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Operação prende 233 agressores de mulheres no estado de São Paulo

Expectativa é de prender mais agressores ao longo do dia

Cami­la Boehm – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 30/12/2025 — 12:53
São Paulo
Brasília (DF) 11/02/2025 – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) assinou, nesta terça-feira (11), acordo de cooperação com a plataforma de entregas iFood para combater a violência contra a mulher. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

A Oper­ação Ano Novo, Vida Nova, real­iza­da pela Polí­cia Civ­il de São Paulo con­tra agres­sores de mul­heres, pren­deu 233 pes­soas em todo o esta­do, des­de a noite de segun­da-feira (29) até a man­hã des­ta terça-feira (30).

Ao lon­go do dia, os agentes con­tin­u­am cumprindo man­da­dos expe­di­dos pela Justiça. Os alvos são envolvi­dos em crimes de vio­lên­cia domés­ti­ca e famil­iar con­tra mul­heres.

“Esta­mos com 233 pes­soas pre­sas, mas esse número vai subir, tem gente ain­da man­dan­do infor­mações e viat­uras chegan­do de todo o esta­do”, disse o secretário da Segu­rança Públi­ca do esta­do, Osval­do Nico Gonçalves, em cole­ti­va de impren­sa, nes­ta man­hã.

De acor­do com o secretário, a oper­ação envolve quase 1,5 mil poli­ci­ais e 450 viat­uras: “Nós não vamos dar trégua, a defe­sa da mul­her é pri­or­i­dade da min­ha gestão”, acres­cen­tou Gonçalves.

A ação é coor­de­na­da com a Sec­re­taria da Segu­rança Públi­ca de São Paulo e a Sec­re­taria de Políti­cas para a Mul­her.

“Um homem pre­so sig­nifi­ca uma mul­her sal­va, uma família sal­va”, disse a secretária de Políti­cas para a Mul­her, Adri­ana Liporoni.

Até out­ubro, a Polí­cia Civ­il havia pren­di­do 11 mil agres­sores de mul­heres. “Com essas oper­ações de novem­bro e dezem­bro, vai chegar nos 13 mil”, infor­mou Adri­ana.

“Essa oper­ação tem grande valia e resul­ta­do porque, quan­do nós tiramos de cir­cu­lação um con­de­na­do por crime con­tra hon­ra, injúria, calú­nia ou uma vias de fato, esta­mos tiran­do de cir­cu­lação um pos­sív­el autor de um crime mais grave”, disse a del­e­ga­da Cris­tiane Bra­ga, coor­de­nado­ra das Del­e­ga­cias de Defe­sa da Mul­her (DDMs), que estão atuan­do dire­ta­mente na oper­ação.

Além das DDMs, a oper­ação envolve todos os depar­ta­men­tos de Polí­cia Judi­ciária do Inte­ri­or e todas as sec­cionais do Depar­ta­men­to de Polí­cia Judi­ciária da Cap­i­tal.

“É impor­tante que as víti­mas con­fiem na polí­cia, na Sec­re­taria de Segu­rança e no Judi­ciário, e denun­ciem os casos. Assim nós poder­e­mos tomar ati­tudes mais con­tun­dentes e enfrentar de uma for­ma efi­caz a vio­lên­cia con­tra a mul­her”, acres­cen­tou Cris­tiane.

Feminicídio

O crime de fem­i­nicí­dio se car­ac­ter­i­za pelo homicí­dio de uma mul­her cometi­do em razão do seu gênero, car­ac­ter­i­za­do por vio­lên­cia domés­ti­ca e famil­iar, menospre­zo ou dis­crim­i­nação con­tra a condição fem­i­ni­na.

É con­sid­er­a­do a expressão máx­i­ma da vio­lên­cia de gênero e ocorre fre­quente­mente como des­fe­cho de um históri­co de agressões, poden­do ser moti­va­do por ódio, infe­ri­or­iza­ção ou sen­ti­men­to de posse sobre a víti­ma.

No Brasil, é con­sid­er­a­do um crime hedion­do e, quan­do tip­i­fi­ca­do como qual­i­fi­cador do homicí­dio, a pena é de reclusão de 12 a 30 anos.

Aumento de casos

A oper­ação ocorre em um con­tex­to de aumen­to dos casos de fem­i­nicí­dios na cap­i­tal. Em 2025, a cidade reg­istrou o maior número para um ano des­de que a série históri­ca foi ini­ci­a­da, em abril de 2015.

No final de novem­bro, hou­ve grande reper­cussão do atro­pela­men­to de Tainara Souza San­tos, que foi arras­ta­da, pre­sa no veícu­lo, por cer­ca de um quilômetro na Mar­gin­al Tietê. Na ocasião, a víti­ma teve as per­nas sev­era­mente muti­ladas.

Ela chegou a ser socor­ri­da, pas­sou por cirur­gias, mas mor­reu na noite de 24 de dezem­bro, aos 31 anos, deixan­do dois fil­hos.

O autor da agressão, Dou­glas Alves da Sil­va, foi pre­so no dia seguinte ao crime após inves­ti­gações da Polí­cia Civ­il.

O del­e­ga­do Fer­nan­do Bar­bosa Bossa, respon­sáv­el pela inves­ti­gação que lev­ou à prisão do autor do atro­pela­men­to, clas­si­fi­cou a ocor­rên­cia como ten­ta­ti­va de fem­i­nicí­dio, sem pos­si­bil­i­dade de defe­sa da víti­ma e com requintes de cru­el­dade.

“A moti­vação dele foi sim­ples­mente porque ele não aceita­va um tér­mi­no, aque­la sen­sação de posse, em um total despre­zo à condição de gênero e de mul­her, autên­ti­ca ten­ta­ti­va de fem­i­nicí­dio”, disse o del­e­ga­do, na ocasião em que foi anun­ci­a­da a prisão de Dou­glas, que teve um rela­ciona­men­to breve com a víti­ma, segun­do as inves­ti­gações da polí­cia.

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