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Paquetá pode se tornar a primeira área livre da covid-19 no Rio

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Repro­dução: © Rafael Catarcione/RioTur

Vacinação em massa faz parte de estudo da Fiocruz


Pub­li­ca­do em 19/06/2021 — 13:41 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

A bucóli­ca Ilha de Paque­tá, com suas ruas de ter­ra e casas históri­c­as, estará na van­guar­da da cidade do Rio de Janeiro nos próx­i­mos meses e poderá ser a primeira área da cidade a erradicar a covid-19. O pas­so mais impor­tante para que isso acon­teça ocorre aman­hã (20), com a vaci­nação em mas­sa pro­movi­da em um estu­do da Sec­re­taria Munic­i­pal de Saúde do Rio de Janeiro e da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz). 

Famosa nacional­mente como cenário do clás­si­co A Moren­in­ha, romance de Joaquim Manuel de Mace­do, a ilha é local­iza­da na parte mais inter­na da Baía de Gua­n­abara e tem 4.180 moradores. Para chegar e sair do bair­ro, a bar­ca é o úni­co meio de trans­porte públi­co, e as bici­cle­tas e cam­in­hadas sub­stituem os car­ros nos 120 hectares de área da ilha.

Em uma trans­mis­são ao vivo na inter­net com a Asso­ci­ação de Moradores de Paque­tá (More­na), real­iza­da na últi­ma sem­ana, pesquisadores da Fiocruz e o secretário munic­i­pal de Saúde, Daniel Soranz, explicaram como fun­cionará o estu­do, que terá um ano de duração e espera ante­ci­par os efeitos da vaci­nação que meses depois serão obser­va­dos no restante da cidade. O imu­nizante uti­liza­do será a vaci­na Oxford/AstraZeneca, que é pro­duzi­da no Insti­tu­to de Tec­nolo­gia em Imuno­bi­ológi­cos (Bio-Man­guin­hos/­Fiocruz).

“Nos­sa esper­ança e prin­ci­pal expec­ta­ti­va é que Paque­tá seja a primeira área do Rio de Janeiro livre da covid-19, e a gente poder falar que esta­mos há tan­tos dias sem nen­hum caso de covid-19 em Paque­tá. A expec­ta­ti­va é que isso acon­teça 14 dias após a segun­da dose, mas pode acon­te­cer de a imu­nidade cole­ti­va ser até mes­mo com a primeira dose. Vamos anal­is­ar diari­a­mente a cur­va de casos”, disse Soranz.

Na quin­ta-feira (17), o tra­bal­ho começou a ser real­iza­do com a cole­ta de amostras de sangue para testes sorológi­cos em 3 mil moradores de Paque­tá que se apre­sen­taram como vol­un­tários. Entre os obje­tivos, o estu­do quer mon­i­torar a “soro­con­ver­são”, isto é, quem era soroneg­a­ti­vo (não tin­ha anti­cor­pos) e pas­sou a ser soropos­i­ti­vo (com anti­cor­pos). A pesquisa será capaz de difer­en­ciar quem pas­sou a ter anti­cor­pos por causa da vaci­na e quem os adquir­iu dev­i­do a uma infecção, e isso aju­dará a ver­i­ficar, entre out­ros pon­tos, o nív­el de pro­teção cole­ti­va que será alcança­do.

O infec­tol­o­gista da Fiocruz José Cerbino Neto expli­cou que a pop­u­lação será divi­di­da em três gru­pos: quem já havia se vaci­na­do, quem vai rece­ber a vaci­na no domin­go e quem não pode rece­ber a vaci­na, como as cri­anças. Com isso, será pos­sív­el con­ferir questões como a pro­teção já na primeira dose e o quan­to a vaci­nação das pes­soas em vol­ta é capaz de pro­te­ger quem não foi imu­niza­do.

Segun­do a Sec­re­taria Munic­i­pal de Saúde, 1.946 pes­soas já havi­am rece­bido a primeira dose de algu­ma das vaci­nas con­tra a covid-19 em Paque­tá até o dia 17 de jun­ho, e 1.132 segun­da dose já havi­am sido apli­cadas nos moradores até a mes­ma data. A expec­ta­ti­va de Soranz é que o número de dos­es apli­cadas neste domin­go pos­sa chegar a 1,6 mil.

