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Romaria fluvial antecede procissão do Círio de Nazaré, em Belém

Previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo

Mara Régia* e Luciano Nasci­men­to — Repórteres da Rádio Nacional da Amazô­nia e da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 11/10/2025 — 13:16
Belém e São Luís
Círio de Nazaré
Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr /Agência Brasil

Belém aman­heceu neste sába­do (11) com a romaria do Círio Flu­vial, que faz parte das comem­o­rações do Círio de Nazaré. Sain­do às 9h do Trapiche do Dis­tri­to de Icoaraci rumo à Escad­in­ha da Estação das Docas, a imagem Pere­g­ri­na é lev­a­da a bor­do do navio Gar­nier Sam­paio, da Mar­in­ha do Brasil, respon­sáv­el tam­bém pela orga­ni­za­ção e con­t­role da romaria. 

A esti­ma­ti­va é que cer­ca de 50 mil pes­soas e mais de 400 embar­cações par­tic­i­pam da romaria em hom­e­nagem a Nos­sa Sen­ho­ra de Nazaré.

Con­sid­er­a­da uma das mais belas pro­cis­sões do Círio, a Romaria Flu­vial acon­tece des­de 1986. O tra­je­to tem duração aprox­i­ma­da de duas horas, com 10 mil­has marí­ti­mas (cer­ca de 18,5 km). A chega­da da Imagem Pere­g­ri­na à Escad­in­ha (Praça Pedro Teix­eira) é mar­ca­da por hon­ras de Chefe de Esta­do, uma vez que uma lei estad­ual de 1971 proclam­ou Nos­sa Sen­ho­ra de Nazaré Padroeira do Pará e Rain­ha da Amazô­nia.

Ain­da ontem, a maior pro­cis­são em exten­são, com a imagem pere­g­ri­na de Nª Sª de Nazaré havia per­cor­ri­do 52,3 quilômet­ros, até as 18h sem inci­dentes. Neste sába­do, tem mais pro­cis­sões: a pro­cis­são rodoviária por 24 quilômet­ros, ante­cedeu a Romaria Flu­vial e, depois, com haverá a moto romaria.

À noite ocorre a Trasladação, que dura cer­ca de 5 horas e meia e numa ante­ci­pação do que acon­te­cerá aman­hã, a par­tir das 6h, quan­do tem iní­cio a pro­cis­são mais impor­tante do Círio, com cer­ca de 2 mil­hões de pes­soas.

Procissão

Este ano, a maior pro­cis­são católi­ca do mun­do cel­e­bra a sua 233ª edição às vésperas da 30ª, Con­fer­ên­cia da ONU sobre Mudanças Climáti­cas (COP-30), e por isso está sendo con­sid­er­a­da a COP da flo­res­ta.

Con­sid­er­a­do patrimônio Cul­tur­al da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma fes­ta que mostra a devoção do povo paraense e a pre­visão é de mais de 2 mil­hões de pes­soas na pro­cis­são deste domin­go (12).

Casa de Plácido

Local de abri­go, sol­i­dariedade, acol­hi­men­to e amor, a Casa de Plá­ci­do faz uma hom­e­nagem ao paraense agricul­tor e caçador Plá­ci­do José de Souza, que no ano de 1.700 encon­trou a peque­na imagem de Nos­sa Sen­ho­ra de Nazaré, entre pedras lodosas às mar­gens do Igara­pé Muru­tu­cu — onde atual­mente se encon­tra a Basíli­ca -, no tron­co de uma árvore.

Após o acha­do, Plá­ci­do lev­ou a imagem para a sua choupana e, no out­ro dia, ela não esta­va lá. Cor­reu ao local do encon­tro e lá esta­va a imagem da San­tinha. E o fato se repetiu várias vezes. Plá­ci­do, então, con­stru­iu no local uma ermi­da. Mas para muito além da história, é na “Casa de Plá­ci­do” que o mila­gre da fé se cor­pori­fi­ca no rit­u­al do lava-pés uma demon­stração de humanidade e doação.

Por ali pas­sam as car­a­vanas dos romeiros. Segun­do a coor­de­nado­ra da Acol­hi­da da Casa de Plá­ci­do, Maria da Con­ceição Rodrigues, este ano são esper­adas 18 mil pes­soas que serão aten­di­das pelas equipes de vol­un­tários que tra­bal­ham em reveza­men­to.

“Esta­mos neste Círio com 530 vol­un­tários, de diver­sas profis­sões de médi­cos, advo­ga­dos, con­ta­dor, pedreiros, desem­pre­ga­dos, todas as profis­sões. Temos tam­bém estu­dantes de med­i­c­i­na e de fisioter­apia tra­bal­han­do como mas­sag­is­tas. Somos 14 equipes de tra­bal­ho, atendi­men­to, recepção, pes­soal que dá a refeição, pes­soal que coz­in­ha”, expli­cou Maria da Con­ceição.

A Casa de Plá­ci­do pres­ta atendi­men­to para os romeiros do Círio. O local foi aber­to ofi­cial­mente na quar­ta-feira (8) e fica aber­to até aman­hã (12), às 13h. Sendo reaber­ta na terça-feira (14) para o resto da quinzena do Círio. O fechamen­to ocorre para que os vol­un­tários tam­bém con­sigam acom­pan­har a pro­cis­são de domin­go. O local.

