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No Dia do Rock, Brasília resgata memórias do ritmo em rota turística

O prédio onde morou Renato Russo é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Projeto imortaliza locais marcantes do DF onde a guitarra soou alto


Pub­li­ca­do em 13/07/2021 — 07:05 Por Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

Gui­tar­ras, bate­rias, sons e emoções no últi­mo vol­ume. “Imag­ine ficar no exa­to local onde começou a ban­da Abor­to Elétri­co, a Legião Urbana, Cap­i­tal Ini­cial, a Plebe Rude… Imag­ine saber o endereço onde começou aque­la história”. A imag­i­nação do músi­co Philippe Seabra, gui­tar­rista de Plebe Rude, foi uma das respon­sáveis por tirar do papel um pro­je­to de demar­car os endereços que fiz­er­am Brasília (ou todo o Dis­tri­to Fed­er­al) ficar con­heci­da como a Cap­i­tal do Rock. 

Jus­to nes­ta terça-feira (13), Dia Mundi­al do Rock, o gov­er­no local ini­cia a implan­tação de pla­cas de infor­mação em 15 dess­es lugares. Ao todo, serão 41. Não à toa este roteiro foi bati­za­do de Rota do Rock. Seabra é o curador dessa ini­cia­ti­va – que tem recur­sos públi­co-pri­va­dos – para que, mes­mo quan­do hou­ver silên­cio, os sons da memória toquem mais alto.

“Des­de a déca­da de 1960, tin­ham ban­das de rock na cidade, como Os Prim­i­tivos, ou Os Régis, por exem­p­lo. Com o Teatro Nacional ain­da sendo con­struí­do, em 1966, eles já estavam tocan­do. Isso é muito clás­si­co”, pon­tua Seabra.  Ele entende que nes­sa Brasília, de endereços difer­entes, de ruas bati­zadas por números de quadras da Asa Sul e da Asa Norte, o rock está por toda parte. “A preser­vação é um lega­do que quero deixar para o meu fil­ho para que essa história não desa­pareça. Sem dúvi­da, Brasília ain­da é a Cap­i­tal do Rock”.

Influências

Entre o final da déca­da de 1970 e iní­cio dos anos 1980, aque­les jovens, inspi­ra­dos pelas novi­dades do punk rock norte-amer­i­cano, inven­taram uma for­ma de faz­er o rit­mo com temas brasileiros. Encon­travam-se nas gara­gens de casa e do pré­dio para faz­er suas canções. “Des­de muito pequeno, aqui­lo me chama­va atenção, a par­tir da ado­lescên­cia. Aque­le movi­men­to mudou a história do rock brasileiro. Plebe Rude, inclu­sive, chega em 2021 tam­bém aos 40 anos de história”, diz o gui­tar­rista.

A sec­re­taria de Tur­is­mo do Dis­tri­to Fed­er­al expli­ca que, quan­do o vis­i­tante chegar a um dess­es locais, poderá con­hecer um resumo da história que acon­te­ceu ali a par­tir de um QR Code que estará visív­el no local. As pla­cas terão icono­grafia e iden­ti­fi­cação por uma nota musi­cal.

Nes­ta terça (13), é inau­gu­ra­da a pla­ca da Torre de TV. Ain­da nes­ta sem­ana, out­ras 14 peças serão colo­cadas, em lugares que já são espaços turís­ti­cos, como a Ermi­da Dom Bosco, mas tam­bém em frente a pré­dios que pode­ri­am pas­sar des­perce­bidos por quem não con­hece os detal­h­es. No con­jun­to res­i­den­cial da Col­i­na, onde resi­dem pro­fes­sores e estu­dantes da Uni­ver­si­dade de Brasília, por exem­p­lo, aque­les jovens roqueiros se reu­ni­am para com­por e tocar, e assim ficaram famosos como “Tur­ma da Col­i­na”.

