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Novembro Roxo: prematuridade é principal causa da mortalidade infantil

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal/Agência Brasil

O bebê é prematuro quando nasce antes da 37ª semana de gravidez


Pub­li­ca­do em 06/11/2022 — 09:13 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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O par­to pre­maturo é a prin­ci­pal causa glob­al da mor­tal­i­dade infan­til antes dos 5 anos de idade e o Brasil é o 10º colo­ca­do no rank­ing mundi­al dos país­es com mais nasci­men­tos pre­matur­os. O bebê é con­sid­er­a­do pre­maturo quan­do nasce antes da 37ª sem­ana de gravidez — uma ges­tação com­ple­ta varia entre 37 e 42 sem­anas. 

Por isso, a cam­pan­ha Novem­bro Roxo — que tem 17 de novem­bro como o Dia Mundi­al da Pre­ma­turi­dade — leva um aler­ta às famílias e à sociedade sobre o cres­cente número de par­tos pre­matur­os, suas causas e con­se­quên­cias. De acor­do com o Min­istério da Saúde, todo ano são reg­istra­dos em torno de 340 mil nasci­men­tos pre­matur­os no Brasil, o equiv­a­lente a seis casos a cada dez min­u­tos.

Lev­an­ta­men­to feito pela ONG Prematuridade.com, úni­ca orga­ni­za­ção sem fins lucra­tivos nacional ded­i­ca­da à causa da pre­ma­turi­dade, mostrou que, para 95,4% dos brasileiros, as políti­cas públi­cas rela­cionadas à pre­ma­turi­dade devem ter alta pri­or­i­dade, sendo 74,1% afir­man­do que essa pri­or­iza­ção deve ser muito alta e 21,3%, alta. A Pesquisa de Opinião sobre a Pre­ma­turi­dade foi real­iza­da de for­ma online, entre os dias 3 de agos­to e 20 de setem­bro, e reg­istrou 1.433 par­tic­i­pações de pes­soas de todo o Brasil.

“Nos­so obje­ti­vo, com esse lev­an­ta­men­to, foi avaliar a per­cepção e o grau de con­hec­i­men­to das pes­soas sobre o tema, já que esta­mos falan­do de um dos prob­le­mas soci­ais mais graves do país, que ain­da é descon­heci­do por muitos”, afir­mou  a dire­to­ra exec­u­ti­va da ONG Prematuridade.com, Denise Sug­ui­tani.

Denise disse ain­da que a pesquisa evi­den­ciou que a grande maio­r­ia dos brasileiros acred­i­ta que a pre­ma­turi­dade é um prob­le­ma de saúde públi­ca. “E deve ser olha­do com mais atenção pelo gov­er­no, pelas políti­cas públi­cas e por quem toma as decisões”.

Desconhecimento

Prob­le­ma de saúde públi­ca, a pre­ma­turi­dade ain­da é cer­ca­da por desin­for­mação. O lev­an­ta­men­to da ONG Prematuridade.com mostra que 30% das mães e pais de bebês pre­matur­os descon­heci­am total­mente o tema antes de eles mes­mos pas­sarem por essa exper­iên­cia; 30% con­heci­am muito pouco e 28% pos­suíam prati­ca­mente nen­hum con­hec­i­men­to sobre o assun­to.

“Aque­les pais de pre­matur­os que respon­der­am a pesquisa e que pas­saram pela exper­iên­cia, dis­ser­am que antes de ter um pre­maturo tin­ham pouquís­si­mas infor­mações a respeito dis­so. Então, quer diz­er que a gente pre­cisa falar mais durante o pré-natal, infor­mar as mul­heres em idade fér­til, traz­er o tema à tona para toda sociedade para que, caso ven­ha a acon­te­cer um par­to pre­maturo, os riscos sejam menores, tan­to para mãe quan­to para o bebê”, desta­cou Denise.

Ela acres­cen­tou que a importân­cia de incluir o tema da pre­ma­turi­dade na for­mação e na capac­i­tação con­tínua de profis­sion­ais de saúde que atu­am na fase ante­ri­or ao par­to, “Como os profis­sion­ais da Atenção Bási­ca, para que pos­sam infor­mar as famílias, de maneira ade­qua­da e acol­he­do­ra, que muitas vezes um par­to pre­maturo pode acon­te­cer, mes­mo sem sinais prévios”, afir­ma Denise.

A pesquisa tam­bém mostrou que a maior parte dos par­tic­i­pantes (55,6%) descon­hecia o fato de que o par­to pre­maturo é hoje a prin­ci­pal causa glob­al da mor­tal­i­dade infan­til antes dos 5 anos de idade. Já sobre o Brasil ser o 10º colo­ca­do no rank­ing mundi­al de par­tos pre­matur­os, 64,6% descon­hecem essa real­i­dade, con­tra 35,4% que infor­maram ter ciên­cia a respeito.

