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Museu Nacional prevê volta de excursões escolares entre março e abril

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Prédio, no Rio de Janeiro, foi destruído por incêndio em 2018


Pub­li­ca­do em 05/03/2023 — 09:40 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O Museu Nacional do Rio de Janeiro, vin­cu­la­do à Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio, pre­vê para o triênio 2024/2027 a reaber­tu­ra com­ple­ta do Palá­cio Paço de São Cristóvão, destruí­do por um incên­dio em 2 de setem­bro de 2018.

Em entre­vista exclu­si­va à Agên­cia Brasil, o dire­tor do museu e pale­on­tól­o­go Alexan­der Kell­ner adiantou que as vis­i­tas esco­lares serão retomadas entre o fim de março e o iní­cio de abril, em um novo cen­tro de vis­i­tantes. Rev­el­ou o dese­jo de faz­er reaber­turas grad­u­ais do palá­cio para que a pop­u­lação pos­sa con­ferir o resul­ta­do do que já estiv­er pron­to na restau­ração.

Kell­ner se disse esper­ançoso de que a atenção do gov­er­no fed­er­al per­mi­ta que as obras gan­hem mais recur­sos e veloci­dade — de R$ 433 mil­hões orça­dos para todas as ações, que vão além da restau­ração do palá­cio, ain­da fal­tam ser cap­ta­dos R$ 168 mil­hões.

“Quer­e­mos faz­er [excursões esco­lares] no final de março e iní­cio de abril, para que o Museu Nacional este­ja de vol­ta”, frisou Kell­ner. Ele con­tou que o novo cen­tro de vis­i­tação — de 500 met­ros quadra­dos — rece­berá primeiro as esco­las públi­cas do entorno do cam­pus. “É um mini Museu Nacional. Vamos mostrar as doações que temos rece­bido. As peças vão ficar por algum tem­po e vão ser sub­sti­tuí­das para sem­pre mostrar­mos o que de novo está sendo doa­do, como os min­erais vin­dos da Rús­sia”, frisou.

Sobre a entre­ga com­ple­ta do pro­je­to, ele obser­vou que o que vai deter­mi­nar a veloci­dade das obras e a data da aber­tu­ra total do palá­cio é a disponi­bil­i­dade de recur­sos.

Articulação

“Reab­ri­mos tran­quil­a­mente em 2026, é só ter a aju­da do Min­istério da Edu­cação (MEC). Só que esta­mos plane­jan­do reaber­turas par­ci­ais. Talvez em 2024 abra-se algu­ma coisa, talvez em 2025, mas vai depen­der de artic­u­lação e de din­heiro. Não tem como recon­stru­ir o Museu Nacional sem ver­ba públi­ca, e o MEC, através do min­istro Cami­lo San­tana, se mostrou bas­tante sen­sív­el à causa do Museu Nacional, que é uma causa da sociedade brasileira”, disse. “O dese­jo da admin­is­tração do Museu Nacional é cumprir o dese­jo da pop­u­lação brasileira, que quer vis­i­tar o blo­co 1 antes mes­mo de os out­ros ter­minarem”, salien­tou.

A refor­ma do blo­co 1 do palá­cio foi ini­ci­a­da em novem­bro de 2021 e é a mais avança­da, já com con­clusão das fachadas e cober­turas pre­vista para este ano. Enquan­to isso, os blo­cos 2, 3 e 4 vão começar a ser restau­ra­dos ao lon­go de 2023, e, segun­do Kell­ner, as obras serão mais ráp­i­das. “Ago­ra é repe­tir o que a gente já fez. É mais fácil”.

No Bicen­tenário da Inde­pendên­cia do Brasil, em 2022, o Museu Nacional con­seguiu entre­gar à pop­u­lação o Jardim Ter­raço e a facha­da frontal do palá­cio, que retornou à cor ocre e atrai a atenção de quem visi­ta a Quin­ta da Boa Vista. O dire­tor do museu se empol­ga ao comen­tar a entre­ga e con­ta que o públi­co se emo­ciona ao ver a entra­da prin­ci­pal do palá­cio restau­ra­da.

“A facha­da está de chorar. A gente até diz algo que talvez não seja tão absur­do assim: talvez nem a Família Impe­r­i­al ten­ha vis­to a facha­da tão boni­ta, porque foi toda restau­ra­da. As pes­soas se emo­cionam em ver. Isso demon­stra que, ape­sar de tudo, nós esta­mos avançan­do”, opinou.

