicações Seriadas. Exemplar de O Mulato, jornal da imprensa negra pioneiro na luta contra a discriminação racial. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Exposição Uma janela para o Armazém de Per­iódi­cos, da Bib­liote­ca Nacional, por Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

No módu­lo sobre frag­men­tos soci­ais brasileiros, o destaque é o jor­nal O Mula­to ou O Homem de Cor, cri­a­do em 1833 por Fran­cis­co Paula Brito. Ele é con­sid­er­a­do o primeiro per­iódi­co da impren­sa negra no Brasil, ded­i­ca­do à luta con­tra o racis­mo e em defe­sa da abolição da escravidão. Nesse sen­ti­do, tam­bém está expos­ta uma edição espe­cial em cetim do A Cidade do Rio, veícu­lo impres­so do abo­l­i­cionista José do Patrocínio, que luta­va por impul­sion­ar ideias de eman­ci­pação dos escravos jun­to à opinião públi­ca.

Out­ros acon­tec­i­men­tos impor­tantes da história brasileira estão rep­re­sen­ta­dos nas pági­nas dos jor­nais em exibição. Um exem­plar da Revista de Antropofa­gia - pub­li­ca­da entre 1928 e 1929 — traz o Man­i­festo Antropófa­go, sím­bo­lo do movi­men­to mod­ernista brasileiro.

Suicídio de Getúlio Vargas

Rio de Janeiro (RJ), 13/07/2023 - A exposição Uma janela para o Armazém de Periódicos, da Biblioteca Nacional, celebra o centenário da Coordenação de Publicações Seriadas. Exemplar de Última Hora noticia a morte de Getúlio Vargas na capa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Exposição Uma janela para o Armazém de Per­iódi­cos cel­e­bra o cen­tenário da Coor­de­nação de Pub­li­cações Seri­adas. Exem­plar de Últi­ma Hora noti­cia a morte de Getúlio Var­gas–  Foto — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Uma edição do Últi­ma Hora, jor­nal de Samuel Wain­er, de agos­to de 1954, anun­cia o suicí­dio do ex-pres­i­dente Getúlio Var­gas, no Palá­cio do Catete, no Rio. Um número da Pif-Paf lem­bra da revista de humor e críti­ca políti­ca lança­da por Mil­lôr Fer­nan­des em maio de 1964, pou­cas sem­anas depois do golpe mil­i­tar.

As mul­heres e o movi­men­to fem­i­nista estão rep­re­sen­ta­dos pelo O Jor­nal das Sen­ho­ras, lança­do por Joan­na Paula Man­so, em 1852. Foi o primeiro per­iódi­co edi­ta­do por mul­heres no Brasil. A revista Walkyr­ias, lança­da em 1934, era dirigi­da pela jor­nal­ista Jen­ny Pimentel de Bor­ba, e trata­va de questões do movi­men­to fem­i­nista e da eman­ci­pação fem­i­ni­na.

Gru­pos mar­gin­al­iza­dos e víti­mas de dis­crim­i­nação gan­haram voz por meio de per­iódi­cos. O jor­nal Bei­jo da rua, cri­a­do a par­tir do I Encon­tro Nacional de Pros­ti­tu­tas, em 1987, trazia reivin­di­cações de dire­itos para o grupo.

Lampião da Esquina

Rio de Janeiro (RJ), 13/07/2023 - A exposição Uma janela para o Armazém de Periódicos, da Biblioteca Nacional, celebra o centenário da Coordenação de Publicações Seriadas. Exemplares de Lampião da Esquina e Femme, voltados para o público homossesual. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ), 13/07/2023 — A exposição Uma janela para o Armazém de Per­iódi­cos, da Bib­liote­ca Nacional, cel­e­bra o cen­tenário da Coor­de­nação de Pub­li­cações Seri­adas. Exem­plares de Lampião da Esquina e Femme, volta­dos para o públi­co homoss­esu­al. Foto: Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

A revista Femme, do Grupo de Con­sci­en­ti­za­ção e Eman­ci­pação Lés­bi­ca de San­tos, pro­duzi­da entre 1993 e 1996, con­ta­va com a par­tic­i­pação de mul­heres de diver­sos pon­tos do país. O jor­nal Lampião da Esquina, volta­do para o públi­co homos­sex­u­al, cir­cu­lou entre os anos de 1978 e 1981.

Para o coor­de­nador do setor de per­iódi­cos da Bib­liote­ca Nacional, Alex da Sil­veira, a exposição é um dos primeiros pas­sos no sen­ti­do de aprox­i­mar novos públi­cos da insti­tu­ição. Ao des­per­tar o inter­esse pelo acer­vo, ele dese­ja trans­for­mar nova­mente os corre­dores da bib­liote­ca em espaços de socia­bil­i­dade e tro­ca de con­hec­i­men­to.

“A gente sente fal­ta daque­le con­ta­to entre os usuários e os pesquisadores aqui na bib­liote­ca. Temos novas ger­ações que nun­ca tiver­am con­ta­to com o acer­vo mate­r­i­al, só o dig­i­tal. E é uma das nos­sas pre­ocu­pações pen­sar em como recu­per­ar esse espaço de con­sul­ta pres­en­cial e pos­si­bil­i­tar que os pesquisadores pos­sam tro­car ideias entre si”, diz Alex, coor­de­nador de Pub­li­cações Seri­adas.

Serviço

Exposição Uma janela para o armazém de per­iódi­cos 

Data: de 14/07 a 13/09/23
Horário: 2ª a 6ª feira, 10h às 17h
Local: Bib­liote­ca Nacional
Endereço: Av. Rio Bran­co, 219 – Cen­tro — Rio de Janeiro
Entra­da gra­tui­ta

Edição: Kle­ber Sam­paio

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