A Colina, na Universidade de Brasília, é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: A Col­i­na, na Uni­ver­si­dade de Brasília, é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Aliás, esse é um dos locais desta­ca­dos pela irmã de Rena­to Rus­so, a pro­fes­so­ra e can­to­ra Car­men Man­fre­di­ni (assista tam­bém à entre­vista na TV Brasil). “Eu acho que há vários lugares mar­cantes que influ­en­cia­ram a obra do Rena­to e que o incen­ti­varam a com­por as músi­cas. Entre eles, a Col­i­na. Eles fiz­er­am muitas coisas jun­tos, com o que viria a ser o Cap­i­tal Ini­cial. Foi um dos lugares embriões da for­mação do Abor­to Elétri­co, que foi a ban­da punk deles, em 1977”.

Quem for lá vai saber mais como eram os encon­tros dos músi­cos que começaram a tocar nos gra­ma­dos e nas entre­quadras e gan­haram os pal­cos de todo o país. Para se ter uma ideia, pelo menos 26 ban­das da cidade chegaram às grandes gravado­ras nos anos 80 e 90. Fora do Plano Pilo­to, Philippe Seabra diz que há espaços que fazem parte da história em cidades como Guará, em Taguatin­ga e no Gama, que rece­ber­am shows inau­gu­rais dessas ban­das.

Pertencimento

Pesquisador pela Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP), o his­to­ri­ador Daniel Sav­il­lano estu­dou no doutora­do o fenô­meno do rock dos anos 1980. Ele expli­ca que a cap­i­tal foi influ­en­ci­a­da por uma série de con­jun­turas e que o rock pas­sou a ser parte da iden­ti­dade cul­tur­al da cidade.

“Essa cir­cu­lação de ideias em Brasília foi mar­cante tam­bém pela origem dess­es jovens, de classe média. Essa é uma con­strução de cap­i­tal do rock e isso faz parte da cul­tura nacional”. Para ele, o rock foi uma expressão da época que tem relação com o momen­to históri­co e pre­cisa ser res­gata­da. “A memória, de fato, pre­cisa ser preser­va­da. Isso cria uma ideia de per­tenci­men­to. Afas­ta a ideia ape­nas de que Brasília tem ape­nas pré­dios admin­is­tra­tivos. Esse res­gate de toda obra é fun­da­men­tal”.

Car­men Man­fre­di­ni con­cor­da que a ini­cia­ti­va é essen­cial. “Uma das car­ac­terís­ti­cas do nos­so país é não preser­var. Mes­mo que seja recente, a memória se apa­ga. É mais do que bem-vin­da. Incen­ti­va a edu­cação nos ado­les­centes e tam­bém nas cri­anças sobre quem foram ess­es músi­cos”. Philippe Seabra entende que a Rota do Rock poderá mobi­lizar os atu­ais jovens roqueiros a se inter­es­sarem mais pelo lega­do daque­les que começaram a con­stru­ir essa história.

Teatro Rol­la Pedra, Galpãoz­in­ho… irmã de Rena­to Rus­so lista lugares de Brasília que fazem parte da história do rock brasiliense. Ouça:

Car­men Man­fre­di­ni rela­ta que Rena­to Rus­so foi um dess­es rapazes curiosos que procu­ravam endereços e histórias para trans­for­mar em ver­sos. “As pesquisas do Rena­to eram nas ruas. Ele vis­i­ta­va as cidades-satélites e saiu daque­la vida de meni­no priv­i­le­gia­do para con­tar histórias dos menos favore­ci­dos, como ocorre em Faroeste Caboblo e Dezes­seis. Ele con­ver­sa­va com as pes­soas nas ruas. Den­tro do quar­to ele não iria desco­brir. Foi assim que ele se trans­for­mou em poeta”.

Con­fi­ra espe­cial da EBC sobre Rena­to Rus­so

Mas ela desta­ca que o local icôni­co na tra­jetória de Rena­to é o blo­co B da quadra 303, da Asa Sul. Inclu­sive, haverá uma pla­ca em frente ao pré­dio em que ele mora­va. Foi em seu quar­to, de por­tas aber­tas, que ele viveu um son­ho. “O meni­no imag­i­nou uma ban­da fic­tí­cia. Imag­i­nou-se um ído­lo e astro de rock. Era o mun­do mági­co do meni­no Rena­to (ouça o rela­to com­ple­to abaixo)”. Mais um dos endereços em que a memória pul­sa alto.

O prédio onde morou Renato Russo é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: O pré­dio onde morou Rena­to Rus­so é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Onde estarão as primeiras placas

Torre de TV – local onde vários gru­pos de rock da cidade se apre­sen­taram ao lon­go dos anos.