A esper­ança de apoio do gov­er­no fed­er­al se dá em con­trapon­to aos atra­sos cau­sa­dos por fal­ta de empen­ho da gestão ante­ri­or, disse Kell­ner. O dire­tor do museu afir­mou que o Insti­tu­to do Patrimônio Históri­co e Artís­ti­co Nacional (Iphan), durante o gov­er­no Bol­sonaro, foi relap­so com pra­zos e aprovações de pro­je­tos, geran­do atra­sos. Da mes­ma for­ma, a Sec­re­taria Espe­cial de Cul­tura, con­tou ele, não aten­dia solic­i­tações da direção do museu e tam­bém difi­cul­tou a aprovação de pro­je­tos via Lei Rouanet.

“A Sec­re­taria de Cul­tura nos atra­pal­hou, a fal­ta de ter o Min­istério da Cul­tura nos atra­pal­hou. No últi­mo ano, o secretário Hélio Fer­raz ten­tou recu­per­ar o tem­po per­di­do, mas, na gestão ante­ri­or, ape­sar de faz­er­mos mais de dez solic­i­tações, em nen­hu­ma tive­mos respos­ta. Não con­seguimos nem ser rece­bidos para tomar um café frio. Ten­ta­mos por mais de dez vezes”, rela­tou. E emen­dou: “atin­gi­ram em cheio o Museu Nacional. A lentidão da Lei Rouanet prej­u­di­cou”.

Kell­ner obser­vou que o Iphan e o MEC já vis­i­taram o Museu Nacional este ano, e em um encon­tro da direção do museu com o min­istério, neste mês, vai apre­sen­tar com mais detal­h­es a situ­ação atu­al e os planos para o mel­hor anda­men­to da restau­ração.

Mais que um museu

Como insti­tu­ição de pesquisa da UFRJ, o Museu Nacional tam­bém sofreu impactos do incên­dio em suas ativi­dades de for­mação e pro­dução cien­tí­fi­ca, que perder­am o espaço físi­co de salas que fun­cionavam no palá­cio e uma parte impor­tante de seu acer­vo.

“O Museu Nacional se rein­ven­tou e con­seguiu os espaços necessários dividin­do o pouco que tin­ha. A gente con­seguiu man­ter as defe­sas de dis­ser­tações e teses de nos­sos seis pro­gra­mas de pós-grad­u­ação. Sim, alguns pro­je­tos foram prej­u­di­ca­dos porque muito mate­r­i­al foi per­di­do e teve que ser redi­re­ciona­do. Impactou, mas não par­al­isou”, rev­el­ou.

Kell­ner disse, ain­da, que a pesquisa tam­bém sofreu um baque com a per­da de lab­o­ratórios e equipa­men­tos, mas doações como a do gov­er­no da Ale­man­ha e inves­ti­men­tos como os da Coor­de­nação de Aper­feiçoa­men­to de Pes­soal de Nív­el Supe­ri­or (Capes) e da Fun­dação de Amparo à Pesquisa do Esta­do do Rio de Janeiro (Faperj) per­mi­ti­ram que os tra­bal­hos con­tin­u­assem cam­in­han­do.

Dificuldades

Com o avanço das obras, a con­strução do Cam­pus de Pesquisa e Ensi­no em um ter­reno viz­in­ho à Quin­ta da Boa Vista e a refor­ma e ampli­ação da Bib­liote­ca Cen­tral dão novo fôlego a essas ativi­dades, que não chegaram a ser inter­romp­i­das e con­tin­uaram o tra­bal­ho em meio a difi­cul­dades.

“Nos­sos pesquisadores ain­da estão lutan­do para ter um espaço min­i­ma­mente dig­no para tra­bal­har. Então, com a refor­ma da bib­liote­ca, já vamos ter um espaço que vai abri­gar uma boa parte deles”, pon­der­ou. “Com a aber­tu­ra da bib­liote­ca, tam­bém poder­e­mos explo­rar a pos­si­bil­i­dade de abrir o Hor­to Botâni­co, onde está local­iza­da a bib­liote­ca, para vis­i­tação. Mas, para isso, pre­cisamos de recur­sos que a gente não tem ain­da. A gente esti­ma em torno de R$ 12 mil­hões”.

A entre­ga da bib­liote­ca esta­va pre­vista para este mês, mas atra­sos rela­ciona­dos à com­pra de equipa­men­tos de ar condi­ciona­do devem adi­ar a rein­au­gu­ração para o segun­do semes­tre. Já no ter­reno viz­in­ho à Quin­ta, estão em anda­men­to a con­strução de três edi­fi­cações mod­u­lares que rece­berão depar­ta­men­tos de pesquisa, e tam­bém deve começar neste ano a obra da primeira nova edi­fi­cação defin­i­ti­va do cam­pus do Museu Nacional.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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