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Serrana: vacina faz cair em 95% as mortes e em 80% os casos de covid

São Paulo - Vacinação contra covid-19 aos profissionais da saúde do Hospital das Clínicas, no Centro de Convenções Rebouças.
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

O estudo clínico foi realizado pelo Instituto Butantan


Pub­li­ca­do em 02/07/2021 — 12:02 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

A imu­niza­ção de toda a pop­u­lação adul­ta do municí­pio de Ser­rana, no inte­ri­or paulista, com a vaci­na Coro­n­aVac, do Insti­tu­to Butan­tan, fez os casos sin­tomáti­cos de covid-19 caírem 80%, as inter­nações, 86%, e as mortes, em 95% após a segun­da vaci­nação do últi­mo grupo.

Essa é a prin­ci­pal con­clusão do Pro­je­to S, estu­do clíni­co de efe­tivi­dade inédi­to no mun­do real­iza­do pelo Insti­tu­to Butan­tan na cidade. A redução foi con­stata­da por meio da com­para­ção dos dados des­de o iní­cio do pro­je­to até com­ple­tar a vaci­nação de todos os gru­pos com o restante do trimestre avali­a­do (fevereiro, março e abril de 2021).

Os resul­ta­dos tam­bém mostraram que a vaci­nação pro­tege tan­to os adul­tos que rece­ber­am as duas dos­es do imu­nizante quan­to as cri­anças e ado­les­centes com menos de 18 anos, que não foram vaci­na­dos, expli­ca o dire­tor do estu­do e de ensaios clíni­cos do Insti­tu­to Butan­tan, Ricar­do Pala­cios. “A redução de casos em pes­soas que não rece­ber­am a vaci­na indi­ca a que­da da cir­cu­lação do vírus. Isso reforça a vaci­nação como uma medi­da de saúde públi­ca, e não somente indi­vid­ual”.

Cinturão imunológico

Out­ra con­clusão do estu­do é a avali­ação da incidên­cia da doença em Ser­rana na com­para­ção com as cidades viz­in­has. Ser­rana tem cer­ca de 10 mil moradores que tra­bal­ham diari­a­mente em Ribeirão Pre­to, cidade dis­tante a 24 km. Enquan­to Ribeirão Pre­to e out­ras cidades da região vêm apre­sen­tan­do alta nos casos de covid-19, Ser­rana man­teve taxas de incidên­cia baixas dev­i­do à vaci­nação. Além da que­da das infecções, os moradores que tran­si­tam em out­ras cidades não troux­er­am incre­men­to rel­e­vante nos casos. O Pro­je­to S criou um “cin­turão imunológi­co” em Ser­rana, uma bar­reira cole­ti­va con­tra o vírus, reduzin­do dras­ti­ca­mente a trans­mis­são no municí­pio.

“As impor­tantes con­clusões do estu­do poderão embasar as estraté­gias de imu­niza­ção no Brasil e no mun­do, e ofer­e­cem uma esper­ança do con­t­role da pan­demia com vaci­nas como a Coro­n­aVac”, afir­ma o pres­i­dente do Insti­tu­to Butan­tan, Dimas Covas. “Não pre­cisamos cri­ar ilhas para atin­gir a imu­nidade da pop­u­lação”, com­ple­men­ta Ricar­do Pala­cios. “Nós con­seguimos sat­is­faz­er a von­tade das pes­soas de retomarem suas vidas quan­do a vaci­na é ofer­ta­da. Isso nos gera uma luz de esper­ança”.

Pesquisa pioneira

A pesquisa, pio­neira no mun­do, foi desen­volvi­da pelo Insti­tu­to Butan­tan, aprova­da pelo Comitê de Éti­ca em Pesquisa da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na de Ribeirão Pre­to da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP) e avali­a­da pela Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária.  O estu­do foi real­iza­do em parce­ria com a Sec­re­taria de Saúde e a Prefeitu­ra Munic­i­pal de Ser­rana. O obje­ti­vo do pro­je­to é enten­der qual a efe­tivi­dade da Coro­n­aVac, ou seja, como a imu­niza­ção de uma parte da pop­u­lação pode afe­tar o cur­so da epi­demia. Na práti­ca, enten­der como a vaci­na se com­por­ta no mun­do real.

O méto­do uti­liza­do para o ensaio clíni­co é chama­do de imple­men­tação escalon­a­da por con­glom­er­a­dos (stepped-wedge tri­al). Ser­rana foi divi­di­da em 25 áreas, for­man­do qua­tro gru­pos: verde, amare­lo, cin­za e azul, que rece­ber­am o imu­nizante seguin­do esta ordem. A vaci­na foi ofer­ta­da a todos os maiores de 18 anos elegíveis para o estu­do nes­tas áreas, de for­ma sequen­cial, em qua­tro eta­pas.

Entre 17 de fevereiro e abril deste ano, ao lon­go de oito sem­anas, cer­ca de 27 mil moradores do municí­pio rece­ber­am o esque­ma vaci­nal com­ple­to: duas dos­es da Coro­n­aVac com inter­va­lo de 28 dias entre a primeira e a segun­da. Isso rep­re­sen­tou uma cober­tu­ra próx­i­ma a 95% da pop­u­lação adul­ta, segun­do cen­so de saúde feito pre­vi­a­mente pelo Insti­tu­to Butan­tan.

Proteção para os não vacinados

O méto­do de escalon­a­men­to per­mi­tiu avaliar e com­parar as qua­tro áreas vaci­nadas, expli­cou Ricar­do Pala­cios. “Percebe­mos que os fenô­menos obser­va­dos não acon­te­cem aleato­ri­a­mente, mas se repetem nos qua­tro gru­pos em momen­tos difer­entes”, afir­ma. “O resul­ta­do mais impor­tante foi enten­der que podemos con­tro­lar a pan­demia mes­mo sem vaci­nar toda a pop­u­lação. Quan­do atingi­da a cober­tu­ra de 70% a 75%, a que­da na incidên­cia foi perce­bi­da até no grupo que ain­da não tin­ha com­ple­ta­do o esque­ma vaci­nal”, afir­ma o dire­tor do estu­do.

“A vaci­na é segu­ra, efi­caz, efi­ciente, de altís­si­ma qual­i­dade, e con­tribui para pre­venir o desen­volvi­men­to da doença, com­pli­cações e óbitos entre os infec­ta­dos. Ago­ra tam­bém sabe­mos que ela provo­ca efeito bené­fi­co em uma pop­u­lação inteira, pro­te­gen­do tan­to os vaci­na­dos quan­to os não vaci­na­dos e reduzin­do a cir­cu­lação viral de for­ma expres­si­va”, con­clui Dimas Covas.

Intervalos de confiança dos índices de redução

Casos sin­tomáti­cos

- Que­da de 80% (Inter­va­lo de Con­fi­ança 76,9% — 82,7%)

Inter­nações

- Que­da de 86% (Inter­va­lo de Con­fi­ança 74,1% — 92,3%)

Mortes

- Que­da de 95% (Inter­va­lo de Con­fi­ança 62,7% — 99,3%)

Edição: Valéria Aguiar

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