A Torre de TV de Brasília é uma torre de transmissão radiofônica e televisiva construída em Brasília e inaugurada em 1967 com 224 metros de altura.
Repro­dução: A Torre de TV de Brasília rece­berá, neste 13 de jul­ho, a primeira pla­ca da Rota do Rock — Mar­cel­lo Casal Jr./Agência Brasil

UPIS – fac­ul­dade par­tic­u­lar de Brasília que abrigou diver­sas apre­sen­tações musi­cais, inclu­sive de rock.

QI 8 do Lago Norte – residên­cia de Philippe Seabra, era o QG da Plebe Rude.

Col­i­na, na UnB – ali os fil­hos dos pro­fes­sores uni­ver­sitários e estu­dantes da UnB se encon­travam para tocar e com­por. Foi embaixo do blo­co A da Col­i­na que nasceu o Abor­to Elétri­co.

A Colina, na Universidade de Brasília, é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: A Col­i­na, na Uni­ver­si­dade de Brasília, é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Ed. Rádio Cen­ter – foi neste local que muitas das ban­das da cidade ensa­iavam. A recém-cri­a­da Legião Urbana dividia o aluguel de uma das salas com a Plebe Rude e o XXX.

O edifício Rádio Center é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: O Edifí­cio Rádio Cen­ter é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Esplana­da dos Min­istérios – os maiores shows da cidade acon­te­cem na Esplana­da dos Min­istérios, e várias ban­das nacionais tocaram ali. Entre elas, o Cap­i­tal Ini­cial, que gravou o DVD Mul­ti­show ao Vivo durante um show de aniver­sário de Brasília, com mais de um mil­hão de espec­ta­dores.

Palácio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília
Repro­dução: Palá­cio do Con­gres­so Nacional na Esplana­da dos Min­istérios em Brasília — Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Está­dio Nacional Mané Gar­rin­cha – o últi­mo show da Legião Urbana em Brasília, em 1988, acon­te­ceu no anti­go Mané Gar­rin­cha, e foi inter­rompi­do por prob­le­mas de orga­ni­za­ção e con­fusão gen­er­al­iza­da.

Blo­co B da 303 Sul – pré­dio onde morou Rena­to Rus­so, foi onde ele com­pôs várias de suas canções e era pon­to de encon­tro dos roqueiros.

Espaço Cul­tur­al Rena­to Rus­so — anti­go Teatro Galpãoz­in­ho (508 sul), era para­da obri­gatória para os artis­tas de Brasília nas décadas de 1970 e 1980.

O Centro Cultural Renato Russo é um dos pontos da Rota do Rock.
Repro­dução: O Cen­tro Cul­tur­al Rena­to Rus­so é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Entre­quadra 110/111 Sul– ali fun­ciona­va a lan­chonete Food’s e era onde as ban­das — que subi­am em cam­in­hões — cos­tu­mavam se apre­sen­tar.

Cen­tro de Con­venções Ulysses Guimarães — inau­gu­ra­do em 1979, foi o pal­co que rece­beu grandes shows de ban­das nacionais e inter­na­cionais.

Con­cha Acús­ti­ca de Brasília – pro­je­ta­da por Oscar Niemey­er, foi ali que foi lança­do o LP Rumores, em 1985, mar­can­do o punk rock ori­un­do da cap­i­tal.

A Concha Acústica é um dos pontos da Rota do Rock.
Reprodução:A Con­cha Acús­ti­ca é um dos pon­tos da Rota do Rock — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Cen­tro Com­er­cial Gilber­to Salomão, no Lago Sul – local que rece­beu o primeiro show do Abor­to Elétri­co, em 1980.

QI 9 do Lago Sul​ — onde fica a casa do Digão, que toca­va com seu viz­in­ho Rodol­fo e tornou-se local de ensaio da ban­da Raimun­dos, surgi­da em 1986.

Ermi­da Dom Bosco – no gra­ma­do às mar­gens do lago Para­noá acon­te­ci­am vários shows de rock, entre eles a gravação do DVD Rachan­do Con­cre­to ao vivo, da Plebe Rude.

Edição: Nathália Mendes

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