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Parada LGBT+ Rio: organizadores planejam iniciativas sustentáveis

Evento no dia 24 de novembro deve se transformar em Parada Verde

Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­da em 04/10/2024 — 08:36
Rio de Janeiro
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Rio de Janeiro (RJ), 19/11/2023 – Público na 28ª Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio de Janeiro, em Copacabana, zona sua da cidade. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Ondas de calor, secas, inun­dações. A crise climáti­ca se apre­sen­tou de difer­entes for­mas no Brasil em 2024 e reforçou a urgên­cia de medi­das de pro­teção ao meio ambi­ente. Con­scientes da situ­ação, orga­ni­zadores da Para­da do Orgul­ho LGBTI+ do Rio de Janeiro preparam uma série de ini­cia­ti­vas para trans­for­mar o even­to do dia 24 de novem­bro em uma “Para­da Verde”.

O pres­i­dente do Grupo Arco-Íris e coor­de­nador ger­al da para­da, Cláu­dio Nasci­men­to, expli­ca as prin­ci­pais medi­das pen­sadas para o even­to.

“Quer­e­mos em um perío­do de três anos, entre 2024 e 2026, imple­men­tar o pro­je­to Para­da Verde Rumo ao Car­bono Zero. Por­tan­to, é colo­car em práti­ca ações que pos­sam diminuir o impacto ambi­en­tal que o even­to pode provo­car”, diz Cláu­dio. “Na Para­da deste ano tam­bém ter­e­mos dez ten­das fazen­do a edu­cação ambi­en­tal dos par­tic­i­pantes. Orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais (ONGs), ofic­i­nas em praça públi­ca e na pra­ia. A gente entende que o primeiro pon­to de par­ti­da é edu­car a pop­u­lação LGBT+ e a sociedade em ger­al para a importân­cia da sus­tentabil­i­dade ambi­en­tal”.

Almir França, pro­fes­sor, ativista e estilista, é o respon­sáv­el pela parte cenográ­fi­ca da Para­da LGBTI+, e adi­anta alguns detal­h­es pre­vis­tos para o even­to de novem­bro.

“Ter­e­mos três trios elétri­cos pen­sa­dos em cima da história da Amazô­nia e da Mata Atlân­ti­ca. Vou usar ele­men­tos cenográ­fi­cos para tratar das questões ambi­en­tais, mas pos­so cair em con­tradição se estiv­er pro­duzin­do uma série de resí­du­os sem a des­ti­nação cor­re­ta. Então, toda a nos­sa cenografia vai ser com reaproveita­men­to de mate­r­i­al. Todos os resí­du­os que a gente cole­tou ao lon­go dos anos ante­ri­ores vão ser todos trans­for­ma­dos em um grande cenário. E os resí­du­os pro­duzi­dos em 2024 vão servir de matéria-pri­ma para a próx­i­ma Para­da LGBT+ ou out­ros even­tos do Grupo Arco-Íris”, expli­ca Almir.

A urgên­cia do tema é tão grande que out­ras medi­das já estão sendo plane­jadas para os próx­i­mos anos.

“Em 2025, tam­bém vamos tra­bal­har para a pro­dução de dois trios elétri­cos den­tro de uma lóg­i­ca de ener­gia elétri­ca e não de com­bustíveis fós­seis. Tam­bém vamos cal­cu­lar quan­to foi emi­ti­do de car­bono e quan­tas árvores vão ser plan­tadas para com­pen­sar os danos ambi­en­tais provo­ca­dos pelo even­to”, diz Cláu­dio Nasci­men­to.

Interseção de pautas

Pode pare­cer estran­ho que um even­to volta­do para defend­er deman­das da pop­u­lação LGBTI+ abor­de questões ambi­en­tais. Os orga­ni­zadores enten­dem que as pau­tas especí­fi­cas não podem estar desconec­tadas de out­ros prob­le­mas soci­ais mais abrangentes.

“Por mais que a Para­da LGBT seja o ampli­fi­cador das nos­sas pau­tas por cidada­nia, nos­so papel tam­bém é vis­i­bi­lizar as agen­das inter­sec­cionais conec­tadas com os dire­itos humanos. Temos trazi­do nos últi­mos anos pau­tas como racis­mo, mis­oginia e machis­mo, liber­dade reli­giosa. Com­preen­demos que não esta­mos iso­la­dos dos demais prob­le­mas”, diz Cláu­dio Nasci­men­to.

“O movi­men­to LGBT+, em sua história, escan­dal­iza questões que con­tem­plam toda uma sociedade. Questões de saúde e pre­venção de doenças sex­ual­mente trans­mis­síveis, dis­cussões de gênero e ago­ra, na questão ambi­en­tal, pre­cisamos de novo puxar essa cor­da. Porque somos os primeiros a ser engoli­dos quan­do acon­te­cem as catástro­fes, a não ser incluí­dos no proces­so de sal­va­men­to e cuida­do”, com­ple­men­ta Almir França.

Há, por­tan­to, o entendi­men­to de que deter­mi­na­dos gru­pos soci­ais estão mais vul­neráveis aos impactos da crise climáti­ca, por serem des­fa­vore­ci­das do pon­to de vista econômi­co e socio­cul­tur­al.

“Tam­bém falam­os em uma LGBT­fo­bia ambi­en­tal. A nos­sa comu­nidade vai ser atingi­da de for­ma difer­en­ci­a­da, por con­ta da maior vul­ner­a­bil­i­dade social. Quan­do anal­isamos o número de desem­pre­ga­dos no Brasil, por exem­p­lo, a taxa de des­ocu­pação de trav­es­tis e tran­sex­u­ais é em torno de 95%. E se atinge do pon­to de vista econômi­co, atinge do pon­to de vista ambi­en­tal”, diz Cláu­dio. “Por isso, pen­samos que a pop­u­lação LGBTQIA+ pode ser parte impor­tante da solução”.

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