Os pesquisadores expli­cam que quan­to maior for a adesão da pop­u­lação ao estu­do, maior será a pos­si­bil­i­dade de extrair con­clusões. A pesquisa é con­sid­er­a­da um estu­do de Fase 4, quan­do o que está em análise é a efe­tivi­dade das vaci­nas “no mun­do real”, con­ceito que é difer­ente de eficá­cia, que é o per­centu­al de pro­teção medi­do pelos testes clíni­cos, em um grupo con­tro­la­do e em com­para­ção a um place­bo antes da aprovação da vaci­na pelas autori­dades san­itárias.

“O que a gente pre­cisa faz­er ago­ra é a fase seguinte dess­es estu­dos”, acres­cen­ta o infec­tol­o­gista Cerbino Neto. “São os estu­dos que a gente chama de ‘mun­do real’, em que a gente apli­ca a vaci­na na pop­u­lação em um ambi­ente muito menos con­tro­la­do”.

Estudo

A escol­ha de Paque­tá para esse estu­do pas­sa por uma série de car­ac­terís­ti­cas, como o fato de ser uma ilha, com uma úni­ca entra­da e saí­da. Além dis­so, o bair­ro tem ape­nas uma unidade de saúde, que, por sua vez, pos­sui um cadas­tro de saúde da família bem con­sol­i­da­do com capaci­dade de mon­i­torar a evolução dos casos.

O infec­tol­o­gista da Fiocruz disse ain­da que o estu­do em Paque­tá terá car­ac­terís­ti­cas difer­entes dos que foram real­iza­dos em pop­u­lações maiores, como nas cidades de Ser­rana e Botu­catu. Segun­do o infec­tol­o­gista, com um grupo pop­u­la­cional menor em obser­vação, é pos­sív­el, por exem­p­lo, anal­is­ar o deslo­ca­men­to dos vol­un­tários para fora da ilha e pos­síveis impactos que isso pos­sa ter na efe­tivi­dade da vaci­na. Ape­sar da análise mais com­ple­ta, os dados e as infor­mações médi­cas dos moradores serão man­ti­das em sig­i­lo.

“A gente vai poder avaliar questões de segu­rança da vaci­na, even­tos adver­sos em uma escala maior e com con­t­role mais fino. A gente vai poder ver a respos­ta da vaci­na para as difer­entes vari­antes. Todos os casos de covid-19 que even­tual­mente apareçam a gente vai genoti­par para saber que vari­ante é aque­la. São respostas muito impor­tantes nesse momen­to”, expli­ca Cerbino Neto.

“Paque­tá está na van­guar­da da estraté­gia de vaci­nação da cidade. A gente vai começar por Paque­tá e os resul­ta­dos que a gente encon­trar vão aju­dar muito nas políti­cas de con­t­role para o resto da cidade”.

Evento-teste

Oito sem­anas após a primeira dose, haverá uma nova vaci­nação em mas­sa para com­ple­tar o esque­ma vaci­nal dos par­tic­i­pantes do estu­do. O inter­va­lo de oito sem­anas está den­tro da janela de oito a 12 sem­anas recomen­da­da para a apli­cação da segun­da dose da AstraZeneca e per­mi­tirá obter os resul­ta­dos mais rap­i­da­mente do que com o inter­va­lo de 12 sem­anas. A expec­ta­ti­va dos pesquisadores é que 14 dias após a segun­da dose a cir­cu­lação do vírus ten­ha sido reduzi­da ou zer­a­da, abrindo cam­in­ho para a real­iza­ção de um even­to-teste na ilha.

O even­to será real­iza­do no Par­que Darke de Mat­tos, um local aber­to, e só poderão par­tic­i­par moradores de Paque­tá que ten­ham sido vaci­na­dos. Essa eta­pa do estu­do depende de uma grande adesão à vaci­nação e per­mi­tirá obser­var se o vírus será capaz de cir­cu­lar em meio a uma pop­u­lação vaci­na­da, que será dis­pen­sa­da do uso de más­cara nes­sa ocasião, segun­do Cerbino Neto.

“A ideia é que seja um even­to ao ar livre, em que as pes­soas pos­sam par­tic­i­par sem más­caras. A gente acred­i­ta que mes­mo que haja uma pes­soa infec­ta­da naque­le ambi­ente, o fato de ter um cin­turão com um grande número de pes­soas vaci­nadas não vai per­mi­tir trans­mis­são do vírus. Isso é que é a pro­teção cole­ti­va, a imu­nidade de reban­ho. Mas isso vai depen­der da adesão da pop­u­lação ao estu­do”, expli­ca o infec­tol­o­gista, que afir­ma que essa adesão tam­bém vai deter­mi­nar a data e o for­ma­to do even­to.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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