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Museu do Ipiranga reabre ao público na quinta-feira

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Expectativa é que passe a receber 900 mil visitantes por ano


Pub­li­ca­do em 03/09/2022 — 11:02 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Após nove anos fecha­do e cel­e­bran­do o bicen­tenário da Inde­pendên­cia do Brasil, o Museu Paulista, mais con­heci­do como Museu do Ipi­ran­ga, em São Paulo, vai reabrir ao públi­co na quin­ta-feira (8). Além de restau­ra­do, mod­ern­iza­do e acessív­el, ele apos­ta tam­bém na plu­ral­i­dade e em uma dis­cussão críti­ca sobre as obras.

Para abor­dar assun­tos con­tro­ver­sos, a curado­ria do museu vai uti­lizar recur­sos mul­ti­mí­dia para pro­por novas visões sobre os obje­tos expos­tos. A expec­ta­ti­va é que passe a rece­ber o trip­lo de pes­soas que cos­tu­ma­va procurá-lo, pas­san­do a 900 mil vis­i­tantes por ano.

Mon­u­men­tos que hom­e­nageiam fig­uras e situ­ações con­tro­ver­sas, como está­tuas de ban­deirantes, serão encar­a­dos como doc­u­men­tos históri­cos, ou seja, obras que infor­mavam ou refle­ti­am sobre um modo de se pen­sar à época.

Ago­ra, novas visões serão acres­cen­tadas a ess­es obje­tos. “O con­trapon­to serão out­ras visões da sociedade sobre o tema. Toda exposição terá uma tela de con­trapon­to e uma questão que esta­mos dis­cutin­do é abrir edi­tais para que as pes­soas pos­sam se inscr­ev­er para cri­ar con­trapon­tos para a exposição. Quer­e­mos out­ras vozes da sociedade den­tro da uni­ver­si­dade e den­tro do museu uni­ver­sitário, para não ser uma fala úni­ca. Quer­e­mos um museu muito mais plur­al: é isso que a gente bus­ca no Museu Paulista”, disse Ana Paula Nasci­men­to, pro­fes­so­ra e curado­ra do museu.

Em sua primeira sem­ana de fun­ciona­men­to, o museu terá um horário espe­cial e estará aber­to das 11h às 16h. As vis­i­tas pre­cisam ser agen­dadas pela platafor­ma Sym­pla e, até o dia 6 de novem­bro, a entra­da será gra­tui­ta. O públi­co que vis­i­tar o museu vai deparar com um espaço bem maior: ele hoje tem o dobro de área expos­i­ti­va e terá um restau­rante e um mirante. O mirante, no entan­to, não estará disponív­el aos vis­i­tantes nesse primeiro momen­to: ele ain­da não tem data para ser lib­er­a­do ao públi­co.

Memórias da Independência

A reportagem da Agên­cia Brasil esteve no museu no dia 1º de setem­bro. E, durante a visi­ta, notou que alguns espaços ain­da estavam em obras ou sendo final­iza­dos. Em entre­vista a jor­nal­is­tas, o vice-dire­tor do museu, Amân­cio Jorge de Oliveira, disse que nem tudo ficará pron­to para a rein­au­gu­ração.

“Temos alguns detal­h­es como, por exem­p­lo, a nova área expos­i­ti­va (uma área nova cri­a­da abaixo do edifí­cio mon­u­men­to] que tem ain­da um tem­po de preparação. Na ver­dade, a área ficará pronta, mas ela vai rece­ber, nos próx­i­mos meses, a estru­tu­ra para a exposição Memórias da Inde­pendên­cia. Então, a área de engen­haria fica pronta, mas ele demor­ará um tem­po para rece­ber as exposições”, disse ele.

“De maneira ger­al, o pré­dio estará pron­to, mas evi­den­te­mente, [vão fal­tar] alguns detal­h­es como, por exem­p­lo, a lan­chonete”, acres­cen­tou.

Já o par­que da Inde­pendên­cia e o seu belo jardim francês dev­erão estar pron­tos no dia 6 de setem­bro, ape­nas um dia antes das cel­e­brações do 7 de setem­bro no local. “Em 6 de setem­bro estará tudo pron­to. Temos a restau­ração do jardim francês, que foi patroci­na­do pelo gov­er­no do esta­do de São Paulo, e estará ple­na­mente revi­tal­iza­do para o dia 6 de setem­bro”, afir­mou Oliveira.

Exposições

No novo museu serão apre­sen­tadas 12 exposições, 11 delas de lon­ga duração (que podem durar entre três ou cin­co anos) e uma tem­porária. As de lon­ga duração foram divi­di­das em dois eixos temáti­cos: Para enten­der a sociedade e Para enten­der o museu.

Já a exposição de cur­ta duração Memórias da Inde­pendên­cia ficará em car­taz por qua­tro meses, mas só será inau­gu­ra­da em novem­bro. No total, serão expos­tos mais de 3,1 mil itens per­ten­centes ao museu e 562 itens de out­ras coleções, além de 76 repro­duções e fac-símiles. A maior parte dos obje­tos data dos sécu­los 19 e 20, mas há itens que remon­tam ao Brasil colo­nial.

