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Para especialistas, sirenes são insuficientes para evitar desastres

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Governo de SP decidiu instalar equipamento após enchentes


Pub­li­ca­do em 28/02/2023 — 22:43 Por Bruno Boc­chi­ni — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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O gov­er­no paulista anun­ciou no últi­mo dia 23, logo após o tem­po­ral no litoral Norte de São Paulo que deixou 65 mor­tos, que insta­lará sirenes na região, em locais onde há risco de desaba­men­tos e enchentes. A medi­da emer­gen­cial, no entan­to, é vista com cautela por espe­cial­is­tas. Eles afir­mam que a adoção dos equipa­men­tos pre­cisa ocor­rer em con­jun­to com uma série de ações, como o treina­men­to da pop­u­lação, a elab­o­ração de rotas de fuga e a real­iza­ção recor­rente de sim­u­la­dos.

“Esse sis­tema de aler­ta tem que estar den­tro do sis­tema de gestão de risco do municí­pio. Você tem que ter um mapea­men­to das áreas de risco e das áreas que vão rece­ber essas pes­soas em caso de desas­tre, em caso de aci­dente. Essas pes­soas têm que ser dire­cionadas para locais que sejam seguros”, desta­ca o pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista (Une­sp) de Rio Claro e dire­tor da Fed­er­ação Brasileira de Geól­o­gos, Fábio Augus­to Reis

De acor­do com o pesquisador, o treina­men­to da pop­u­lação é out­ra eta­pa impor­tante do sis­tema de aler­ta, e deve con­tar com as lid­er­anças de bair­ro. “O treina­men­to até parece sim­ples, mas não é. É um proces­so que tem que ter o con­venci­men­to da pop­u­lação. As pes­soas têm que ser con­ven­ci­das que aque­le sis­tema fun­ciona e, para esse con­venci­men­to, você tem que ter líderes da comu­nidade local par­tic­i­pan­do”, afir­ma.

Segun­do Reis, den­tro de um sis­tema de gestão de riscos, a sirene é o últi­mo ele­men­to. Ele crit­i­ca a ideia de que a sim­ples insta­lação do equipa­men­to seja a solução para todos os prob­le­mas e reforça a neces­si­dade de que uma série de ações sejam tomadas em con­jun­to.

Ele expli­ca que o sis­tema de sirenes é bas­tante efi­ciente no Japão, onde há treina­men­tos recor­rentes e já faz parte da cul­tura do país. “Tem que ter treina­men­to anu­al. Por isso que no Japão fun­ciona a sirene. Eles treinam a pop­u­lação há mais um sécu­lo. As leis deles de Defe­sa Civ­il sobre desas­tres nat­u­rais têm mais de 100 anos”.

Para o pro­fes­sor do Insti­tu­to Alber­to Luiz Coim­bra de Pós-Grad­u­ação e Pesquisa de Engen­haria (Coppe) da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Cane­do, o proces­so de imple­men­tação das sirenes pre­cisa, antes de tudo, levar em con­ta que as entre as pes­soas que serão aler­tadas pelo equipa­men­to estão idosos, cri­anças, doentes, pes­soas com defi­ciên­cia, e com difi­cul­dade de loco­moção.

“O que faz­er para socor­rer aque­les que não podem sair, pes­soas idosas, pes­soas que este­jam doentes, com difi­cul­dade loco­moção. Vai ter que ter pes­soas treinadas para ir no con­trafluxo. Todo mun­do descen­do e vai ter que ter pes­soas espe­cial­izadas para subir, reti­rar aque­las pes­soas que são cadeirantes, que são doentes do coração. É tudo uma grande con­fusão. Não é só tocar o api­to e está resolvi­do”.

O pro­fes­sor acres­cen­ta que o desas­tre pode ocor­rer em um horário em que a maio­r­ia dos adul­tos este­ja tra­bal­han­do fora de casa. “Quem vai subir e pegar as cri­anças e idosos?”, ques­tiona. “Plano de con­tingên­cia para evac­uação é algo muito difí­cil de ser feito. Mas é extra­or­di­nar­i­a­mente mais difí­cil de ser con­duzi­do. E é por isso que tem que ser muito bem plane­ja­do”.

Edição: Marce­lo Brandão

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