Impactos da prematuridade

Uma situ­ação pre­ocu­pante envolve os bebês chama­dos “ter­mo pre­coce”, nasci­dos entre a 37ª e a 38ª sem­anas gesta­cionais, muitos deles de cesáreas ele­ti­vas, ou seja, quan­do não há indi­cação téc­ni­ca para esse tipo de par­to. Pesquisas na área apon­tam que os nasci­dos nesse per­fil podem apre­sen­tar resul­ta­dos de saúde mais semel­hantes aos nasci­dos pre­matur­os do que aos nasci­dos no perío­do “a ter­mo”, com mais de 39 sem­anas de ges­tação.

Out­ro lev­an­ta­men­to feito pela ONG Prematuridade.com, em 2019, com mais de 4 mil famílias, iden­ti­fi­cou que o tem­po médio de per­manên­cia do bebê pre­maturo na UTI neona­tal, após o nasci­men­to, é de 51 dias.

“É uma situ­ação que impacta dire­ta­mente a saúde públi­ca e afe­ta, muitas vezes de for­ma irre­ver­sív­el, os pais e os bebês, tan­to físi­ca quan­to emo­cional­mente”, desta­ca Denise. “Por isso, é cada vez mais evi­dente a neces­si­dade de grandes cam­pan­has de con­sci­en­ti­za­ção sobre o assun­to, além de políti­cas públi­cas que visem a redução do número de par­tos pre­matur­os, for­t­ale­cen­do pro­gra­mas de edu­cação sex­u­al na ado­lescên­cia, plane­ja­men­to famil­iar e acom­pan­hamen­to pré-natal de qual­i­dade”.

Novembro Roxo

Ao lon­go do mês de novem­bro, a ONG Prematuridade.com fará uma série de ativi­dades, online e pres­en­ci­ais, em alusão à cam­pan­ha mundi­al.

“A cam­pan­ha do Novem­bro Roxo deste ano tem como slo­gan o “Garan­ta o con­ta­to pele a pele com os pais do bebê pre­maturo des­de o momen­to do nasci­men­to”. Sabe­mos que cada caso deve ser avali­a­do sep­a­rada­mente, mas que muitas vezes é pos­sív­el, por mais que seja um bebê bem pre­maturo, é pos­sív­el esse con­ta­to ime­di­a­to de mãe com bebê, o pele a pele, o cheiro, o toque, a voz, o bati­men­to cardía­co e o quan­to isso impacta na saúde inte­gral, tan­to físi­ca quan­to emo­cional desse bebê e isso tem impacto a lon­go pra­zo. O méto­do can­gu­ru traz muitos bene­fí­cios”, afir­mou Denise.

A cam­pan­ha pre­tende sen­si­bi­lizar a pop­u­lação em ger­al, os par­la­mentares, os gestores públi­cos e as empre­sas. “Todo mun­do é toca­do pela pre­ma­turi­dade de algu­ma for­ma, mes­mo que não ten­ha entre os ami­gos ou a família um bebê pre­maturo, todos nós somos afe­ta­dos porque é a prin­ci­pal causa de mor­tal­i­dade infan­til, o Brasil é o 10º país no rank­ing de pre­ma­turi­dade e e tem um impacto gigante nos cofres públi­cos, por isso a gente acred­i­ta que con­seguire­mos unir forças nesse novem­bro para mostrar que é impor­tante, e que a gente pode e deve faz­er coisas para mudar esse cenário aqui no país”, final­i­zou a dire­to­ra da Ong Prematuridade.com.

Programação:

- 5 de novem­bro: Ciclo de palestras para as famílias — YouTube Face­book 

-12 e 13 de novem­bro: Vira­da Cul­tur­al Online da Pre­ma­turi­dade — (YouTube)

- 17 de novem­bro – Mara­tona de lives do Dia Mundi­al da Pre­ma­turi­dade — Insta­gramYouTubeFace­book  e LinkedIn

- 18 e 19 de novem­bro: Even­to online da Liga Inter­dis­ci­pli­nar ONG Prematuridade.com — YouTube Face­book 

- 19 de novem­bro: Cam­in­ha­da no Par­que dos Coqueiros, em Flo­ri­anópo­lis (SC), às 9h

- 20 de novem­bro: Cam­in­ha­da no Par­que da Redenção, em Por­to Ale­gre (RS), às 10h, Encon­tro da Pre­ma­turi­dade no Eixão Sul em Brasília – con­cen­tração às 8h, cam­in­ha­da às 9h

- 27 de novem­bro: Cam­in­ha­da da Pre­ma­turi­dade de SP, 10h, em frente ao MASP, na Aveni­da Paulista

Edição: Maria Clau­dia

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