“Ano pas­sa­do, tive­mos 238 car­a­vanas e foram 20.500 pes­soas só de car­a­vanas, de romeiros vis­i­tantes foram 11 mil. Nós acred­i­ta­mos que essa expec­ta­ti­va vai aumen­tar, até quar­ta-feira quan­do a casa não esta­va aber­ta já tín­hamos 212 car­a­vanas inscritas e já tin­ha uma média de 18 mil pes­soas”, disse.

“Por exem­p­lo, a pes­soa chegou pas­san­do mal, ela vai dire­to para o serviço médi­co, se pre­cis­ar tomar um soro, toma; se pre­cisa de uma insuli­na, toma. Se o médi­co avaliar que o caso é mais grave, temos a ambulân­cia e ela já faz o encam­in­hamen­to para o hos­pi­tal”, descreveu.

Arte e devoção

O Círio de Nazaré é um even­to de múlti­plas dimen­sões, além de con­gre­gar, a fé, devoção e a ren­o­vação da esper­ança, o Círio está pre­sente em cada can­to de Belém e tam­bém no tra­bal­ho dos artis­tas, artesãos, que bus­cam traduzir a exper­iên­cia. Uma dessas pes­soas é a artista paraense Aline Fol­ha, que pro­duz diver­sas peças, como camisas, louças, entre out­ras, com o tema do Círio.

“Des­de o começo do mês, eu já vivo o Círio. Eu vivo em esta­do de out­ubro, como o paraense gos­ta de falar. A gente tem essa coisa de esper­ar pelo cheiro da cidade que fica difer­ente, a ener­gia das ruas, que fica difer­ente”, rela­ta.

Este ano, Aline foi con­vi­da­da a cri­ar a ilus­tração das peças de comu­ni­cação e ati­vações do Círio para uma empre­sa de min­er­ação. Sua obra tran­si­ta pelos esta­dos emo­cionais do cotid­i­ano fem­i­ni­no, espe­cial­mente pela vivên­cia do mater­nar, em uma bus­ca por liber­dade, acol­hi­men­to e pos­si­bil­i­dade. A artista imprime em suas cri­ações os ras­tros do proces­so artís­ti­co, o que evi­den­cia a pre­sença da água e do grafite na relação entre desen­ho e aquarela.

“O Círio para mim é uma exper­iên­cia bas­tante pes­soal. Tem algu­ma coisa de sub­je­ti­vo e tem algo que a gente vive em con­jun­to, em comu­nidade, tem uma memória cole­ti­va que faz a gente par­tir para nos­sas cri­ações, nós artis­tas”, expli­ca. “O que me emo­ciona é o rit­u­al que cada pes­soa vive, o rit­u­al de família de sair para ver a san­ta pas­sar no mes­mo can­tinho todos os anos”, apon­ta.

Recon­heci­da por sua sen­si­bil­i­dade e aut­en­ti­ci­dade, Aline já foi con­vi­da­da três vezes (em 2016, 2017 e 2022) para cri­ar os man­tos ofi­ci­ais do Círio de Nos­sa Sen­ho­ra de Nazaré, maior man­i­fes­tação cul­tur­al-reli­giosa do Pará. Em 2023 e 2024, foi escol­hi­da por uma empre­sa para desen­volver as primeiras coleções de louças temáti­cas da fes­tivi­dade, inti­t­u­ladas Cam­in­hos do Círio e Raízes de Fé, pro­je­tos que cel­e­bram a fé e a iden­ti­dade paraense com traços del­i­ca­dos e sim­bóli­cos.

“As min­has prin­ci­pais inspi­rações vier­am das sen­sações que o Círio provo­ca em quem o viven­cia. Busquei rep­re­sen­tar ess­es sen­ti­dos aflo­rados e como eles podem des­per­tar memórias afe­ti­vas e cole­ti­vas nes­sa grande fes­ta paraense”, con­ta Aline. A arte cri­a­da este ano incor­po­ra diver­sos ele­men­tos cul­tur­ais como o tacacá, os brin­que­dos de mir­i­ti, os gri­tos de “viva, viva, viva”, os fogos de artifí­cio e a figu­ra fem­i­ni­na que acol­he uma cri­ança. “ O prin­ci­pal desafio foi man­ter o aspec­to aquare­la­do em uma arte que pudesse ser apli­ca­da de for­mas e taman­hos diver­sos nas peças da cam­pan­ha”, acres­cen­ta.

Aline real­i­zou as seguintes exposições indi­vid­u­ais: “Elas”, no Espaço Cul­tur­al do TRT‑8; “Elas Estam­padas”, na Casa Oiam; “Flo­rescer Mãe”, no Shop­ping Bosque Grão Pará; e “O Peso das Coisas Leves”, nova­mente no Espaço Cul­tur­al do TRT‑8.

Atual­mente, faz do seu ate­lier na cap­i­tal paraense um espaço múlti­p­lo, onde além de pro­duzir tam­bém real­iza cur­sos livres ou cor­po­ra­tivos, e recebe o públi­co, clientes e alunos.

 

*A repórter via­jou a Belém a con­vite da Vale

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