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Um ano após tragédia, moradores de São Sebastião buscam recomeço

Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Chuvas intensas destruíram casas e mataram 64 pessoas em 2023


Pub­li­ca­do em 20/02/2024 — 07:42 Por Agên­cia Brasil* — São Paulo

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Um ano após desliza­men­tos de ter­ra deixarem 64 pes­soas mor­tas em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, os moradores que vivi­am nas áreas afe­tadas bus­cam recomeçar a vida. Pes­soas que moravam nas regiões atingi­das voltaram para suas casas e dizem preferir enfrentar o risco de novos prob­le­mas a ter de aban­donar a casa con­struí­da com muito sac­ri­fí­cio.

“No primeiro momen­to, eu tive que sair, até mes­mo porque eu ten­ho cri­anças, eu ten­ho dois fil­hos menores, e eu não pos­so colo­car eles em risco. Mas, no decor­rer dos meses, a gente ficou em um lugar muito longe, que é [a cidade viz­in­ha] Bertio­ga, e tudo nos­so é aqui: é tra­bal­ho, é esco­la. Então, imag­i­na você ter que acor­dar às cin­co horas da man­hã, todos os dias, acor­dar a cri­ança, que tem uma difi­cul­dade imen­sa, que toma medica­men­to para dormir, para poder vir”, con­ta a assis­tente social Lei­de­cleire Siqueira da Sil­va, que mora­va na Vila Sahy, a mais atingi­da pela tragé­dia.

A casa dela não foi dire­ta­mente afe­ta­da pelos desliza­men­tos, mas a região ain­da é con­sid­er­a­da de risco. Mes­mo assim, ela preferiu voltar a habitar a con­strução. “A gente não esta­va ten­do mais vida [em Bertio­ga]. Então, eu deci­di voltar para a min­ha casa e recomeçar aqui. Dev­i­do ao muro de con­tenção, as bar­reiras que estão fazen­do, as drena­gens, a gente está com mui­ta esper­ança que pos­samos ficar na nos­sa casa”, diz, referindo-se às obras que estão sendo feitas pela prefeitu­ra de São Sebastião e que têm o obje­ti­vo de evi­tar novos desliza­men­tos.

São Sebastião SP 19/02/2024 .Há um ano, chuvas provocaram deslizamentos em São Sebastião provocando dezenas de mortes. Leidiclere da Silva que teve sua casa atingida. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Lei­di­clere da Sil­va que teve sua casa atingi­da em São Sebastião (SP), há um ano. Ela decid­iu voltar ao local após um perío­do moran­do em Bertio­ga. “A gente não esta­va ten­do vida mais”. Foto — Paulo Pinto/Agência Brasil

No fim de 2023, uma ação do Min­istério Públi­co Fed­er­al (MPF) evi­tou que 900 imóveis da Vila Sahy fos­sem demoli­dos e seus moradores removi­dos do local. O MPF acio­nou um con­vênio man­ti­do com a Uni­ver­si­dade Fed­er­al de São Paulo (Unife­sp) e colo­cou engen­heiros da insti­tu­ição de ensi­no para esclare­cer dados téc­ni­cos e amparar a Justiça Estad­ual a decidir sobre a neces­si­dade das remoções e as demolições. A Justiça estad­ual autor­i­zou então a per­manên­cia de boa parte da comu­nidade. Em janeiro, o gov­er­no de São Paulo desis­tiu de recor­rer da ação.

“Se real­mente eles com­pro­varem que eu ten­ho que sair, eu vou sair. Aí eu não vou ter escol­ha. Vou ter que deixar min­ha casa que eu lutei por 20 anos. Para alguns, olhan­do assim, não é nada, mas para mim é tudo que eu pude dar para meus fil­hos. A gente fica pen­san­do assim, poxa, a gente lutou tan­to, tra­bal­hei tan­to, sou só eu e eles, para, no fim, perder tudo. Se a chu­va não lev­ou, é porque é para ficar”, diz Lei­de­cleire.

Ade­mil­ton San­tos, dire­tor social da Asso­ci­ação de Moradores da Vila Sahy afir­ma que, com anos de atra­so, obras de con­tenção estão sendo feitas nos mor­ros, o que está geran­do uma sen­sação de segu­rança na comu­nidade. “A gente sem­pre brigou para que se fizesse mel­ho­rias, para dar uma tran­quil­i­dade nes­sas áreas de risco, que é o que está acon­te­cen­do só ago­ra. Essas obras eram nos­so son­ho, a gente está brig­an­do há anos para que se fizesse esse tipo de mel­ho­ria, se fizesse a reg­u­lar­iza­ção fundiária do bair­ro, para que a comu­nidade pudesse viv­er com mais tran­quil­i­dade”, diz.

São Sebastião (SP), 22/02/2023, Casas destruídas em deslizamentos na Barra do Sahy após tempestades no litoral norte de São Paulo.
Repro­dução: Há um ano, casas foram destruí­das em desliza­men­tos na Bar­ra do Sahy após tem­pes­tades no litoral norte de São Paulo. Foto — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Prevenção

Vagn­er Bar­roso, coor­de­nador munic­i­pal da Defe­sa Civ­il de São Sebastião, desta­ca que o municí­pio está real­izan­do as obras de con­tenção e drenagem nas encostas, e o gov­er­no do esta­do imple­men­tou a sirene de aler­ta e instalou um novo radar na região. Ele ressaltou tam­bém que a pop­u­lação local pas­sou a respeitar mais as ori­en­tações do órgão.

“As pes­soas começaram a procu­rar a Defe­sa Civ­il, começaram a aceitar a Defe­sa Civ­il como par­ceira. Isso mudou bas­tante. As pes­soas hoje já veem a Defe­sa Civ­il como algo que real­mente está ali para aju­dar e nos aceitam quan­do a gente pede algu­ma coisa”.

No total, 704 famílias perder­am suas casas nas chu­vas que atin­gi­ram, no iní­cio de 2023, o Litoral Norte de SP. O gov­er­no do esta­do de São Paulo entre­gou nes­ta segun­da-feira (19) 518 mora­dias no bair­ro Baleia Verde, em São Sebastião. No iní­cio do mês, out­ras 186 famílias tam­bém foram ben­e­fi­ci­adas na região de Mare­sias. O inves­ti­men­to estad­ual total­i­zou R$ 260 mil­hões nos dois empreendi­men­tos.

*Com infor­mações da TV Brasil

Edição: Marce­lo Brandão

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