No eixo Para enten­der a sociedade, que apre­sen­ta o uni­ver­so do tra­bal­ho e a con­sti­tu­ição dos espaços domés­ti­cos, por exem­p­lo, estarão as exposições Uma História do Brasil, Pas­sa­dos Imag­i­na­dos, Ter­ritórios em Dis­pu­ta, Mun­dos do Tra­bal­ho, Casas e Coisas e A Cidade Vista de Cima.

Já no eixo Para enten­der o museu, que traz infor­mações sobre a história de con­strução do edifí­cio e seu ciclo cura­to­r­i­al, estarão as exposições Para Enten­der o Museu, Cole­tar: Ima­gens e Obje­tos, Cat­a­log­ar: Moedas e Medal­has, Con­ser­var: Brin­que­dos e Comu­nicar: Louças.

“No eixo Para enten­der a sociedade estão as exposições do piso térreo e do [andar] supe­ri­or. São as maiores exposições, que têm relação com um tra­bal­ho de pesquisa que faze­mos”, expli­cou Vânia Car­val­ho, docente do Museu Paulista e coor­de­nado­ra da con­cepção e implan­tação das exposições de lon­ga duração do Museu do Ipi­ran­ga.

“Já Para enten­der o museu tem a final­i­dade de mostrar os basti­dores do museu, como o museu tra­bal­ha e con­cebe. É o que chamamos de qua­tro “cês”: cole­tar, cat­a­log­ar, con­ser­var e comu­nicar. Para cada uma dessas exposições, escol­he­mos um seg­men­to das nos­sas coleções como, por exem­p­lo, em con­ser­var, uti­lizamos nos­sa coleção de brin­que­dos. Em comu­nicar, usamos nos­sa coleção de louças”, disse Vânia.

O famoso e imen­so quadro Inde­pendên­cia ou Morte, de Pedro Améri­co, tam­bém foi restau­ra­do e estará nova­mente expos­to no Salão Nobre do museu. Tam­bém há destaque para o grande número de obje­tos de San­tos Dumont, entre eles, um de seus chapéus, e uma imen­sa maque­te que repro­duz o edifí­cio mon­u­men­to.

Quadro “Independência ou Morte!”, do pintor Pedro Américo, no Museu do Ipiranga, na Vila Monumento.
Repro­dução: Quadro Inde­pendên­cia ou Morte!, do pin­tor Pedro Améri­co, no Museu do Ipi­ran­ga, na Vila Mon­u­men­to. — Rove­na Rosa/Agência Brasil

O novo espaço expos­i­ti­vo incluíra áreas que antes não eram acessíveis ao públi­co, entre elas, salas que antiga­mente abri­gavam a parte admin­is­tra­ti­va do museu.

Com isso, a área de exposições trip­li­cou, pas­san­do de 12 para 49 salas. “Do pon­to de vista arquitetôni­co, toda a parte supe­ri­or do edifí­cio foi mod­i­fi­ca­da. Vamos ter uma área expos­i­ti­va no andar supe­ri­or do edifí­cio mon­u­men­to. O fato de as salas serem interli­gadas tam­bém é difer­ente. E ter­e­mos novas salas de exposição. Vamos ter um mirante, que não exis­tia antes. Além dis­so, vamos ter recur­sos tec­nológi­cos e de aces­si­bil­i­dade, o que é total­mente novo no museu”, obser­vou Oliveira.

Acessibilidade

Além da aces­si­bil­i­dade físi­ca, com a inclusão de ele­vadores e ram­pas de aces­so, todas as exposições foram pen­sadas para dar condições mais amplas de explo­ração do acer­vo pelo públi­co. Para isso, serão dis­pos­tos 333 recur­sos mul­ti­ssenso­ri­ais.

Por todo o museu foram insta­l­adas telas táteis, repro­duções em met­al, dio­ra­mas [maque­tes tridi­men­sion­ais], plan­tas táteis para local­iza­ção dos vis­i­tantes, recur­sos audio­vi­suais, dis­pos­i­tivos olfa­tivos, repro­duções visuais e táteis e cader­nos em Braille, entre out­ros. Todas as salas tam­bém vão con­tar com piso podotátil [super­fí­cie cuja rugosi­dade pode ser sen­ti­da pelos pés].

“Ele não é só um museu fisi­ca­mente acessív­el. Ele é acessív­el cog­ni­ti­va­mente, com lin­guagem facil­i­ta­da”, disse Vânia. “Quer­e­mos pro­mover a sen­sação dos mate­ri­ais. Nem tudo é feito com resina. Temos recur­sos mul­ti­ssenso­ri­ais em pedra, em met­al, em porce­lana, em teci­do”.

A ideia, segun­do ela, é que todas as pes­soas pos­sam vis­i­tar o museu jun­tas, ten­do a mes­ma opor­tu­nidade de exper­iên­cia. “Quer­e­mos que as pes­soas pos­sam enten­der o espaço do museu como um espaço de con­vivên­cia da diver­si­dade”, sin­te­ti­zou Vânia.

Mais infor­mações sobre o museu podem ser obti­das neste site. O agen­da­men­to para visi­ta estará disponív­el a par­tir do dia 5 de setem­bro, às 10h.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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